segunda-feira, fevereiro 12, 2007

ovo cozido

coloca-se o ovo (de galinha) numa panela cheia d'água.
até a água começar a fever vai uns cinco minutos. deixe borbulhar. daí leva mais quase dez minutos pro ovo ficar inteiramente cozido. isso se você gosta da gema consistente, sólida. se preferir a gema melequenta, tira com uns cinco minutos depois que ferver.
o ovo vai estar muito quente pra comer. deixe esfriar uns três minutos e comece a retirar a casca, que como estará grudada no ovo, levará pelo menos uns dois minutos pra tirar toda se você não tem prática.
pronto. pode comer.

em geral leva quase vinte minutos o processo completo de cozir e comer o ovo.
quem, nos dias neuróticos de hoje perde vinte minutos pra comer um ovo cozido?
o custo-benefício em relação ao tempo não compensa.
em vinte minutos dá pra fazer dez pipocas de microondas.
em vinte minutos dá pra fazer uns seis miojos.
e se tua pizzaria for perto dá pra chegar uma muzzarela.

não se come ovo cozido na pós-modernidade.
o ovo cozido é o símbolo da vida tranquila, sem neuroses com o relógio.
não se 'perde' vinte minutos. o tempo é abstrato demais pra possuirmos pra podermos perdê-lo.
viva o ovo cozido.
viva a vida no campo.
viva o sapo, o grilo e a malária.
viva.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

acabou o assunto.
conversa de elevador e a velha a fiar.

no mais, continua tudo marromeno.
vou aproveitar que meu talento tirou férias
e vou atrás dele; quando raptá-lo e guardá-lo no bolso (daqueles com zíper pra não escapulir) eu volto.

adianto o que provavelmente seria as próximas quinze pseudo-crônicas:
eu sou um vagabundo, eu gosto do zé carioca, trabalhar é uma merda.

um bocejo

PS: agora todo mundo quer ser bipolar. se você é uma pessoa visivelmente desequilibrada com tendências frenéticas-empolgantes sucetíveis ao repentino suicídio, então você é cult.
você não é um fracassado porque seu emprego é muito do meia-boca, e todo mundo já tinha pegado sua mina. na verdade você tem um distúrbio psicológico que só pessoas muito inteligentes e sensíveis têm. a mudança drástica de humor não te deixa fazer nada direito. não é culpa sua...

-- olha mamãe, eu sou bipolar!
:)
:(

já vi gente inventar desculpa pra ser vagabundo, mas cada dia eu me surpreendo mais.

terça-feira, janeiro 16, 2007

ser ansioso é extremamente cansativo. não digo que sou aqueles que ficam batendo o pé freneticamente no chão, ou chacoalhando o joelho pra-cima-pra-baixo, mas sou o ansioso do tipo vagabundo, aquele que se marcar qualquer coisa pra fazer no dia seguinte fica alerta na cama, olhando pro teto, na maçante espera do inédito dia seguinte.
até pra tirar a segunda via do meu RG eu perco o sono:
imagino a fila que vou pegar e imagino o livro que vou tentar ler e imagino o sono que vai começar a me dar já que eu acordei cedíssimo exatamente pra não pegar fila mas isso é são paulo e não existe a possibilidade de você sentar para amarrar o tênis sem pegar uma filhinha, e como ficarei irritado com isso então já penso numa resposta de antemão pra evitar meu aborrecimento já que fui eu que perdi minha carteira naquele balada que eu exagerei e porque eu exagerei? e agora já foi, e só me resta esperar pra acordar cedo bem cedo pra pegar o mínimo de fila possível pra me livrar logo desse encargo de tirar a segunda a via do rg e vou aproveitar o ensejo e resolver aquela coisa no centro pra já fazer tudo de uma vez e não ter que escolher outra data e esperar tudo de novo já me livro de outro encargo e eu espero que todos os documentos estejam certos e que não falte nada e que eu resolva logo e que eu pense em outra coisa pra fazer amanhã mas eu não sei quanto tempo isso vai me levar então eu não vou marcar nada por equanto e provavelmente vai ser um dia perdido e porque a droga do sono não vem, acho que vou beber uma água pra ajudar e de repente ler um pouco daquele meu livro pra ir pegando no sono e já são duas e meia caralho vou dormir pouquíssimo com certeza será um dia perdido amanhã mesmo que eu faça as coisas rápidas porque me dará um sono mais tarde já que vou dormir tão pouco e é melhor eu pensar em alguma coisa que me relaxe e como eu faço pra desligar meu cérebro frenético-neurótico com uma avalanche de pensamentos dispersos e desconexos que não me levam a nenhuma conclusão além de aumentar minha ansiedade em querer que amanhã chegue e logo pra eu me livrar dessa tarefa tediosa e me dedicar à alguma coisa mais...puff

e olha que coisa, consegui ficar acordado.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

teses infundadas para momentos em família

eu tenho a impressão de que no futuro se classificarem nossa geração de burra, sairemos no mínimo, no lucro. burra ou, com educação, o eufemismo de historicidas. isso porque parece que esquecemos ou negligenciamos todo desenvolvimentos científico no campo social-humano-filosófico-artístico. dá impressão que ninguém leva em consideração o que freud falou sobre o inconsciente, o que os arquitetos buscaram com o modernismo, o que duchamp dizia sobre a arte, e, principalmente, que essa história de trabalhar oito horas por dia é coisa de proletário de cem anos atrás.
enfim, sugiro então, que tentemos nos salvar historicamente, condicionando e viabilizando nossas pulsões sexuais, derrubando paredes e ornamentos desnecessários, matando de vez a natureza-morta (de um modo conceituado) e claro, trabalhando o mínimo possível.
esses são meus votos para dois mil e sete.

antes que eu me esqueça

ignorância é boa quando plena; o duro são aqueles flashs intelectuais que te fazem perceber que existem alguns que sabem menos ainda, e sabe-se lá como, mandam mais na sociedade.
(qualquer identificação com teu patrão, prefeito ou teu vizinho que ganha muito mais que você não é mera coincidência).

ano-novo

antes eu achava que ano-novo servia só pra te constranger com familiares distantes ou pra justificar ficar bêbado na frente da tua vó. mas agora percebo, que além disso, a função social do ano-novo é revitalizar as crenças do indivíduo na sociedade. se o ano não acabasse uma hora, o tempo pareceria incrivelmente monótono (aumentando nossa angústia existencial e consequentemente provocando homicídios em massa) ou infinito (aumentando nossa megalomania de seres imortais e complexo de tirano e consequentemente provocando homicídios em massa). mas como uma hora o ano acaba e em seguida ele começa de novo (o tempo é o funcionário-modelo) sempre que um ano começa temos um motivo de achar que 'agora sim a coisa vai': o regime, o namoro, o time e até o trabalho.
serve também como desencargo de consciência: o que foi feito foi, ficou lá atrás no ano que passou. ou seja, se fiquei em dívida com alguém, um abraço! foi o meu alter-ego-2006 que fez a dívida, não é problema meu. ano-novo-vida-nova.
(uma tese um tanto esquizofrênica)

quinta-feira, dezembro 21, 2006

NAtal é a coisa mais bizarra que existe (depois da Páscoa)

ah o Natal! todas aquelas luzes coloridas, musiquinhas de celular muito antes de celular existir, e aquele tumulto pra comprar presente.
contrariando meus grupos de amigos de jovens, eu não sou nem ateu, nem meio-comunistinha-meio-ambientalista, nem gay, nem anti-família, e portanto continuo achando o Natal um barato. mas de uns tempos pra cá, conforme foram crescendo pêlos no meu corpo e eu só fui ganhando cuecas de presente, o Natal foi ficando bem sem graça.

