quinta-feira, agosto 24, 2006

adoro os comentários que me deixam. primeiro porque eu fico pensando, pelo jeito de escrever, de quem pode ser. depois porque, como provavelmente é de algum conhecido, o recado é meio fragmentado, tipo um comentário de alguma possível conversa que já 'tivemos', mas que, para eu lendo, não faz muito sentido. tudo bem, desde que o ser humano trocou o sermão e a igreja pela televisão e a sala-de-estar, respectivamente, as coisas não fazem (e talvez nem precisem fazer) muito sentido.

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agora que minha força de trabalho foi apropriada mais-valiamente pelo meu íntimo explorador, no caso o meu patrão (só falo assim pra agradar meu pai), eu não tenho tempo de escrever grandes textos (caracteresmente falando). Vivo de bicos e pontas-de-estoques.
a pseudo-crônica sofre do mal-estar pós-moderno da fragmentação generalizada. é uma praga trotskista! uahuahuahuahauha

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depois de tentar morder a própria testa, com certeza trabalhar é a coisa mais estúpida a se fazer, parte I:
eu sei que eu não sou o cara que acorda mais cedo na cidade pra ir trabalhar. eu respeito muito os padeiros e os motoristas de ônibus. mas sair da cama com 10 graus centígrados pra ir trabalhar é muita provocação. quando a CET não tem que entrar no meu quarto pra me guinchar da cama, eu tento o método do origami: me desdobro pra cima, depois me desdobro pro lado, junto a ponta de A com a ponta de B, me espreguiço, me acostumo com a parte mais fria da cama, gemo, rogo pragas, lembro das contas a serem pagas, e que também que não tem nada de bom pra se ver na TV de manhã, respiro fundo e vou pro chuveiro. o banho é uma novela a parte. quando você descobre o meio termo entre descamação da pele pela água quente e a fria temperatura de fora, o efeito é bem parecido com o "debaixo do cobertor". aí eu preciso usar outros métodos psicológicos de impulso laborial.

falando em desperdiçar água, eu tava pensando que, se o ser humano bebesse em água apenas metade do que ele bebe em café e cerveja, o problema de abastecimento seria muito mais grave. o café só é uma bebida romântica quando se está em PAris, sentado, lendo o Le Monde, fazendo um bico pra alguma coisa, e claro, fedendo porque você é um europeu que não toma banho periodicamente. agora, no dia-a-dia o café é a droguinha que deixa a gente em pé.
vicia o suficiente pra precisarmos todos os dias, mas não o bastante pra você deixar de trablhar pra comprar mais café, ou sei lá, vender as bijouterias da sua mãe pra comprar de madrugada. se bem que eu já vi casos parecidos com coca-cola.
dia de semana: café-café-café.
fim de semana: cerveja-cerveja-cerveja.
algum dia de manhã ou meio-dia de um domingo: àgua-àgua- pra se recuperar.
daqui uns cem anos aposto que a gente vai desenvolver um órgão só pra digerir café, e o fígado vai ser descartável. vai vender fígado nas Casas Bahia, e o pentelho lá vai ficar perguntando: "quer beber quanto?!"
imagina, comprar uns fígados zuados no camelô?
-- vim trocar meu fígado, aquele que você me vendeu veio com cirrose.
uns fígado feito na CHina!
sabe que por dinheiro chinês faz/vende/produz/rouba/inventa qualquer coisa né?

sorte que meu yakissoba é sem carne.

domingo, agosto 20, 2006

rapidinhas so samba 1:

semana passada meu professor passou o filme "Rio Zona Norte", que fala sobre o samba do morro indo pra gravadora. E é muito bom por sinal, e no final ele falou um pouco sobre o "jeitinho" brasileiro, seus lados positivos e negativos (tinha a ver com o filme). Depois disso, acabei indo pra uma balada meio de samba, chorinho e coisas brasileiras em geral que a gente, que temos certeza que temos bom gosto, gosta. Daí entra o "jeitinho" brasileiro, nada mais correto do que num samba. Vindo direto da faculdade num ímpeto consumista, ainda estava de mochila, e meu amigo de mala e uma câmera de vídeo alugada da faculdade. Sem dinheiro pra gastar na chapelaria, na conversa, "guardamos" nossas coisas de baixo de uma mesa de um carrinho de cachorro-quente que tem dentro da balada. Saí aos pulos, e mais uma vez, acreditei que ali estava a gênese do comportamento brasileiro, e ali eu consumava a minha identidade nacional. Agradeci a gentileza, e fiquei com um sorrisão na cara. Economizado o dinheiro da chapelaria o mais óbvio é gastar em cerveja, já que aparentemente é pra isso que os jovens vivem. Daí entra o jeitinho brasileiro parte II: sabe-se lá porquê, a irreverência natural brasileira, quase que uma alegria e criatividade genética, nos impede de raciocinar de como uma fila indiana, por mais que pareça cumprida, funciona mais que um aglomerado de gente espremida na frente de um guichê. Claro que o dono da balada, como eu, querendo economizar também, resolveu deixar apenas um atendente no guichê que vendia ficha pra cerveja. E claro que levou mais de meia-hora pro meu amigo comprar uma ficha, porque eu dei "um forte abraço" e saí daquela muvuca. Moral da história: o jeitinho é um saco paradoxal, economizei e não pude gastar. a não ser que gastasse toda minha paciência naquela fila. Mas vocês sabem que "eu trabalhei a semana inteira, também sou filho de Deus" e que mané pegar fila em balada...

rapidinhas do samba 2:

falando em coisa paradoxais ou contradições engraçadas, se preferir, o samba tem mais uma.
após eu ser expulso de uma festa porque não cumprimentei direito o dono (eu falei o meu nome sem olhar na cara dele: claro que eu não sabia que ele era o dono!) no caminho a ser expulso fiz uma mea-culpa à la brasilis e na porta ele mudou de idéia e deixou a gente voltar e beber um montão de cerveja que tinha na festa dele. Bebi tanto na sexta (até porque a festa do cara era só cerveja, não tinha mais nada de interessane) que no sábado estava tatuado na minha cara: perdoe-me meu cheiro, estou numa ressaca colossal. Mas não é que no sábado tinha um aniversário de um grande amigo meu num samba conhecido e eu tive que ir? Tive mesmo. Daí, por incrível que pareça, fiquei só na agüinha que nem um gringo desenturmado. Até bater aquela fominha (pois de ressaca não como nada), e eu mandei ver um caldinho-de-feijão-delícia. Que coisa! A ressaca passou, e eu voltei a beber. E assim fecha o ciclo: sambe-beba-dor-de-cabeça-sambe-cure-beba-sambe-novamente. Claro que sambar, para mim, significa acompanhar de um modo discreto e contido as batidas mais forte do surdo, que são as mais simples do samba.
Moral da história 2: o samba e esse nosso jeitinho, são, de fato, a síntese do povo brasileiro (pelo menos o povo brasileiro que passa na TV): ajuda e atrapalha, é a cura e a doença ao mesmo tempo. A gente se vangloria individualmente da parte boa das malandragenzinhas, e resmungamos coletivamente do lado ruim do jeitinho. Individualmente a gente dá um jeito de não ter que votar, e coletivamente a gente lamenta estar num sitema onde os caras de gravata de Brasília consigam tirar nosso dinheiro sem nenhum esforço e amparados pelo COnstituição.
A gente, literalmente, dança. Todos os dias.