após o esfalecimento do meu encanto mirim, pude reparar na bizarrice natalina: aqueles pinheiros, aqueles alces de enfeite, neve (!) e outras coisas mais que passam longe do sul do Equador. debaixo da minha árvore tem um boneco de neve, com gorro e cachecol. posso contar nos dedos quantas vezes na minha vida vesti gorro ou cachecol, menos ainda os dois juntos. Isso porque Jesus nasceu na terra mais quente e seca possivelmente habitável na Terra. Natal é muito gringo, não faz o menor sentido tupiniquim.
confesso que a única onça pintada (nosso símbolo mor) que eu vi na vida foi na abertura de Pantanal, mas alce é demais. não sei nem aonde vive esse bicho, acho que nem sei escrever direito o nome dele. a coisa mais brasuca por perto é alface. de nada, foi minha piada sem-graça de NAtal para vocês.

falando em bicho que não se sabe as origens, a gente ainda janta um peru e um chester. peru com certeza deve vir do país vizinho da galinha, ok. agora, chester, não está nem nossos livros de biologia do segundo grau. a origem do chester é a maior incógnita do mundo desde o assassinato da Odete Roitman. minha sorte que não caiu nenhuma pergunta sobre chester no vestibular, senão estaria até hoje lavando prato.

portanto o Natal se configura numa festa bizarra, sem sentido e vínculos nacionais, com coisas estranhas ao nosso dia-a-dia, que ninguém sabe a origem, mas como todo mundo quer ganhar um celular novo, a gente vai mantendo.

as únicas coisas que a gente sabe a origem no NAtal são os presentes (que é só ver a etiqueta) e o protagonista: dizem que veio de Nazaré. de fato, Jesus é o cara mais solidário do mundo: ele nasceu pra gente ganhar presente. no dia que eu nasci, só eu ganho presente, e olhe lá.

a real é que Natal sem criança na casa é muito sem graça. fui montar a àrvore só hoje (na verdade só supervisionei, vocês me conhecem). ia pedir pro Papai Noel uns sobrinhos, mas daí só ia servir pro Natal do ano que vem. e como dizem aqueles meu amigos delinquentes que vivem no bar "vai saber o dia de amanhã se vou estar vivo". então não vou pedir se não sei se vou usar.
e o pior é que sem criança ninguém faz questão de criar aquele clima (mágico, diga-se de passagem), mas também como é uma data religiosa as pessoas ficam sem graça de encher a lata.
ora, sem emoção, sem cerveja, e tem que ficar acordado até meia-noite? qualé, vou assistir pela enésima vez Jesus Christ Superstar no conforto da minha nova cueca.

um sincero bom Natal pra todos.
repensem suas atitudes, evitem aquela lavação de roupa suja e todos aqueles constrangimentos familiares, sorriam quando abrirem seus presente, e não devolvam que é feio.
que o novo Motorola de vocês tenha uma câmera embutida com milhares de pixels e me convidem pra fazer um curta. ou filme seu tio bêbado e ponha no Youtube.

se eu não voltar a escrever até o ANo-novo é porque Papai Noel prestou atenção no meu pedido, mesmo com todo o meu peso no seu colo, e me deu uma vespa vermelha, e eu saí por aí em busca da origem do chester (eu poderia usar o Google, mas francamente...aí a vida ficaria muito sem graça).

ciao!

PS: Natal passado fui dar uma de culto e pra todos que me perguntavam o que eu queria ganhar, respondia: livro, me dê algum livro interessante. bom, passado um ano, dois deles ainda estão na fila de espera, ao lado de mais dois que adquiri no percurso. chega de ser culto, da próxima vez eu vou pedir só aquele oclinhos preto de armação grossa e quadricular.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Pinochet e outras inutilidades

Tudo começou com o Brizola; depois veio o Papa. e agora, superando todas as expectativas (falavam em pacto com o demo, ou como eu prefiro, um acordo em famiglia), foi a vez do Pinochet. Se continuarmos nesse ritmo, titio Fidel não comemorará o 50º aiversário da Revolução Cubana, Oscar Niemeyer deixará os projetos de prédios descolados públicos para outros arquitetos, e Ariel Sharon, o cara mais mau do mundo com um nome ambissexual, deixará criancinhas palestinas brincarem em paz. e por favor, Deus, eu, que nunca te pedi nada (desde do frustrante presente de Natal de 94, que se o se senhor não se lembra eu tinha dito SuperNintendo, e não quebra-cabeça do Mickey), por favor, não se esqueça da Thatcher. só isso que eu te peço: não se es-que-ça da Tha-tcher. se bem que, com sua útlima declaração (Thatcher, não Deus) de "profunda tristeza" com a morte do Pinochet, ela conseguiu alcançar o sétimo sentido espiritual da sensibilidade humana, quase um nirvana da solidariedade, o que pode aumentar, uns trinta anos ainda sua permanência na Terra.
Ok, ok, desde de que, de fato, exista um Inferno, pior que a balada (tô brincando, sem qualificar baladas aqui, deixamos isso pro Guia da Folha) e que eles queimem dolorosamente lá, tá limpo (exceto Fidel e Niemeyer, e outros velhos comunistas como Saramago, porque eu ainda tenho um projeto de conhecer eles, e quem sabe casar com a filha.. não, não.. filha já foi.. então com alguma neta deles e herdar alguma coisa da hora). daí eu ganho um broche da União Soviética! ah, me poupe... já mudei de idéia.

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Segundo Marilena Chauí, "quando procuramos a origem das palavras pensamento e pensar, descobrimos que procedem de um verbo latino, o verbo pendere, que significa: ficar em suspenso, estar ou ficar pendente ou pendurado". daí eu disse isso pro Genildo, o dono do bar: penduro, logo existo; devo não nego, pago quando puder.
aí ele me mostrou a louça suja e a conversa filosófica acabou por ali.

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franquista jamais (senão meu pai me mata, ou meu avô ressuscita e ele sim, me mata), mas sou franco o bastante pra dizer: 'não é nada pessoal, mas você enche o saco'. ou, 'não é por nada não, mas você é um puta de um bundão'; ainda não apanhei porque sou um franco com consciência de segmento de mercado: evite os fortes e ignorantes. andei treinando com meu priminho: "Lipe, você tá chato hoje. desce daí que já tá doendo. quem é o meu chatinho? quem é o meu chatinho?" com aquele jeito que a gente fala com cachorro "quem é o meu garotão?" sabe? "quem é o meu garotão?" "quem é o meu garotão?" não sabe? aonde você estava nos últimos quinze anos de filmes americanos na Sessão da Tarde?