domingo, agosto 13, 2006

cooptado pelo sistema - afinal, cerveja não se paga sozinha

o problema mesmo foi quando alguém resolveu nomear o trabalho como entidade transcedental de auto-realização supra-humana. como se tivéssemos uma ânsia ontológica ao trabalho. eu até diria que isto é ideologia 'tio patinhas', algo ligado à culpa judaico-cristã, porém os japoneses com aquela mania deles de serem ultra-trabalhadores joga minha teses pelo ralo. o pior é que até os clássicos inimigos do capitalismo (os vermelhos) também defendem o trabalho como 'forma de emancipação' ou talvez de 'formação social' ou, sei lá, algo do gênero, não lembro o título da cartilha que me deram.
lembro que lá pelos 16 anos, onde eu apenas ia pro colégio de manhã e nadava/malhava/dormia na rede à tarde, meu irmão mais velho me deu um texto do Engels pra ler. Se chamava algo do tipo 'como o trabalho transforma o macaco em ser humano'. li, li, não entendi muita coisa, e continuei na mesma. macaco é macaco, ser humano é ser humano e trabalhar continua sendo um saco. minha sorte foi que, movido por sentimentos profundos, distraído pelos livros de casa, topei com uma clássico, que pelo título me cativou: O Direito à Preguiça, do já citado aqui, Paul Lafargue. me tornei imune à ideologia do trabalho e ao próprio trabalho em si.

pois bem. então o trabalho, sabe-se lá porquê, é um tipo de benção social. agora dizer que é natural já é provocação. os próprios índios brasileiros não tinham essa concepção. não trabalhavam pra acumular excedente (tudo em excesso faz mal, já dizia minha mãe), nem tinham Estado pra se subordinarem. trabalhavam só o necessário. talvez por isso foram dizimados: mão-de-obra-barata-porém conscientemente-desqualificada.
acho que o índio brasileiro está para os colonizadores assim como o lúmpen está para os comunistas...

meu ponto é o seguinte: se eu acordo cedo, faço alguma atividade, e ao meio-da eu almoço, logo em seguida eu tenho vontade de DORMIR e não de trabalhar! natural é a sesta, não o trabalho!
é uma palhaçada a sesta não estar na Constituição. por isso o país não vai pra frente.

enfim. contrariando todas as expectativas, fazendo o DowJOnes e a Bovespa despencarem em suas ações, eu, que vos escrevo, voltei a trabalhar, depois de um período de férias, e um migué na Prefeitura.
você percebe que leva jeito pra coisa logo de cara: no segundo dia de trabalho meu colega disse que eu devia morar no Rio de Janeiro.
e trabalhar é aquele parodoxozinho: desempregado você tem tempo pra estudar um monte de coisa, mas não tem meios ($$$) de aplicar. trabalhando você obtém os meios mas não tem mais tempo.
e a bebedeira no final-de-semana é consentida e aceita socialmente. não é mais um "porre existencial", você não tem mais tempo pra pensar nisso, é apenas um porre de "tô cansado".

a arte, o futebol, a música, agora foram preteridos pelo trabalho. fim-de-semana ainda preciso estudar e fazer trabalhos da faculdade (instuição e mental).
quase que minha psicóloga dança também. até ela foi prejudicada. na última sessão eu queria falar umas coisas mais existencialistas, até tristes, mas pra sair do trabalho e chegar à tempo lá, eu tive que, literalmente, ir correndo. a real é que eu comecei a liberar endorfina pelo atividade física e cheguei bem feliz na terapia. meu bom humor repentino não possibilitou analisar umas coisas meio tristes...uhauhauahuahauhauh

buenas. me voy, que amanhã é dia de branco (que nojo!).
é bem provável que eu demore um pouco mais pra escrever. espero voltar a escrever aida empregado. no fundo, no fundo, eu tenho receio do meu chefe descobrir logo que eu sou uma farsa.
enquanto isso continua a dialética: trabalho pra beber x bebo porque trabalho.

tchau.

quinta-feira, agosto 03, 2006

no Samba da Meirinha samba todo mundo

o samba não é dilema, é certeza. mas agora um tanto frustrante.

Na nossa megalópole, sempre que surge algo interessante (ainda mais quando se trata de balada) bastam dois meses e uma indicação do Guia de Fim-de-Semana da Folha pra bombar, estrumbar, custar o olho da cara, e por algum motivo estranho, desaparecer depois de um tempo.
o Ó do Borogodó era um muquifinho (ainda é). Uma garagem mal-ventilada (até um tempo atrás), nada demais. O som é ótimo, cerveja de garrafa e preço acessível quando se está trabalhando. De tão roots, virou cult, e agora tem fila dupla de carro estacionado na porta e os preços, ao contrário do samba tocado, não é a cara do Brasil. Foi-se (pelo menos pra mim).

Depois que eu descobri (tá bom vai, foi minha irmã que me apresentou) o Samba da Meirinha, pensei que eu era o cara do samba, da nata, filho prodigioso paulistano sambista da Velha Guarda da Barra Funda, Bixiga, herdeiro do samba de côco, do jongo, e de qualquer outra manisfestação pós-quilombola-moderna vigente hoje em dia.
O Smaba da Meirinha tem roda de samba de qualidade, bom repertório, qualidade de som e os preço são bem mais BRasil. Amo muito tudo isso.

Buenas, estou eu, todo orgulhoso da minha unicidade cultural, vinculada às manifestações mais ligadas às raizes brasileiras, pomposo e até esnobador (falei pra umas amigas: "fui num sambinha esquema na Vila, mas não posso te contar onde é..."), quando de repente, estou eu pegando a última CartaCapital com a Heloísa Helena na capa, começando a folhear, e PASMEM -- pois eu pasmei --, a primeira reportagem é sobre um samba, blá blá blá, da Meirinha, blá blá blá na Vila!
A reportagem também não disse onde era, pra preservar o "ambiente de amizade".

Meu reino por uma balada desconhecida.
Minha pompa, pose, e ar de sambista rare grooves, foi-se, junto com as minhas idas ao Ó.
O que eu pensava possuir de mais exclusivo é matéria nacional... esse mundo globalizado é uma merda.
Enfim, perdi meu recanto recluso quase exclusivo barato e bom. Agora todo mundo já sabe desse sambinha. Daqui há um ano aposto que vão estar aceitando cartão, e vai ter lugar pra "estacionar" o cachorro das madames. Sem contar um possível manobrista parado na porta.

bah... é bem provável que eu volte lá sábado que vem, mas com menos pose. Até desencanei de comprar um chapéu Panamá, e nem vou mais fumar cigarro de palha.
O Chico tava certo quando disse que perdeu a viagem à Lapa, que o malandro não existe mais.

Aliás, já contei a história de quando eu fui pro Rio, lá na LApa? De fato, o malandro não existe mais, mas o pedinte, existe à dar com pau!
O carioca não pode ver que você é turista que já vem te pedir coisa. Turista eu até era, mas do tipo "bem simples né". Todo mundo lá quer gorjeta, inclusive as pessoas que estão DO SEU LADO NA BALADA. uauhauahuahuahua
aconteceu uma história engraçada comigo e com meu amigo envolvendo petiscos, moedas e um leve desentendimento com a comunidade local! uauahauhauhauhauh
é sério. Pedir gorjeta é tipo patrimônio cultural no Rio. "Peço logo existo" tá escrito na entrada na Prefeitura.

nada contra os cariocas, é só uma crítica construtiva de uma pseudo-paulistano-com-inveja-do-samba-carioca-de-caráter-exclusivo. Eu adoro o Rio, pelo menos a Zona Sul e Santa Teresa. Só não moro no RIo porque lá a Pizza é uma farsa, as padarias não têm pães da hora, e o Campeonato Carioca é a segunda divisão do Campeonato Paulista. Se bem que o Corinthians está me ajudando a superar esse problema.

ah! além de várias pessoas conhecerem agora o Samba da Meirinha, elas também fazem o que eu achava ser o "Incrível Percurso do Samba Paulista no Sábado". Que consiste em ir no Samba da Roosevelt de tardinha e à noite emendar o da Meirinha. Quando cheguei na Vila, tinha umas quatro, cinco pessoas que estavam comigo na Roosevelt.
Ou seja, não consegui inovar em nada. Nem no roteiro, nem na teoria, nem na prática.

Meu lado sambista é uma farsa momentânea conduzida pela onda de resgate da cultura nacional em voga. Eu sei.. eu sei... mAs é que eu sempre fui roqueiro, desde pequeno, cantava em inglês sem saber o quê, e agora com o Lula, com a Petrobrás auto-suficiente, e com a exposição do Brasil na França e a admiração dos gringos pela Tropicália, me deu uma vontade ser brasileiro-e-não-desistir-nunca. Quero sambar, quero ser brasilero também. Jogo futebol, sou despolitizado, só falta aprender a sambar.

eu tentei as vias nordestinas, MAractu, Forró, mas não dá. Não aguentei... até Capoeira eu fui mais aberto, mas aquele berimbau monotônico é enlouquecedor...
catzo! como eu faço pra ser brasileiro então?
eu sou brasileiro, eu quero ser brasileiro, nem lembro em quem eu votei na eleição passada, viu? eu levo jeito. O samba é só uma questão de tempo.

uahauhauahuahauhauahaua

Bacci!

segunda-feira, julho 31, 2006

Gente, respeitem minha salmoura, meu auto-exílio, meu momento 'meu momento'.
O que eu posso fazer? não tenho dinheiro, não tenho emprego, não tenho nem mais o meu direito ao 'pão e circo'. O 'pão' ainda vai, mas e o 'circo'? Cadê? Cadê o meu direito a me alienar com entrenimento? Onde está a minha parte que me cabe no 'ópio do povo'? Não era o futebol?
pÔ... a única coisa que aquele time do Corinthians vai ganhar esse ano é o troféu "Me Poupe Awards-06".
Fora isso, ainda tenho que agüentar essa friaca, que só serve pra matar mendigo e puxar conversa em elevador. E para nós, transeuntes desmotorizados (ou como eu prefiro chamar: sócios do Mercedão-44), esse frio só incentiva à assistir a porcaria do Campeonato Brasileiro. Ou ler um livro. (hmm... bem pensado... droga...)

A vida é assim. Você tem que entrar de cabeça nela, não dá só pra molhar o pé. Aposto que se eu arranjar um emprego de oito horas por dia, resmungar de alguns impostos, do trânsito, o Corinthians começa a ganhar. Aí o 'circo' funciona pra gente não ficar muito revoltado. Senão não, como já dizia um amigo meu... É que nem aquelas famílias americanas protestantes estranhonas, se você não faz o seu dever de casa você não come a sobremesa. É mais ou menos uma analogia sobre ser um cidadão comum e prover de situações de um cidadão comum.

Mas existe alguma coisa mais comum do que ser desempregado? do tipo ainda: desempregado-que-faz-bico, ou como eu digo nas baladas, 'uns frilas'.
Outro dia pintei o criado-mudo da minha tia. cheguei na balada e falei pra galera "fiquei o dia inteiro ocupado com um frila de artes plásticas". Aí eu dei um gole no meu drink colorido e mudei de assunto...uahuahuahauhaua. Quase engasguei com a azeitona.

tô brincando. não minto mais sobre minha profissão. só sobre os meus pais. daí conto uma história bizarra parecida com a do Mogli.

chega. nem eu me agüento com esse meu humor russo.

nesse princípio de segundo semestre, eu desejaria do fundo do meu coração conseguir um emprego. Só pra poder encher a lata no final de semana de consciência limpa. Na verdade essa é a função real do trabalho. Não tem catzo a ver com o 'trabalho dignifica o Homem'. Tem ver com "fazer besteiras de consciência limpa". Bata o carro, não importa, você trabalhou por ele, pagou cada prestação e a toda gasolina. É teu. Bata à vontade. Encha a lata, faça um papelão na frente dos outros, e daí?, você trabalhou a semana inteira e merece se descontrair furiosamente com altas doses alcoólicas. Pra isso que serve trabalhar.
Ah! e também serve pra se livrar de tarefas estúpidas no final de semana, como aquela vez em que eu não tive argumentos plausíveis pra me negar a pintar o criado-mudo da minha tia.

e agora estou cooptando frilas pra não ter que passear com o cachorro dela.
Juro. Até lavo carro.
uahuahuahuahauhah

Mais uma vez, este que vos fala está a brincar.
É claro que eu não pinto criado-mudo, e muito menos vou lavar carro algum num frio desse.
Não estou deprimido, a história do Mogli é mentira, e eu passei o sábado no 'circo'. Mas foi um programa intensivo de samba que eu fiz. Começou no final da tarde e temrinou à 1h. Um lance cultural até.
Acho que vou largar essa vida de publicitário e virar antropóologo pós-moderno da 'zona residencial' (como já dizia o Calvin), e me especialziar em samba-paulista-da-velha-guarda.
Publicidade é muito competitivo, e tem muito mais gente levando a sério essa história de ficar falando besteira por aí do que eu. Besteiras que rimam, popularmente chamado de 'jingle'.

Se eu desenvolver uma tese do samba paulista como uma síntese cultural nacional, onde descendentes de negros quilombolas mesclam sua cultura com o italiano pobre, criando uma nova arte de afirmação e auto-apropriação de identidade coletiva, desmobilizando o etnocentrismo europeu-americano-ocidental-em-geral vigente no século XX, provavelmente algum estudioso do futuro se utilizará dessa dissertação como peça-chave para se completar o mosaico de pluriformalidades que caracteirzam essa geléia-geral chamada povo brasile........

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

tá bom, eu só queria uma desculpa pra ir ao samba.

beijo
tchau.

segunda-feira, julho 24, 2006

Delícia de salmoura. O lance é se jogar dentro e deixar o tempo passar. Salmoura conserva. Pepino, repolho, até salsicha. Chega de drogas, terapias, portas batidas e telefones não atendidos. O melhor jeito de fugir da vida é se enlatar numa conserva de salmoura. E de preferência colocado num canto escuro, no fundo da despensa, praquele constante abre-e-fecha-acende-e-apaga da geladeira não te acordar de súbito, do seu spa pessoal. E não se esqueça, desligue o celular.

domingo, julho 23, 2006

resposta e mais um conto enquanto uma outra crônica não vem.

ao meus queridos anônimos, respectivas respostas:

1º - sua vó é muita inteligente. Manda um forte abraço pra ela. A 'nona' sabe das coisas. Obrigado por me colocar no time dos bigodes. Com esta fama, provavelmente estaria empregado se eu morasse em San Francisco, CA.