...

São Paulo não chega a ser o túmulo do samba porque vive tendo sambinhas espalhados pela cidade. Ainda que copie o estlio carioca de tocar, está mais próximo de ser um negativo do Rio. negativo, negativo, aquele de revelar foto. nas suas devidas proporções, no último fim-de-semana, eu e mais, literalmente, meia dúzia de brancos num contigente de mais, bem mais que cem pessoas, em qualquer samba-de-roda do Rio contrastam com o sambinha de ontem na Vila Madalena. Contados, num ambiente de pelo menos cem pessoas, cinco negros: meu amigo, um músico, uma moça e um rapaz, e o garçom. samba-pó-de-arroz ou samba-macarrônico, como preferir.

No Rio, eu estava pensando romanticamente (porque tirando meu lado grosso e cafajeste, eu costumo ser romântico): a senzala venceu. as manifestações negras, segregadas, perseguidas e proibidas, se deu de uma forma tão intensa e importante pra constituição de uma identidade cultural pra grande massa que insurgiu, de um tal modo, que extravasou a 'cozinha' e hoje domina a 'sala', principalmente o televisor. por outro lado, se deu uma apropriação branca e capitalista (indústria fonográfica e do entretenimeto) que corroeram alguns vínculos mais culturais baseados em relações concretas de experiêcias sociais, religiosas, que sustentavam todo o processo de criação e realização do samba, desde seus instrumentos, ao modo de tocar e à temática das letras, transformando, aparentemente (pelo menos em São Paulo, na classemédiolândia), num produto chamado "cultura nacional de diversão, à venda na próxima balada, aproveite enquanto é cult".
uma visão crítica da coisa.
ou não (viva Caetano!).
acho que falei um monte de besteira, até porque eu não tenho nenhum embasamento teórico, musical, não sou estudante de Sociais, e definitivamente não tenho compromisso com a verdade.
às vezes ( e só às vezes ok?) eu me engano, mas daí eu fico insistindo um pouco pra ver se o engano, que pra mim faz tanto sentido, não vira verdade. geralmente não.

o plausível já me basta mesmo.
eu avisei que era franco.
diferentemente (olha como é a vida) do Pinosheet, que admitiu que mentia às vezes, por isso usava óculos escuros. sério, saiu no Estadão. esclerosado é pouco. minto, logo uso óculos escuros. qualé? aonde está o sentido disso?
se fosse assim ninguém acreditaria em cegos.
e nem no Chico Xavier.
...

ouvi dizer, que um americano médio (tamanho GG), ao saber da morte do Pinochet, perguntou à esposa: e agora querida, quem vai ser o presidente da Bolívia?

sábado, dezembro 09, 2006

agora vai. cortei o cabelo, fiz a barba, e porque não, escovei os dentes.
tô brincando. só cortei as unhas. é bom pra não ficar espremendo cravos-que-inflamam-e-viram-espinhas-contrangedoras-anacrônicas.
o cabelo cortaram por mim (da outra vez que eu mesmo tentei pareci com um mendigo) , agora a barba foi eu que fiz mesmo. isso explica pontilhos de sangue, fazia tempo que eu não treinava.
barba-cabelo-bigode. fala isso três vezes e mentaliza um desejo.
barba-cabelo-bigode-barba-cabelo-bigode-barba-cabelo-bigode: plim! pra mim? obrigado, não precisava. te amo deus. opa, Deus, perdão. é assim que se deve falar com Ele. ou, se me permitem a capciosidade, Ela?
puff! um braço a menos.
definitivamente Ele não tem o menor senso de humor e ainda por cima é rancoroso.
eu entendo, todo órfão é assim. ou filho único. mimado, não aguenta brincadeira. vai lá então bater bola sozinho na parede.
daí me perguntaram: mas porquê a mudança radical? preciso arranjar um emprego, uma namorada e regastar toda minha dignidade social, para que as pessoas voltem a me dar bom dia no hall de espera do elevador. ou que pelo menos comentem sobre o tempo.
olha, tá quente, e não é culpa minha, juro. nem tenho carro, não fumo, não poluo e não voto no bush. então, se enquanto estamos indo do décimo pro tê você queira comentar alguma coisa comigo, sou todo ouvidos pra ahãss, pois és, é-é-mesmoss.
só por isso? não, tem mais a ver com dinheiro e mulher mesmo. assim não dá? dá dá não dá, mas fazendo bico vai dando né.
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente numa festa com muitas long-neks e nenhum abridor de garrafa.
era só abrir com a mão. põe um pano e gira.
não sabia dessas modernidades...[momento pensativo] isso explica porque mesmo sem som a festa tava tão animada;
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente envolvendo uma par de seios comprometidos com um orangotango com um par de neurônios, nada modernos diga-se de passagem. um era possessivo e outro era machista. daí já viu né...
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
guardo no bolso. no almoço só uso os de trás mesmo. menos coisa pra limpar depois né?
eu gosto de ficar passando a língua na gengiva, como se eu estivesse sexualmente provocando alguém. às vezes eu chupo um dente como se estivesse palitando sabe? chuap, chuap, faz o barulinho da língua-saliva-dente.

cortei o cabelo, fiz a barba. cortei o açúcar, fiz dez abdominais.
cortei o cabelo, fiz a barba, troquei meu Bukowsky por outra Pessoa.
outra pessoa sou eu. solidariedade é meu sobrenome: fiz o bulso da minha vó por gentileza, tirei o pulso da minha vó por gentileza, apresentei minha vó pro gentileza e disse: vó esse é aquele doido que escrevia aquelas parábolas bíblicas promovendo o nascimento de um novo homem enquanto assassinava o português. como a senhora pode ver, ele já está morto, e se você não colocar meu nome (completo dessa vez, e não vale apelidos constrangedores de infância) no teu testamento, provavelmente ficarei pobre, cabeludo, sujismundo, e viverei de profecias malucas escritas em viadutos de uma grande cidade.

já estou preparado pra próxima festa: cortei o cabelo, fiz a barba, passei bicarbonato de sódio nos dentes (agora globais), e decorei umas dez músicas do Chico caso apareça uma rodinha de violão e belas-cultas-sensíveis garotas. claro que eu não esqueci da camisinha, pra não repetir meu pai, e dessa vez tenho um abridor de garrafa no bolso. e também estou levando um sachê de maionese caso tenha dificuldades. droga, pensei que tinha parado com Bucowsky. então vou penhorar meu canivete suíço, minha castanhola espanhola e minha cafeteira italiana.
vou comprar um gravata azul. piu bella. combina com o vulcabrás que eu herdei do meu vô.
daí é só cortar o cabelo, fazer a barba e decorar aquela parte, do Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peitoExijo respeito, não sou mais um sonhadorChego a mudar de calçadaQuandoaparece uma florE dou risada do grande amorMentira.
tudo isso num sol sustenido, sob a lua num sereno be-mol.