2º - na crônica da semana passada do Ugo Giorgetti e do Luis Fernando Verissimo a Copa ainda era abordada. É que eu faço parte dessa "escola" de cronistas (no meu caso pseudo-), que são muito vinculados com sua cultura nacional, como o futebol, o boi-bum-bá e a sesta depois do almoço. Não consigo me desfazer tão rapidamente desse "envolvimento" emocional que é torcer. Disse que esqueceria o Corinthians, mas não resisti a dar umas espiadas quando o Tevez partia pro contra-ataque neste último jogo. É tipo mulher: a gente finge que esquece, que não quer saber mais, mas sempre damos uma espiadinha pra ver o que está fazendo. Ou não? Ou será que, como aquela mania de se "ver" numa alegoria televisiva, isso só acontece, DE NOVO, comigo? Doido-será-eu?

3º - já estou desempregado e cabeludo. Se eu deixar a barba e o bigode crescer meu pai me expulsa de casa. Ou me acusa de maconheiro e me interna naquele hospício do "Bicho de Sete Cabeças".

respondido.

Agora, um conto.

Da série Um Elefante Incomoda Muita Gente, o Meu Pai Incomoda Muito Mais:

De como meu pai enganou Freud

Eu não sei exatamente em que momento se deu, mas no ato de 'criar' meus irmãos (me inclua fora dessa, ok?), meu pai, um matuto no quesito psicologia, psquiatria e piscicultura (ele entende de hortaliças mas nada de peixes) conseguiu dar um chapéu naquela -- sim, promíscua! -- tese de Freud onde os meninos, no fundo, querem matar o pai pra nos apoderarmos da nossa -- que mente doentia! -- própria mãe. Eu por exemplo, no fundo, só quero descolar uma namorada estilo a Richthofen, porque tudo que eu mandar ela vai fazer! É um modo de sabotar a nossa pós-modernidade-anti-patriarcal. Maquiavélica, porém obediente. Um casamento harmônico, sem problemas com a sogra...
Voltando. Mesmo sem saber patavinas de ID, Ego e Superego (provavelmente um super-herói que eu tenha pedido de Natal) ele conseguiu inverter a história do Édipo pro lado masculino. É o "Anti-Complexo-de-Édipo" ou o "Descomplexo-de Édipo" se preferir.
Durante a angustiante e confusa adolescência e as conturbadas sensações e mudanças fisiológicas-psicologócias, os naturais conflitos familiares não levaram à uma ira dos meninos em se rebelar contra autoriade paterna, inconscientemente objetivando a mãe, mas o contrário: uma busca pela afetividade paterna e um reconhecimento de valor ( o alicerce da auto-estima e auto-confiança) foi propulsora para uma agressão gratuita, quase que uma desforra, para cima da mãe. A idéia é acabar com a mãe pra poder ficar com o pai!
Sorte que Freud já não está mais vivo pra presenciar um complexo de Édipo mais nojento e doentio, agora pederasta, provavelmente influenciado pela TV e o Cinema, na carona de "Will & Grace's" e "Brockback Mountain's" da vida.
Se em geral os psicanalistas recomendam que nesta fase da vida os pais devem deixar os filhos extravasar sua sexualidade fora de casa, e definitivamente não matar o próprio pai e muito menos -- cruz credo -- fazer qualquer coisa libidinosa com a mãe, neste caso domiciliar, a coisa não se dá da mesma forma. Se a busca por afeto paterno resolver fora de casa, se transoformará numa busca de um afeto masculino qualquer, e provavelmente numa relação e quem sabe, se o cara for um bom partido, num envolvimento mais sério.
Ou seja, parte1: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. Em casa, o "Anti-Complexo-de-Édipo" mal resolvido pode levar ao matricínio, o que desestruturaria a casa, econômica-emocionalmente, e viveriam de pedir pizza e comida enlatada no jantar.
Ou seja, parte 2: se for buscar fora de casa o que não consegue dentro, o filho, não será mais filho, mas quem sabe uma adulta, travestida de colares da 25 de março, tamancos e outros apetrechos coloridos que pessoas do sexo feminino tem um incrível apreço em obersvar, selecionar, comprar e ornar seus corpos.
Ou seja, parte 3: o título "De como meu pai enganou Freud" poderia facilmente ser trocado por "De como meu pai meu deu mais duas irmãs depois dos 15 anos".
uAHuahUAHUAHuAHUAHuHAuHAUhUAHUAhuAHuAHuAHa


quinta-feira, julho 20, 2006

Um restinho de Copae mais alguns parágrafos

Eu tinha dito em outra pseudo-crônica que a vitória de Portugal sobre a Inglaterra era a vitória do bigode sobre a barba bem-feita, do abrupto-viril sobre o politicamente correto. A Itália vencer a Alemanha também teve um pouco disso. O engraçado, pensando bem agora, é que na final deu-se o contrário: a barba bem-feita venceu o bigode. Confesso que, com a cabeçada do Zidane, a França num momento raro nessa Copa, se tornou o bigode!, o time de sangue quente (pelo menos de capitão com sangue quente), diferente da Itália, que ausentando sua latinidade guerreira, utilizou-se de técnicas -- não diria pouco futebolísitcas mas -- pouco esportivas para tirar a concentração do adversário. Ou seja, pra ser campeão dessa Copinha o ideal é agir como um barba bem-feita!. O que me contradiz e joga no lixo tudo o que eu escrevi até agora.

Fim de Copa fim de assunto. O que eu posso falar do Corinthians? Dói no meu coração ver meu time depender da peruca do Carlos ALberto pra sair alguma jogada, e ainda por cima perder o Nilmar, nosso bigode de barba bem-feita. Por isso que eu passo horas vendo aqueles vídeos do YouTube.

YouTube é tipo álcool, só que faz menos mal pro fígado e não te constrange socialmente no dia seguinte.
É a droga da ilusão. e-drug. Acho que a televisão digital vai ser assim também: uma mistura nefasta (e porque não promíscua? pra tudo eu pergunto, quando não sugiro, "e porque não promíscua?") entre o sinal da TV a cabo e a interatividade da Internet, onde poderemos, junto com um carnê das Casas Bahia -- que permitirá a compra de uma plasma quarenta e tantas polegadas -- manipular a ordem de todos os programas que queremos ver.
O que quisermos, na hora em que quisermos. Assim como as relações dessa nova geração com seus pais. Brincadeira, eu amo essa nova geração e seus apetrechos coloridos e descartáveis.

Por sinal, aquela expectativa de voltar aqui empregado foi-se.
A "batalha" continua...Uma entrevista aqui, uma prova ali. Roupinha social, cabelo lavado.
Até que é bom fazer entrevista, você acorda cedo, se veste bem, te faz se sentir um homem decente e útil para sua comunidade. Aí você descobre que não foi escolhido, se sente desvalorizado no âmago, vai pra um bar beber "só uma ", encha a cara, volta pra casa bêbado e de quebra, destrói um orelhão de raiva e percebe que, de fato, você não é um cara decente e útil para sua comunidade.
Mas no dia seguinte começa a ilusão de novo: roupinha social, cabelo lavado, e nas horas vagas um YouTube pra te transformar em rockstar, driblador prodígio ou qualquer outra coisa bonita que te encante.

o problema é a sociedade. fim. (o cara que não tem outro argumento pro seu auto-fracasso!)
a questão é que pessoas como eu (lá vem!) não se sentem pertencentes à sociedade. então não conseguimos criar um vínculo moral empregadício. Trabalhar pra quê ?
Porque eu tenho uma conta pra pagar, senão a polícia vai me prender e na cadeia eu vou virar moeda de troca exual com esse meu corpinho esbelto e branquinho.
Bom isso, por exemplo, é um bom argumento que me incentiva a trabalhar.
Eu já contei do meu conceito intelectual de trabalho?
Tem um pouco a ver com meu queridíssimo Paul Lafargue e sua crítica ao modus operandi de trabalhus vigente. É algo como pensar e buscar novas interpretações e idéias a respeito do todo, aprimorando conceitos, criando novos, objetivando uma otimização do processo social de relação.Pensar, pensar bastante. Isso seria um trabalho. Tipo um filósofo da grécia Antiga. Só que com menos cicuta. O lance é o seguinte: seja pé-rapado mas seja cult. Coloque palavras engraçadas numa ordem nunca dantes disposta, cite algum autor do passado ou refira-se a Niestzche (se acha que eu sei escrever?), e pronto. Tu é cult, rapá! Ah, e drinks coloridos também ajudam.

Enfim:
Sem nenhum trabalho pra me ocupar,
sem grana pra nada (literalmente),
sem o social da faculdade (é férias),
com meu time estudando a proposta de encarar a segundona,
eu realmente deveria estar ficando deprimido,
porém eu descobri um site na Internet(!), que passa vários vídeos(!) chamado YouTub...

uhauahuahuah...chega! isso tá ficando enjoativo.
não posso perder meus leitores; junto com a minha dívida no BancoReal eles são tudo o que eu tenho....
uHauahUahUahUahuahUahUAh.

quinta-feira, julho 13, 2006

Saca só uns vídeos... mas espera carregar tudo antes de ver, senão fica pausado e irritante. E perde o efeito.

Agora já sei porque as pessoas passam o dia inteiro na Internet, fazem amigos pela Internet, transam pela INeternet (quer dizer, na cabeça deles né) e abandonam qualquer tipo de relação social mais real e possível de constrangimento por causa da Internet. Simplesmente porque ela é uma maravilha, melhor que religião e drogas junto!
Acabei de descobrir que eu posso esquecer de tudo, e ficar vivendo os meus sonhos ad eternum pela Internet. Leia-se YOUTUBE.COM e a idéia genial de alienar o ser humano além do trabalho capitalista. Veja vídeos engraçados, históricos, inúteis, e sonhe, sonhe bastante que aquele poderia ser você. Bom, funciona comigo. Não seria essa a função da TV e das novelas?? ou de fato, realmente só funciona comigo??? uhauahuahuahauhau

Depois que minhas chances de ser jogador de futebol esvairam-se (tá bom vai... não era um sonho, era uma vontade) o que sobrou pros meu sonhos foi ter uma banda cover de New York Dolls, e mais pra frente, quando avançar no Pozzoli (piadinha que só músicos entendem) virar um baterista de jazz.


Por isso, I wonder...(que nem naquela música!)
Até tem umas coisas interessantes pra ver e fazer pela Internet, mas sempre esqueço delas quando tenho tempo livre, e com um suspiro, começo os devaneios:

o drible:
http://www.youtube.com/watch?v=kdn_gb5lvoM&mode=related&search=riquelme

catarse:
http://www.youtube.com/watch?v=qIWbFUYWLFo&mode=related&search=new%20york%20dolls
(Detalhe: pra ser o vocalista até comprei um lenço pra pôr no pescoço! uahuahuahauauah)

era uma vez Deus de gravata borboleta:
http://www.youtube.com/watch?v=tsKq3HD0EFc&mode=related&search=joe%20morello

Enfim, hoje não tinha muito o que escrever, mas tem umas coisas legais pra ver.

Por sinal, desde que o Banco Real resolveu adicionar um dígito vermelho a mais na minha conta, e no caso, à esquerda do número anterior, resolvi procurar um emprego de verdade.
Acho que eu criei uma comoção muito grande com isso, porque até o PCC está me ajudando a conseguir (opa! ainda não virei aviãzinho. até porque não entendo nada de droga, sou péssimo com entregas e horários, e provavelmente o "subir e descer" dos morros deve acabar com meu joelho, e eu preciso deles pra jogar bola. E sambar! tô brincando, não sei sambar...). Mas então, com o Alarme do PCC na cidade, a frota de ônibus não saiu das garagens hoje, e metade dos entrevistados de uma vaga que eu tava concorrendo não conseguiram chegar!!! Dá até uma vontade de rir, mas é sacanagem. Se tivesse acontecido comigo seria muito mais engraçado. Isso porque, as outras duas vezes que eu saí de casa pra fazer uma entrevista, no ano passado, caiu um senhor pé d'água na cidade, digno de "eventos que nunca ocorrem". Só faltava eu perder uma entrevista por causa do PCC. Mas dessa vez eles me ajudaram.
Naquela primeira semana de atentados fiquei com a maior inveja de quem trabalhava porque estavam sendo dispensados mais cedos por precaução. Que nem na Copa. Queria um emprego só pra sentir aquele prazer de ser dispensado mais cedo.
É um feitiche maluco que eu tenho. Junto com aquele de me travestir e ter uma banda de roquenrol.
Espero que meu pai não leia isso. Preciso que ele me alimente pra me manter vivo e continuar contraindo dívidas e perdendo meu tempo sonhando com dribles, bandas e solos incríveis, o show.

tchau. espero estar empregado quando eu voltar aqui. ou pelo menos com uma história bem engraçada envolvendo anões, pingüins e misógenos em crise existencial...uahuahuahau.

PS: se vocês ainda tiverem paciência, esse é feitiche dos grandes:
http://www.youtube.com/watch?v=8nfVbRbr_jE&search=rezillos
queria muito que essa mulher tivesse um orkut pra ela ser minha melhor amiga e eu escrever um testemonial bem criaturas pedindo pra ela ser minha namorada.

terça-feira, julho 11, 2006

pelo menos foi a Itália

eu só queria deixar claro que, para França chegar às oitavas, ela era OBRIGADA a vencer TOGO. Vocês conseguem perceber a gravidade disso? A França só chegaria às oitavas se vencesse Togo. TO-GO. Essa era a condição. Isso que o grupo dela não era nem o da morte, nem morimbundo. Completava a chave: Coréia do Sul e Suíça. Me poupem.
A França ter chegado na final contra minha querida Itália, reflete a pasmaceira pós-moderna chegando ao futebol. Eu gosto muito da Itália, desde pequeno, mas só porque ela foi campeã (e nada mais italiano do que levar a disputa para os pênaltis) já é forçar a amizade dizer que ela merecia e blá blá blá... me poupem de novo.
A Itália venceu a Austrália com um pênalti sem-vergonha aos 48 do segundo tempo.
Venceu a Alemanha com um golaço raro aos 14 do segundo tempo da prorrogação.
A real é que esses times europeus (Alemanha, França, Itália, Portugal, Holanda) estão tudo no mesmo nível. Ninguém se destaca muito ali. O único craque que você espera alguma coisa, e que fez alguma diferença, na minha opinião, foi o Zidane. Ele deu uma desequilibradinha.
Mas na própria Itália, os craques se revezavam no banco (um bom exemplo pro Brasil).