larguei a rodoviária e a vida de cafajeste. não como mais frango com a mão.
fiz o bigode, guardei o ray-ban, e de camiseta ninguém mais vê meu colar dourado de SãoJorge.
e nem aquela tatuagem amor-só-de-mãe que eu fiz com uma bic quando passei pela cadeia.
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente envolvendo jogo-do-bicho, cadeia, uma tatuagem amor-só-de-mãe, e um delinqüente pensamento alto: só se for a tua.

ainda dói pra sentar.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

e agora, uma daquelas minhas poesias, que depois eu me arrependo de postar, lá vai:

me distraio da vida
colorindo
me distraio do que vejo
de verdade
me distraio ocupando
o vazio
me distraio esvaziando
a ansiedade
me distraio fugindo
do meu tempo
me distraio correndo
ao mercado
me distraio bebendo
mais um trago
e eu me estrago pra me distrair
e eu me destruo enquanto me distraio

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Ipanema: projeto de vida

outro título seria: meu reino, meu reino por um caladril.
se você não é branquelo jamais entenderá (nada contra, sou corinthiano, não faço piada racista).
é que nós, ilustres netos de europeus civilizados, herdeiros da cultura clássica grega, e que vieram com uma mão na frente e outra atrás fugindo da fome para o Brasil (com piolho e muita cárie), não podemos, nas praias e lugares a céu aberto, travar um diálogo muito duradouro com o Rei Sol. tive a pachorra de tirar sarro dos gringos em Ipanema, que davam um show de branquelice em mim, torrando num Sol de dar dó. foi suficiente: fui dar um pulo n'água e me exibir pras cariocas que agora só consigo dormir de barriga pra cima, bezuntado de hidratante. até sorrir dói!

nas minhas visitas ao samba carioca, legítimo (porque nenhum foi na Zona Sul), percebi a diferença entre cultura popular carioca e balada de classe média paulistana. e percebi que calor somado à pressão atmosférica ao nível do mar me dá um leseira, uma preguiça, uma vontade de dormir, que de fato, seria impossível pra qualquer ser humano naquela terra manter o mínimo de compromisso com o Deus-Trabalho. talvez isso também explique o povo baiano.

desempregado é quadro. desocupado é aquela função ridícula que a gente faz quando 'trabalha'. eu prefiro o termo 'não é que eu não trabalho, é que eu prefiro fazer uma coisa mais útil pra mim mesmo'. um empenho narcísico. mas cult: ver filmes, exposições, ler livros, ver tua família, ver a luz do dia, evitar tendinites e faniquitos de pessoas que não gostam dessas atividades que eu citei acima.

após largar essa vida de estagiotário, pensei sobre minhas atitudes e fiz uma auto-crítica, numa segunda-feira, lá pelas duas da tarde, deitado, embaixo de um guarda-sol em Ipanema.
daí tive a uma idéia pra ajudar nossa humanidade-xaropeta. é o que eu chamo de Ipanema:projeto de vida.
no meu próximo governo eu juro uma Ipanema em todas as cidades com mais de quinhentos mil habitantes, para melhorar a sociabilidade e lembrar que a vida é boa, e trazer alegriapra alma-amarela-de-crachá.
e o que eu mais gosto mais de Ipanema nem são aqueles gringos irremediáveis, que acham que só porque a meia tem comprimento até a metade canela, significa que ela tem que estar erguida até a metade da canela, e nem é a água (que sempre que eu vou está absurdamente gelada), e nem tanto as cariocas de biquini (tenho uma tese que explica as cariocas não gostarem de paulissstas), mas é a paz de espírito pra ficar deitado dormindo, sem pensar em nada, só soltando grunidos de 'não, brigado' para os ambulantes-constantes injustiçados pelo neo-liberalismo.
eu também gosto bastante do Leblon, como bairro em geral, pena que tudo tem preços orbitantes. mas antes que isso vire novela da Globo, só queria deixar claro, que sim, existe vida pós-trânsito-enchente-patrão-vidinha-de-ser-um-número-na-catraca-e-pagar-impostos.

existe um povo, que anda sem camisa até no metrô e mija em qualquer canto.
um povo que não gosta de placa de rua, solta tiros à noite, e faz um samba-de-roda à cada esquina.
um povo que trabalha também, mas não acha isso o sentido da vida.
um povo negro pra ca-ra-lê-o, pra lembrar que a faculdade ainda é lugar da elite branca.
(engraçado se sentir elite, quando você não faz idéia da onde vai tirar dinheiro pra cobrir tua conta depois do último fim-de-semana)
esse é o povo carioca: uma mistura engraçada de um certo provincianismo numa cidade grande, com um jeitão brasileirão, que no meu ingênuo otimismo juvenil, vejo como uma digna resistência cultural, de legítima nacionalidade, de forma a evitar uma pasteurização do seres humanos naquele babaquinha ocidental que exerce sua cidadania fazendo compras e se distraindo com acessórios coloridos pro seu novo-carro-velho.

vocês perceberam que agora que minha fonte de renda bruta foi 'dispensada' eu meto o pau em quem tem dinheiro. isso se chama, num bom português, de inveja.
mas como eu sou aquele que nem estuda Ciêcias Sociais mas vai fazer um estudo antropológico no Rio de Janeiro em plena 'segunda-feira ao sol', acho que não é minha vez de ter inveja. hihihihi.

e agora uma clamação-de-desabafo:
me amem e eu vos amarei.
me odeiem e ignorarei-vos até voltarem a me amar.
me liguem, me chamem pra sair, passem caladril nas minhas costas.

beijo-tchau.

PS: no Samba do Trem (que lá eles chamam de Pagode no Trem) conheci o Nelson Sargento, lenda da Portela. vou contar pros meus filhos. mas antes vou baixar alguns cd's deles na internet só pra saber o que ele canta e porque é uma lenda. isso se chama ignorância-paulisssta.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Eric Hobsbawn, uma vez, disse que a história da humanidade é cíclica ascendente.
se ela anda pra frente, eu não sei, mas dar voltas ela dá.
eu por exemplo, larguei a tanga de estagiário e voltei ao meu melhor cargo: bon-vivant de plantão.

tô indo pro Rio pra 36 horas de esbórnia-total com muito samba e uma criaturagem-10.

se eu não voltar é porque me envolvi com uma nega lá.
(ou porque gastei todo meu dinheiro em cerveja)
tchau.

sábado, novembro 25, 2006

tá ok.

UOL me disse: morreu ontem o último panda marrom e branco. Neste momento, uma lágrima escorre pelo meu rosto.

...

No começo, ser enganação é ótimo: você faz uma média, constrói um personagem, faz um pout-pourri de esteriótipos, alguns trejeitos, e uma ideologia bonita-ecológicae-ou-anacrônica também ajuda. as pessoas compram a idéia e daí você vai alcançando o seu objetivo social-local. Só que vai passando um tempo, e vai ficando perigoso quando você mesmo começa a acreditar na sua própria enganação e começa a esperar que você tome atitudes conforme aquilo que você mesmo projetou ser. Aí vem uma certa frustração, e um lembrete: é mesmo, eu não sou assim, era só brincadeira. daí você levanta do chão, reconstituí os fragmentos da sua cara, passa um durepox, toma um chá de humildade (pode ser de saquinho) e começa a bolar outra enganaçãozinha.