Menos mal a Itália ter vencido. E pelo menos aconteceu alguma coisa de interessante: a tentativa de homicídio do Zidane.
A minha tese é de que, desde pequeno, os garotos chamavam ele de "cabeção".
Sempre zuavam ele. Aí ele ia jogar bola, e era "cabeção" pra lá, "cabeção" pra cá, "cabeção toca a bola", "cabeção, cruza!" e assim por diante.
O cara foi aguentando e suportando isso até o esgotamento final. Na última partida de sua carreira, após um desentendimento na área, com o Materazzi ele disse:
- se eu faço esse gol, a gente é campeão e vão me comparar com o Pelé.
Materazzi responde:
- pena que a coroa dele nunca caberia no seu cabeção...

aí deu no que deu. Um "jab de esquerda" com a cabeça.

Dá uma pena uma Copa assim. As pessoas suportam 4 anos de um Governo amarelão, de um cotidiano amarelão, pra ver uma selçãozinha amarelona jogar numa Copinha amarelíssima. Por isso que geralmente mulher não gosta de futebol: o evento máximo é um sono total. Novela é bem mais emocionante. Sem machismo, meu pai acompanhou esta última novela com muito mais afinco que a Copa. Juro por Deus.

O pior agora é aguentar os são-paulinos na Libertadores, e o meu Timão disputando a última colocação com o Palmeiras (menos mal).

É isso então. De volta a realidade. Acabou-se a dispensa do trabalho, acabou as bebedeiras no meio da semana, acabou-se o sonho e acabou-se minha conta no Santander. Ele mesntiram pra mim!
:(

e agora, pseudo-crônicas sobre o quê?
Você acha que eu tenho paciência de falar do Lula? do PCC? das Eleições?
vou falar da minha família que é mutio mais engraçado.
Por exemplo meu pai. O cara tem uma capacidade incrível de colocar uma coisa errada no lugar errado. È impressionante. Deve existir alguma calculadora moderníssima na NASA, que comprove MATEMATICAMENTE que ele tem o pior método de disperção de objetos pela casa.
É uma quase uma arte: não é prático nem estético, é completamente inútil.
Uma vez ele colocou um quadro na parede (tava indo bem) completamente desalinhado com qualquer espécie de ser animado ou inanimado da casa. Só se o Quiroga provasse que aquilo se alinhava com " a terceira casa de Touro da segunda Lua de Saturno". Só que o meu pai não é do tipo que leva a sério essas coisas... o cara que não acredita nem em homeopatia vai acreditar em astrologia??



Mas enfim...
hora de desfilar com a camisa da Squadra Azzura e insurgir nossa italianidade para nunca perdermos a pose de campeão!

ciao!

quarta-feira, julho 05, 2006

a vitória do bigode contra a barba bem feita

Sobre o milagre italiano:

Pois é, eu já havia escrito em uma outra pseudo-crônica, que o pênalti no último minuto do jogo contra a Austrália justificava o catolicismo fervoroso deles.
E como já dizia nosso Ministro da Cultura: andar com fé eu vou, porque a fé não costuma falhar. Aposto que isso tem muito mais que 13 letras...(te fode Zagallo!)

Os italianos, confirmando meu preconceito de latino-americano-complexado, provaram que de fato anglo-saxões, nórdicos, e qualquer outra espécie branquela com uma língua assutadora, costumam ser mais entediantes que os calorosos latinos.

Essa Copa foi a Copa dos latinos. Quem diria que a fraca França, com a obrigação de vencer Togo (gente, Togo é um país na África, não é um instrumento de percursão, nem um personagem de desenho infantil) pra ir às oitavas, chega agora na semi como favorita??
Como explicar o desfalcado time português vencer a badalada (me poupe) Inglaterra??

Foi a vitória do brio contra a polidez. Do calor humano contra a frieza, do bigode contra a barba bem feita.

A Itália não veio fazendo uma boa COpa. ALiás, quem veio né? Qualquer time dessa Copa perde pro meu Corinthians numa boa fase, ou, sendo mais justo, perderia pro time do São Paulo campão mundial do ano passado.
Se é pra falar do milagre italiano, antes eu teria que falar do milagre alemão de ter chegado até a semi, de ter ganho da Argentina (que também resolveu ser mais européia que Latina, por isso recuou num 1 x 0 ao invés de buscar o segundo gol, mas essa mania européia faz parte da cultura deles...).
No gol da Itália, soltaram fogos e gritos aqui em São Paulo, quase igual a gol da seleção. Acho que a gente, além da origem italiana, criou um vínculo com esse estilo de Seleção: a federação italiana imersa em casos de corrupção, times grandes ameaçados de rebaixamento, conflitos internos no time, craques no banco, e toda o barulho, gesticulações e dramas típicos de uma novela italiana. Acho que a gente gosta disso. Melhor do que ver um time apático, insosso, amarelo-dengue em campo.

Faltou ao Brasil nossa latinidade, somada àquela ginga e espontaneidade americana (no sentido total do continente, e não restrito aos doidos lá de cima). Só tinha atleta europeurizado, pasteurizado, embalado à vacuo, exposto numa prateleira da Nike

Eu nunca gostei de Portugal. Do país mesmo. Sempre me pareceu um pequeno país, cheio de velhas viúvas, que ficam se lamentando enquanto comem azeitonas... Um país meio cinza, meio frio, que vive do passado. Tá certo que eu nunca fui pra lá, mas é a impressão que eu tenho. Além disso, a história da Colonização contribuiu para um certo desgosto lusitano. Mas incrivelmente nesta partida de hoje, sou Português desde pequenininho. E se tudo der certo, a final Itália e Portugal, não tenho como ficar triste com o resultado.
Se bem que eu torci pra Argentina contra a Alemanha, e ela perdeu. Torci pro Brasil contra a França e ele perdeu. Os pênaltis de Portugal contra a Inglaterra que eu assisti foram errados. Eu tive que sair da sala, porque eu sentia que eu estava atrapalhando a equipe do Felipão... fiquei no quintal escutando os gritos do pessoal. É verdade, sou que nem o Pelé: um pé-frio falador de bobagens.

Por isso nem adianta dizer que vou torcer pra Portugal. Vou fingir que não vou torcer.
No máximo, deixar o bigode crescer.

até.

PS: o bom de ser brasileiro é que se a gente ganha um joguinho contra o Japão, a gente comemora enchendo a lata; se a gente perde ridiculamente pra França, a gente se lamenta enchendo a lata. Não tem tempo ruim!

terça-feira, julho 04, 2006

respondendo aos últimos comentários

Sobre a Ucrânia:
eu vejo a seleção da Ucrânia nesta Copa como um jovem recém ingresso na puberdade: tudo é novo e legal. Pra quem passou uns 70 anos jogando pela seleção da URSS, a oportunidade e liberdade de poder representar o próprio país numa Copa já é uma grande satisfação para os ucranianos. Acredito que só da UCrânia ter chegado nas quartas-de-final, já foi tão longe quanto um garoto de 13 anos apalpar o seio de uma mina. Não importa ter chegado "nas finais", o que alcançou foi novidade e, logo, lucro. Sem contar que eles só tinham um craque, o Schevechenko, que, com a síndrome "estrelas em abstinência", como a de Ronaldinho, não fez nada demais.
"nenhum comentário de caráter maligno a ser tecido?"
sr. anônimo, de maligno já basta o tumor que eu tenho no pulmão! uHAuHAuHAuHAuAHuHA!
Tô brincando.
próxima.

sr. Miguel:
Ucrânia, Suíça... times Africanos... esses eu nem comento... é uma mistura bizarra de Pebolim ou movimentos frenéticos, que deifinitivamente negligenciam o Gol, coitado.
Quando eu falo em times Enganação, eu me refiro àqueles que tem tradição e sempre são favoritos. Basicamente aqueles que em futebol de videogame sempre são bons: Itália, Inglaterra, ALemanha, Holanda e etc. Fingem que são bons e arrancam elogios desproporcionais.

Os times Africanos vieram passear na Alemanha. Conhecer museus, teatros, pontos turísticos em geral. No meio disso tudo, descolavam um tempinho pra entrar em campo e correr que nem loucos, trombar com os outros, entregar gols de mão-beijada, e, definitivamente, abrir mão de chutar a bola no meio das três traves. Isso porque, imagino eu, alguém deve ter elogiado a "ginga" africana, quase como a nossa, e despertou neles uma vontade irrefutável de correr pra lá e pra cá, de forma libertária e desconexa com o resto da equipe. Confesso que, se não fosse o fato deles serem "Terceiro Mundo Explorados S.A." como nós, sinceramente preferiria assistir "Seinfield" ao invés da Copa.


Claro que eu não poderia deixar de comentar sobre a melhor seleção do mundo, que, de tanto querer se parecer com os Europeus, resolveu adotar o estilo futebol Enganação deles.
Mas eu tenho um nojo tão grande daqueles filhas-da-puta, inclusive o técnico, o auxiliar-defunto-técnico, e principalmente o presidente da CBF, mafioso de plantão, que prefiro não me estressar pra evitar uma úlcera.

Engraçado como essa coisa de Coronelismo no Brasil é forte e se ramifica em vários estratos da sociedade. Nem o futebol e salva. Ninguém tira o Ricardo Teixera de lá. É o ACM do futebol.

Eu pensava que se o Brasil fosse campeão, ajudaria o Lula a se reeleger, assim como o efeito do Tri para a Ditadura. Mas pensando bem, acho que a derrota gera um argumento positivo para o Lula: ele deixou de ser o cara mais incompetente do Brasil.
Só o Parreira consegue perder uma Copa brochante (futebolisticamente falando) com o time que tinha mais craques.
O Lula agora se tornou o segundo mais incompetente, o segundo mais cobrado, e o segundo mais criticado.

Prefiro não comentar mais nada sobre a COpa.
Ela já acabou: nem Brasil, nem os "hermanos", só sobrou Portugal, do querido gaucho (com aquele jeito engraçado em espanhol de se pronunciar) Felipão. Vou torcer pelo cara, ele usa bigode, admiro isso.
Acho que faltou isso na nossa Seleção Pipoca: um cara de bigode!
Toda Seleção Brasileira Campeã tinha um cara de bigode: em 70 tinha Rivelino, em 94 tinha Ricardo Rocha e o Gilmar, em 2002 tinha o Felipão e Vampeta. 58 e 62 eu nem comento, porque naquela época bigode e chapéu era um hábito institucionalizado (estilo Adoniran Barbosa).

Enfim... acabou minhas pseudo-crônicas sobre a Copa... vou ter que voltar a escrever sobre coisas cotidianas de importância menor, como por exemplo o fato do Caldo Knorr estar cada vez menor. Um indício explícito da crise do capitalismo. Agora eu tenho que usar dois tabletes numa panela de arroz...

Tô brochado.
Viva o verdadeiro futebol. Viva o futebol de várzea. Viva o bigode!

tchau.


PS: além de tudo as putinhas da seleção acabaram com os Bolões de todo mundo... enriquecendo os piores palpiteiros...uahuahuahuahauh

respondendo aos últimos comentários

Sobre a Ucrânia:
eu vejo a seleção da Ucrânia nesta Copa como um jovem recém ingresso na puberdade: tudo é novo e legal. Pra quem passou uns 70 anos jogando pela seleção da URSS, a oportunidade e liberdade de poder representar o próprio país numa Copa já é uma grande satisfação para os ucranianos. Acredito que só da UCrânia ter chegado nas quartas-de-final, já foi tão longe quanto um garoto de 13 anos apalpar o seio de uma mina. Não importa ter chegado "nas finais", o que alcançou foi novidade e, logo, lucro. Sem contar que eles só tinham um craque, o Schevechenko, que, com a síndrome "estrelas em abstinência", como a de Ronaldinho, não fez nada demais.
"nenhum comentário de caráter maligno a ser tecido?"
sr. anônimo, de maligno já basta o tumor que eu tenho no pulmão! uHAuHAuHAuHAuAHuHA!
Tô brincando.
próxima.

sr. Miguel:
Ucrânia, Suíça... times Africanos... esses eu nem comento... é uma mistura bizarra de Pebolim ou movimentos frenéticos, que deifinitivamente negligenciam o Gol, coitado.
Quando eu falo em times Enganação, eu me refiro àqueles que tem tradição e sempre são favoritos. Basicamente aqueles que em futebol de videogame sempre são bons: Itália, Inglaterra, ALemanha, Holanda e etc. Fingem que são bons e arrancam elogios desproporcionais.

Os times Africanos vieram passear na Alemanha. Conhecer museus, teatros, pontos turísticos em geral. No meio disso tudo, descolavam um tempinho pra entrar em campo e correr que nem loucos, trombar com os outros, entregar gols de mão-beijada, e, definitivamente, abrir mão de chutar a bola no meio das três traves. Isso porque, imagino eu, alguém deve ter elogiado a "ginga" africana, quase como a nossa, e despertou neles uma vontade irrefutável de correr pra lá e pra cá, de forma libertária e desconexa com o resto da equipe. Confesso que, se não fosse o fato deles serem "Terceiro Mundo Explorados S.A." como nós, sinceramente preferiria assistir "Seinfield" ao invés da Copa.


Claro que eu não poderia deixar de comentar sobre a melhor seleção do mundo, que, de tanto querer se parecer com os Europeus, resolveu adotar o estilo futebol Enganação deles.
Mas eu tenho um nojo tão grande daqueles filhas-da-puta, inclusive o técnico, o auxiliar-defunto-técnico, e principalmente o presidente da CBF, mafioso de plantão, que prefiro não me estressar pra evitar uma úlcera.

Engraçado como essa coisa de Coronelismo no Brasil é forte e se ramifica em vários estratos da sociedade. Nem o futebol e salva. Ninguém tira o Ricardo Teixera de lá. É o ACM do futebol.

Eu pensava que se o Brasil fosse campeão, ajudaria o Lula a se reeleger, assim como o efeito do Tri para a Ditadura. Mas pensando bem, acho que a derrota gera um argumento positivo para o Lula: ele deixou de ser o cara mais incompetente do Brasil.
Só o Parreira consegue perder uma Copa brochante (futebolisticamente falando) com o time que tinha mais craques.
O Lula agora se tornou o segundo mais incompetente, o segundo mais cobrado, e o segundo mais criticado.