Fui no meu SAC psicológico reclamar que o conteúdo do produto que eu tinha adquirido não constava com as promessas da embalagem.

...

Outro dia caiu um pé d’água aqui em casa, tão forte, com os maiores e mais fabulosos trovões que eu já vi na minha vida. Era cada barulho de explosão impressionante. Juro. Pensei comigo mesmo: pra quê tudo isso? Deus deve estava com raiva de alguém. Aposto que alguém no bairro anda cometendo o incesto.
O pior que raios e trovões são imprevisíveis (se alguém sabe prevê-los com certeza não sabe me explicar), então você acaba de levar um susto com um e vai ficar sempre na tensão de levar outro susto, que a qualquer momento cai mais um. A qual-quer mo-men-to! Coloca um violino no fundo e temos um filme de terror.

Fiquei imaginando na nossa época pré-tribal-tribalista. Claro que não existia civilizações antigas atéias. Como explicar a fúria do raio e do trovão? Não dá nem pra dormir. Daí imaginei um pré-histórico, numa dessas tempestades elétricas-magnéticas-que-queimam, dando bobeira num lugar descampado e levando um raiasso na cuca e lógico, batendo as botas. Daí, no dia seguinte, naturalmente acabaram-se o raios e a tribo encontra o sujeito morto. O ser humano não costuma ser muito inteligente quando anda em grupo, portanto deve ter sido fácil associar ‘fim-dos-raios’ com o ‘martírio-sacrifício’ do desatento que vacilou. Pronto, tivemos nosso primeiro santo-totem-mágico responsável, ainda não pela colheita, mas pelo fim das trovoadas-relampejadas. E este foi o princípio dos sacrifícios e dos cultos malucos. Nossa primeira autoridade religiosa e conseqüentemente política, foi um mané distraído na chuva.
Por isso eu não confio em autoridades. Está em sua gênese o seu caráter estúpido.

...

Partindo do pressuposto que preciso passar uma idéia de culto, tive que ir na Bienal.
Ainda mais que se o meu projeto de fazer um vídeo descoladex, colocar no YouTube e esperar a MTV me contratar não der certo, virarei artista, daqueles incompreendido por anos, e por isso já preciso ir me atualizando.
Não farei críticas, pois sei que réles mortais não entendem a Arte contemporânea, e como grandes vanguardas injustiçadas, só lá na frente vão reconhecer seu valor. Por isso quero ser da turma pra-frentex, que ignora o saudosismo, e acho tudo ‘bár-ba-ro’.
Fala sério, as fotografias estão ótimas, mas o que mais me impressionou foi uma ‘obra’ no meio da Bienal, estilo playground infantil, questionando o quanto crianças podem atrapalhar um pai numa exposição e portanto vou deixá-la nesse pula-pula se distraindo.
Sem contar o vídeo do gato comendo um rato.
Foi lindo. Quase fiz uma performance:
O gato.
O gato come.
O gato come o rato.
Como o gato come.
De fato, o rato.
De novo, o gato.
De fome não morro.
No morro tem churrasco de gato.
O gato comeu o rato
Da-rou-pa
Do-Rei
De- Ro-ma.

Sou fã de arte conceitual. Mas às vezes faço ridículo. Perdi dez minutos absorvendo todo o conjunto sígnico-semiótico da questão das queimadas nas florestas, dos atentados terroristas, das explosões deliberadas. Mas daí minha irmã me puxou e disse: “não Rafa, isso é apenas um extintor; faz parte do sistema de segurança do prédio.”
Ah bom. Alguma coisa eu entendi de lá.

tá ok.

UOL me disse: morreu ontem o último panda marrom e branco do mundo. Neste momento, uma lágrima escorre pelo meu rosto.

...

No começo, ser enganação é ótimo: você faz uma média, constrói um personagem, trejeitos, ideologia, faz um pout-pourri de esteriótipos, as pessoas comprarm a idéia, se emocionam e você alcança algum objetivo social-local. Só que vai passando um tempo, e vai ficando perigoso quando você mesmo começa a acreditar na sua própria enganação e começa a esperar que você tome atitude conforme aquilo que você demonstra ser. Aí vem uma certa frustração junto com um lembrete: é mesmo, eu não sou assim, era só de brincadeira.

Fui no meu SAC psicológico reclamar que o conteúdo do produto que eu tinha adquirido não constava com as promessas da embalagem.

...

Outro dia caiu um pé d’água aqui em casa, tão forte, com os maiores e mais fabulosos trovões que eu já vi na minha vida. Era cada barulho de explosão impressionante. Juro. Pensei comigo mesmo: pra quê tudo isso? Deus deve estava com raiva de alguém. Aposto que alguém no bairro anda cometendo o incesto.
O pior que raios e trovões são imprevisíveis (se alguém sabe prevê-los com certeza não sabe me explicar), então você acaba de levar um susto com um e vai ficar sempre na tensão de levar outro susto, que a qualquer momento cai mais um. A qual-quer mo-men-to! Coloca um violino no fundo e temos um filme de terror.

Fiquei imaginando na nossa época pré-tribal-tribalista. Claro que não existia civilizações antigas atéias. Como explicar a fúria do raio e do trovão? Não dá nem pra dormir. Daí imaginei um pré-histórico, numa dessas tempestades elétricas-magnéticas-que-queimam, dando bobeira num lugar descampado e levando um raiasso na cuca e lógico, batendo as botas. Daí, no dia seguinte, naturalmente acabaram-se o raios e a tribo encontra o sujeito morto. O ser humano não costuma ser muito inteligente quando anda em grupo, portanto deve ter sido fácil associar ‘fim-dos-raios’ com o ‘martírio-sacrifício’ do desatento que vacilou. Pronto, tivemos nosso primeiro santo-totem-mágico responsável, ainda não pela colheita, mas pelo fim das trovoadas-relampejadas. E este foi o princípio dos sacrifícios e dos cultos malucos. Nossa primeira autoridade religiosa e conseqüentemente política, foi um mané distraído na chuva.
Por isso eu não confio em autoridades. Está em sua gênese o seu caráter estúpido.

...

Partindo do pressuposto que preciso enganar com uma idéia de culto, tive que ir na Bienal.
Ainda mais se o meu projeto de fazer um vídeo descoladex, colocar no YouTube e esperar a MTV me contratar não der certo, virarei artista, daqueles incompreendido por anos, e por isso preciso ir me atualizando.
Não farei críticas, pois sei que réles mortais não entendem a Arte contemporânea, e como grandes vanguardas injustiçadas, só lá na frente vão reconhecer seu valor. Por isso quero ser da turma pra-frentex, que ignora o saudosismo, e acho tudo ‘bár-ba-ro’.
Fala sério, as fotografias estão ótimas, mas o que mais me impressionou foi uma ‘obra’ no meio da Bienal, estilo playground infantil, questionando o quanto crianças podem atrapalhar um pai numa exposição e portanto vou deixá-la nesse pula-pula se distraindo.
Sem contar o vídeo do gato comendo um rato.
Foi lindo. Quase fiz uma performance:
O gato.
O gato come.
O gato come o rato.
Como o gato come.
De fato, o rato.
De novo, o gato.
De fome não morro.
No morro tem churrasco de gato.
O gato comeu o rato
Da-rou-pa
Do-Rei
De- Ro-ma.

Sou fã de arte conceitual. Mas às vezes faço ridículo. Perdi dez minutos absorvendo todo o conjunto sígnico-semiótico da questão das queimadas nas florestas, dos atentados terroristas, das explosões deliberadas. Mas daí minha irmã me puxou e disse: “não Rafa, isso é apenas um extintor; faz parte do sistema de segurança do prédio.”
Ah bom. Alguma coisa eu entendi de lá.

domingo, novembro 19, 2006

Homenagem ao malandro

da Hollanda o mais perto é um bisavô na Itália. Buarque-quem? ninguém mesmo. e de Chico só meu bicho de estimação. minha ligação com o Chico passa do vinil pela agulha que vai pro amplificador, chega aos meus ouvidos, e num dia mais sensível (nunca direi isso na frente dos meninos, portanto não espalhem) toca meu coração. eu sou um cara muito sensível e quem discordar disso eu espanco até sangrar, dou bica na costela e de quebra encoxo a mãe do otário.

eu, no mais completo sentimento de inveja, conformado e inconformado, poderia até dizer que o 'burguesinho nasceu em berço de ouro, de família de intelectual, que tinha tempo e dinheiro pra estudar e conhecer um monte de coisa que propiciou uma fertilidade criativa de qualidade", como se qualquer um que estivesse no seu lugar teria feito o mesmo. mas não posso atacar com meu jargão de comunistinha-mal-amado. simplesmente porque, além de tudo que o Chico faz, ele realmente ganha minha admiração com o empenho que ele tem em ser jogador de futebol, ter um time, uniforme e levar a sério um aspecto tão forte da nossa cultura. e ai de quem discordar de que futebol é cultura.

detesto fazer elogios rasgados para homens (a não ser pro meu pai), mas é impressionante a capacidade que o Chcio tem de ser talentoso e fazer bem feito em todas as áreas. para me livrar do perigo, passo a peteca: nas palavras da minha mãe e tias, "ele escreve bem, faz lindas músicas, é sensível, é inteligente, culto e como se não bastasse, é lindo", "é, é lindo", confirma uma amiga delas.
ok. eu não caso enquanto o Chico estiver vivo. sou narcisista mas sei que é meio difícil competir com unanimidades.

malandro é o gato. o cara se auto-projetou de uma forma que não tem nenhum aspecto que desagrada. já no meu caso, ou é um ou é outro: quando eu consigo ser bonito, consigo proporcionalmente ser estúpido, quando dou uma de culto não fico muito atraente, e quando jogo bola daí nem presto atenção em outras coisas.

o Chico agrada a todos. malandro, não se contentou em cantar, resolveu ser poeta; não se contentou com música fez livro; não se contentou em ser bonito ainda resolveu ser jogador de futebol; só pra me agradar, aposto.

sorte que eu não sou amigo dele. se fosse, todas as pessoas perderiam a graça.

como eu não pensei nisso antes? sensível que joga uma bola e entende as mulheres. perfeito.
a fórmula é ótima, e eu bem que tentei, mas no caminho topei com uns criaturas, e no lugar da poesia e daquele olhar angustiado-romântico-pronto-pra-criar-arte, eu acabei indo pro bar esquematizar as táticas dos hedonistas f.c.
e eu também entendo as mulheres: ampliei meu cheque especial e já consegui um cartão de crédito.

Freud disse uma vez que a capacidade de um artista de 'tocar' o espectador, é que este último, reconhece, talvez indiretamente, um conteúdo e uma expressividade do inconsciente do artista naquela obra. e como em nossa sociedade reprimimos nossos desejos e os deixamos em quarentena no inconsciente, acaba gerando um certo prazer, ao 'ver' numa obra uma possível identificação dos nosso desejos do inconsciente com os do exposto pelo artista.

com isso concluí que minha possível vida de artista está fadada ao fracasso, já que eu extrapolo meus cri-cris do inconsciente nas mais puras e tenras criaturagens da vida. ou seja, eu gasto tudo no rolê, não sobra pra pôr numa 'obra de arte'.

eu só precisava de uns 30% do mel do Chico e uns 10% da conta bancária. e o pior que ele não teve filho homem pra herdar o principado. que coisa. único!

mas um dia ele morre e a Terra volta a ter homens 'normais'.
amém.
(ainda bem que já tenho um monte de mp3 dele)

sábado, novembro 18, 2006

aaliás, e que me sirvam todos os aliás e sua capacidade etmológica de voltar no tempo, o intuito era começar assim: por favor, estamos na pós-modernidade, me poupe de falsos moralismos, aliás, me poupe de moralismo algum.

e descartamos todos os padrões afim de podermos utlizarmos todos de uma só vez.

e de uma só vez engulimos, sem mastigar, até porque mastigar perde um tempão, e tempo é dinheiro, ou tempo é alguma coisa relativa que importa pra alguma outra coisa. na verdade ele, o tempo, é uma abstração futurista, sempre adiante, tentando alcançá-lo, correndo e correndo e sempre avante, não sei o que faria se o pegasse de fato, venderia, ou displicentemente deixaria escorrer pelas minhas mãos, atônito, pasmo, olhando alguma coisa colorida-animada-interativa, e o tempo voltaria a si, correndo e correndo e se distanciando, e deixando pra trás a gente e nossas preocupações, e aquele pé-de-galinha, e aquele diploma, e aquela chance, e a hora de decidir enquanto ele some no horizonte.

o tempo volta amanhã. logo de manhã com o barulho do despertador.
e enquanto nos espreguiçamos, lavamos o rosto, e pensamos sinceramente, se, de fato, vale a pena levantar e fazer de novo tudo aquilo que já fizemos e fazemos e não sabemos aonde vai, daí o malandro dispara na nossa frente, quieto, na surdina, e quando olhamos no relógio, não temos tempo de pensar que ele já fugiu de novo.

uma vez eu peguei uma gaiola velha, uma ratoeira e um pega-mosca, daqueles grudentos mesmo, e fiquei de plantão pra ver se eu pegava e aprisionava o tempo.
enquanto armava a armadilha, o tempo passou e passou e passou e eu não percebi. passou que cansou, grisalhou. perdi um tempão.

na segunda foi fantástico. tive certeza que ele, em sua façanha ardil, seja lá o que isso signifique, deu, de leve, um passo pra trás. cara-de-pau, na minha frente. depois da quarta ele é mais disciplinado, na segunda, me provoca, ao melhor estilo governamental, dois passos pra frente, um passo pra trás.

ficar velho não é o problema. o problema é a contínua existência de pessoas mais jovens. engraçado pensar que eles vão continuar mesmo depois que o tempo espalhar por aí que eu já fui, e fazer com que me esqueçam.

tem tempo pra tudo. tem tempo passado, tempo fresquinho. o meu tempo é na chapa junto com uma média.

o Paulo me deu bom conselho. amanhã não existe. coloco um dia de cada vez no meu calendário. por isso me atrapalho com datas festivas e feriados. meu calendário só fica pronto no último dia do ano, quando o ano acontece e surge ali no seu próprio fim. um dia de cada vez. e o ano nasce simbolicamente pra acabar. e é pra isso que eu uso tempo, pra acabar com ele. gasto na hora, pra não deixar ele sair na frente, e eu voltar a correr atrás;
franca mania de doido: correr atrás do tempo é se situar pra trás.
e no atrás,do tempo, está o passado.
nunca acreditei em Papai Noel mas sempre fui ingênuo.
até um tempo atrás jurava que o John Lennon era comunista.
eu escutava aquela música "Instant Karma", e com meu inglês pra-lá-de-Marrakesh, ao invés de compreender "we all shine on", entendia "we all share all". ou seja, vamos compartilhar tudo, como a Lua, como as Estrelas, como o Sol. achava que ele era uma espécie de comunista hippie (estilo minha mãe), que descarta o velho bordão da distribuição de renda, e evoca a humanidade no compartilhar dos "bens da natureza", como a Lua, as Estrelas e o Sol.
buenas. como na verdade é apenas "brilhar" ao invés do romântico "compartilhar", ele perde completamente a insígnia comunista, e Sir John Lennon volta a ser, pra mim, apenas um hippie bem sucedido em Nova York. uma espécie de yuppie do bem.

...
vida engraçada. eu ia escrever na semana passada uma pseudo-crônica com seguinte título:
A difícil arte de ser um irresponsável ou como eles estavam corretos quando me chamaram de lúmpen.
eu até tinha esquematizado na minha cabeça um princípio norteador da crônica (coisa que eu não faço), e até esboçava o parágrafo final onde explico como eu perdi minha carteira com meus documentos dentro, depois de quase 24horas de esbórnia-total, realizando minha meta de ser indigente. mas daí, não deu tempo, fiz um começo que não ficou bom e desisti.
e de fato, concluo minha irresponsabilidade: para com meus documentos, para com meus leitores e meu futuro literário.

...
minhas histórias mais legais eu não posso contar por uma questão ética.
só o círculo mais próximo sabe. aliás, só é legal pros meninos, daqueles bem criaturas.
o que sobra é aquela velha história sobre trabalhar, perder tempo, perder as coisas (ao total foi meu primeiro RG, meu estojo e agora minha carteira, sem contar minha reputação na faculdade ao longo desse ano).

...
se tem uma coisa admirável na PUC é o seu caráter público. além de dividir o espaço da van do yakissoba com alguns mendigos (ou habitantes da calçada pra eufemizar na amizade aê) que enventualmente comem por lá, descobri agora, que um meio-mendigo que fica lá no entorno da faculdade usa o banheiro da PUC. e exatamente o do meu prédio. como se não bastasse, no momento em que eu estava lá. pois é, o que os olhos não vêem o coração não sente. podia ter passado sem essa.
é uma disputa acirrada com os cachorros da FFLCH.

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ah tá. a pseudo-pseudo sobre ser irrsponsável era porque eu tinha uma visita a fazer a Bienal, ler um livro, fazer um trabalho, e todo, sinceramente mesmo, todo fim-de-semana eu prometo que vou fazer alguma coisa acadêmica útil. e impressionante como todo fim-de-semana eu faço a mesma coisa: vou pra esbórnia e volto em coma. o pior é a minha capacidade de auto-enganação perpétua. eu sempre me convenço que, antes, sou um intelectual, estudioso e aplicado que 'se dá ao direito de uma esbórniazinha, já que sou filho de Deus também' do que um quase alcoólatra inveterado, que de vez em quando abre uma página da Cult, tenta entender patavinas daquele povo que fala tudo 'embasado', com seus conteúdos e literaturas de difícil assimilação, faço uma careta de "sim, claro, eu estendendo. foi em mil novescentos e quarente e três, logo depois de de mil novescentos e quarento e dois, acho que estou pegando" e depois compro uma "Piauí" numa banca bem pop pra me sentir a par do que se passa com os modernets.

sorte que eu não sou cristão pra acreditar em inferno. porque de longe, no mais longínquo e distante, sou a maior enganação de todos os tempos. acho que só perco praquele Andy Kaufman. mas só.

é porque vocês não viram meu Curriculum Vitae. quem lê pensa que eu sou um designer poliglota, que desistiu de fazer uma pós-pós em Harvard pra tentar a vida como estagiário em algum puleiro, como experiência sociológica na pós-modernidade.

...
eu achava que eu era um jovem bem pós-moderno. repararam como sou distraído e narcisista?
mas daí explicaram que eu sou mimado e que tenho DDA. faz sentido.

...
só pra não falar que só falo de mim. e essa meninas modelos que morreram? que coisa né...?
tanta gente passando fome e elas cuspindo comida. vomitaram tanto que morreram. que o diga Jimi Hendrix. elas queriam ser mega-magricelas, estilo raquíticas. é estilo do anti-Botero de ser. quem disse que só terceiro mundo copia a estética do primeiro?

ai, quanta maldade.

sexta-feira, novembro 10, 2006

no primeiro dia, de vida, era aquela bolinha rosa;
no segundo dia, de trabalho, me sugeriram morar no Rio;
no terceiro cruzamento, de carro, consegui explodir a tampa de alguma coisa lá dentro;
na quarta vez, ouvindo, eu enjôo da música;
na quinta, a feira, pensei seriamente em falar com ela;
na sexta, agora é sério, eu prometo pegar leve;
a sétime, boca, em geral, é fogão;
no décimo sétimo, aniverário, dei um perdido na família;
às oito, eu levanto;
à uma, peço a pseudo-saideira;
às duas, pago a verdadeira;
no vigésimo terceiro, outono, eu me formo;
aos trinta, vou querer minha própria bolinha rosa;
aos quarenta e cinco, consegui virar o jogo;
às vezes penteio o cabelo, mas é só pra ver como é que fica;
no último dia, quero jazz, churrasco, e por favor, sem tulipas, todos sabem que minha flor predileta é a de maracujá, interpretada pela Gal.

respostinha rápida

não posso deixar meus leitores falando sozinho. dos últimos recados:

1- rivotril? é genérico barato que dá barato? agora só quero saber de drogas que me façam alcançar meu inconsciente. me falaram em Dalí e heroína. bem, por enquanto vou continuar na cerveja-em-demasia e papelões em público. sei lá, tenho medo de dorgas pesadas. vai que me dá um piripaque e eu morro. minha ia ficar puta comigo.

2- querido anônimo. se você não leu minhas últimas pseudo-blá-blá-blá, é basicamente isso: eu sinceramente já me conformei que eu sou um cara desinteressante, e eu não tenho nada contra troféus, eles que tem contra mim, e a minha incapacidade heróica de conquistá-los. se o que vale é uma coisa brilhante acumulando pó pra mostrar pras crianças, então eu vou bezuntar minha sogra de purpurina e acho que resolve.

3- pois é. alguém, além dos mendigos morimbundos e barmans frustrados, têm que me dar atenção. responder era o mínimo que eu poderia fazer.

4- eu te conheço. e sim, no meu troninho reino como ninguém. desde os tempos que eu tinha minha vassala: "mãeeeeee... termineeeeeeei". hoje já atuo como autônomo no meu reinado.

5- realmente, quanta bobagem. toda vez que eu faço uma bobagem eu ponho a culpa no meu pai, no complexo de Édipo e na falta de atenção que ele me deveu. no caso de outras pessoas, eu ponho a culpa na pós-modernidade anuladora de caráter substancial subjetivo. no seu caso Gustavo, a culpa é do seu timinho amarelão. se destrua, use drogas, faça tatuagens artesanais com a gilette do teu pai, mas evite morrer por favor, que ainda tenho planos pra gente. agora, se morrer, pra você, for algo imprescindível, então pelo menos posso ficar com aquela tua camisa da seleção alemã? prometo ir no seu enterro.

terça-feira, novembro 07, 2006

respondendo ao Gustavo (o azarado da última mensagem)

Querido Gustavo,
não, minhas pseudo-qualquer-crônicas não decaíram, justamente porque elas são como o Governo Lula: não decaiu porque nem chegou a evoluir.

sobre seu triste recado, confesso que me conforta, pois contava com o BIFE pra fechar o ano da criaturagem-geléia-geral. meu feriadão também não foi um 'daqueles', mas isso eu explico na próxima pseudo-blá-blá-blá.
ao contrário do seu desabafo disfarçado de crítica, ainda não atingi o nível de "literatura messenger", primeiro porque é absurdamente contraditório, já que uma anula a outra, segundo, porque ando evitando coisas do tipo, "kd vc?", ":) :( ;)", "naum" e outras coisas ininteligíveis, que essa "moçada" anda fazendo (eu também gosto de gíria de velhos).

o pior de perder ns Jogos Universitário (sou um cara experiente nisso) é se dar conta que aquele era o teu maior projeto dos últimos - no mínimo - três meses. daí é uma boa hora pra refletir o que a gente anda fazendo da vida, quais são as nossas prioridades, e se dar conta da nossa juventude hedonista futebol clube, da qual faço questão de ser o capitão.

ainda não sei porque você não jogou o futsal, mas perder sem dar raça não é coisa da nossa 'famiglia'. explique-se.

um conselho? desiste do futebol, volta pro vôlei e pensa que existe outras maneiras da gente se exibir pras menininhas da faculdade. ah, mas você namora. então deixa. melhor ler um livro bem cult e pensar que "não precisamos dessas insígnias arcaicas que glorificam empenhos coletivos, que são douradas, brilhantes, e ficam pra sempre guardados na nossa memória como um símbolo da nossa conquista e valor, popularmente conhecido como troféu de campeão".

sobrou um pouco de anti-depressivo comigo, depois daquela última vez. se quiser, me liga logo, que a última cartela já estou consumindo junto com meu cereal matinal pra ver se eu ainda aguento trabalhar.

abraço
RAfa!

quinta-feira, novembro 02, 2006

respondendo aos anônimos II

1- querido anônimo de retórica de dar inveja (ooops, de novo): se tem uma coisa que eu não faço, com absoluta certeza, na vida, é optar pelo trabalho. é uma obrigação financeira-social. nada como terminar uma sexta-feira praguejando, sentando praticamente com as costas, e, depois de respirar fundo lançar uma: "essa semana foi fogo". é o resmungo da dignidade. outra coisa, eu não passo momentos solitários na frente do computador, eu apenas abro uma lata de cerveja e venho escrever.

2.1- ele mereceu.
2.2 - não sou nenhum expert em Bíblia, Alcorão e nem manual de etiqueta, mas sei que a inveja não matou Caim. Caim, com inveja, matou Abel! a inveja fez Caim ser expulso por Deus, lá da terra onde ele estava, sabe-se lá pra onde. (salve o google, minha enciclopédia eletrônica de pequenas coisas rápidas e inúteis!)

3- meu feriado começou com uma premissa (e um dia uma promessa): conhaque nem com limão.

4- não, não arranjei uma namorada. meu namorado não deixa. uhauahuahuahauhauha.
já falei que parei com essas coisas de namorar. trabalhar já dá trabalho e acaba com seu tempo. se eu arranjar uma namorada, daí abro mão de qualquer possibilidade de emancipação e produção sígnica subjetiva. minha vida social se resumirá aqueles barzinhos, com aquele cara tocando uma MPBzinha de leve no violão, e depois um filme. ponto, fim da vida.
sem contar que eu tenho aquele problema, daquela paixão platônica pelo meu próprio ego.

não sou negligente, não tenho tempo, e quando tenho, não tenho idéias.

***
Diário de um desinteressante: um desabafo coerente

a banda mais esquisita que eu conheci foi os Tribalistas.
meu cabelo mais radical foi aquela vez que eu pintei com papel crepom.
filme europeu só os do Mr. Been.
meu salário mínimo responde ao meu sucesso profissional.
não tenho nenhuma viagem incrível nos meus planos.
meu time está fugindo do rebaixamento.
só apareci no jornal aquela vez no reveillon na Paulista.
meu sobrenome não tem um monte de consoantes difíceis de pronunciar parecendo que tenho ascendência nobre.
a melhor idéia que eu já tive foi andar por perto das pessoas que têm as melhores idéias.

***
sobre o futuro: ninguém mais escreve à mão. é a morte da caligrafia!
msn, email, scraps... a próxima geração será a geração adulta com a letra de mão mais feia que já existiu. aquele estilo infantil de escrever será o padrão. se ninguém pratica, não evolui.
que vergonha. não dá pra levar a sério um adulto com aquela letra 'insegura' e arredondada de criança.

***
falando em criança, será que uma criança que tem pais gays anula o Complexo de Édipo?
olha só, a pós-modernidade passando a perna no Freud.
droga de pais caretas que eu tenho...

quarta-feira, novembro 01, 2006

respondendo ao anônimo

invejoso sim. assumido. invejoso e olho grande: se não oferece, cai no chão!

pra entender meus resmungos: eu até queria escrever sobre o meu vacilo de não ter avisado-lhes que eu votei nulo nessa eleição, desencanei do Lula. eu sei que estagiários não costumam ser formadores de opinião, (e sinceramente, hierarquicamente, 'opinião' é assunto que passa longe), mas mesmo assim, me senti no dever cívico de avisá-los que anularia de novo. tarde demais: nosso candidato só fez 4%, tipo a Heloísa Helena... (vejam só, então já podemos montar um partido do voto nulo).

além disso, pensei em comentar mais alguma coisa sobre o fim-de-semana e a banda finlandesa que eu jurava que era argentina.
mas acontece que está tarde e preciso dormir pra acordar e trabalhar e todo aquele blá blá blá repetitivo que eu gosto tanto de 'comprtilhar'.
não tem como eu escrever mais: culpa do Trabalho, o deus mór da dignidade humana.
fim.