Prefiro não comentar mais nada sobre a COpa.
Ela já acabou: nem Brasil, nem os "hermanos", só sobrou Portugal, do querido gaucho (com aquele jeito engraçado em espanhol de se pronunciar) Felipão. Vou torcer pelo cara, ele usa bigode, admiro isso.
Acho que faltou isso na nossa Seleção Pipoca: um cara de bigode!
Toda Seleção Brasileira Campeã tinha um cara de bigode: em 70 tinha Rivelino, em 94 tinha Ricardo Rocha e o Gilmar, em 2002 tinha o Felipão e Vampeta. 58 e 62 eu nem comento, porque naquela época bigode e chapéu era um hábito institucionalizado (estilo Adoniran Barbosa).

Enfim... acabou minhas pseudo-crônicas sobre a Copa... vou ter que voltar a escrever sobre coisas cotidianas de importância menor, como por exemplo o fato do Caldo Knorr estar cada vez menor. Um indício explícito da crise do capitalismo. Agora eu tenho que usar dois tabletes numa panela de arroz...

Tô brochado.
Viva o verdadeiro futebol. Viva o futebol de várzea. Viva o bigode!

tchau.


PS: além de tudo as putinhas da seleção acabaram com os Bolões de todo mundo... enriquecendo os piores palpiteiros...uahuahuahuahauh

terça-feira, junho 27, 2006

primeiramente, meus parabéns pra mim pelo meu certeiro palpite. 3 x0 na cabeça. Agora só falta dar cachorro, no jogo do bicho, que aí não tem puta triste na cidade! uahuahauahuah
Tô brincando. Só é uma piadinha sem graça.
Falando em sem graça, é com muito pesar que eu, um longínquo descendente de italiano, amante de suas tradições, admito que a Itália é mais uma seleção enganação nessa COpa. Ela completa a Calçada das Enganações junto com futebol-pebolim da Inglaterra e da Alemanha.
Nunca imaginei que um dia algum time Latino faria parte desta lista (não sou preconceituoso, apenas acho que os anglo-saxões têm uma predisposição genética para serem entediantes), mas depois de assistir flashes do segundo tempo, onde o papel da Itália em campo era se defender do "perigoso e com certeza objetivo" ataque australiano, precisei me redimir.
Por sinal, aquele penâlti MILAGROSO, aos 48 do segundo tempo, para Itália, explica porque eles são católicos fervorosos.
No dia que isso acontecer contra a Argentina prometo pendurar no poste aqui de casa uma faixa de Santo Expedito, e me confessar toda semana.
Eu tenho uma relação de amor e ódio com a Argentina.
Eu gosto deles, mas eles são muito arrogantes.
Quando eu tento torcer contra meu pai me lembra que o povo Argentino é gaucho (expressando de um modo espanhol) como nós. Eu tentei evocar meu lado paulistano, mas naquele exato momento eu estava tomando um mate, e por isso foi pela culatra.

Talvez minha identidade com a Argentina pare naquela primeira parte: italianos pobres. A outra parte que pensa que é um inglês rico eu deixo pra lá (até porque eu acho que deixei claro que não gosto muito de ingleses, né?).

Voltando ao Brasil: praquê Bussunda se temos o Ronaldo ? (alguém já fez essa piada?...droga)
Mesmo com aquele peso o cara é craque. E é bom ele continuar fazendo gols porque no meu bolão ele vai ser artilheiro (sei lá, pensei naquela história de "volta por cima" e etc).

Adoro bolão! Ficar contando os pontos, torcendo pra ganhar dinheiro é ótimo. Agora já sei porque os velhinhos protestaram tanto quando fecharam os bingos da cidade.
Eu tenho uma tese pós-moderna de superação desse capitalismo-financeiro-de-mercado-expeculativo, onde as greves, as alianças operário-camponesa e qualquer outra chatice do "Manual Comunista da Revolução - faça sua própria revolução em 5 métodos práticos" são deixadas de lado. O lance é ganhar dinheiro (ou distribuir a renda se você preferir) com apostas, jogos ilegais, richa de galo, rifas e etc. Nada de explorar ninguém. Vamos ganhar dinheiro de modo alternativo ao Trabalho. Eu já estou fazendo minha parte.
Ronaldo artilheiro e Cachorro na cabeça.
Hasta luego!

domingo, junho 25, 2006

Blitzkrieg Bop World Cup 2006

Outro dia eu li uma ótima crítica, de um ótimo designer sobre o símbolo da Copa. Dizia ele que aquelas figuras sorridentes e aquele Leão não tem o menor vínculo com o povo alemão, não representa nada, é só pra agradar turistas, e por isso, como um símbolo, falhou.
Já os organizadores da Copa, dizem que a idéia é melhorar a imagem da Alemanha perante o mundo. Dizem que eles carregam ainda uma culpa pelo judeucídio da Segunda Guerra.
Bom, se eles querem melhorar a imagem deles pro mundo, então comecem mudando aquele idioma de ríspidas consoantes, que o Luís Fernando Verissimo disse que "dizem que o alemão foi a útima língua criada por Deus com as sobras de todas as outras". Isso faz sentido quando cada "bom dia" parece uma repreensão, e cada repreensão parece uma tragédia. "Eu te amo" e "Eu te odeio" são diferenciadas apenas pelo modo como você agarra a pessoa: pelos braços ou pelo pescoço, respectivamente.
Nada contra os alemães e contra aquele futebolzinho enganação deles, mas fazer um símbolo de carinhas sorridentes para representar um alemão, é tão verdadeiro quanto àquela nota de 3 reais que recebi de troco no ônibus.
Se o povo alemão é um povo alegre, nós brasileiros respiramos gás hélio.

Por sinal, que me perdoem os brasileiros com mania de odiar os argentinos, mas em Alemanha X Argentina sou porteño desde pequenininho. Eu até acho aqueles cabeludos, italianos pobres que pensam ser ingleses ricos, um tanto arrogantes ("ponham-se de pé, a Argentina está passando" é um adesivão no ônibus deles), mas pelo menos o futebol argentino é um tanto mais evoluído e merecedor de uma semifinal do que o estilo Pebolim anglo-saxão. E também porque no final das contas "Soy Latino" antes de tudo. Pra falar a verdade anseio por uma final Brasil X Argentina, onde seríamos campeõs numa partida histórica. E além de 11 de setembro, astronauta brasileiro, reeleição de operário, teria mais este fato histórico pra contar pros meus netos.

Eu queria comentar alguma coisa sobre o batalha campal entre Portugal x Holanda, sobre a parte que eles não entenderam que futebol não é "Damas", e portanto o objetivo é fazer gol e não eliminar cada integrante adversário. Mas eu não vi a partida, só soube do fato.

Enfim, boa sorte pros alemães contra nossos "hermanitos del fundo de nossotros coraciones", boa sorte com a reunificação, com a imagem deles lá fora, e com suas mulheres grandes e grossas.
Terça tem duelo do apartheid social: Brasil x Gana. 3 x 0 Brasil, fora o baile.

terça-feira, junho 20, 2006

o deslexo e o futebol

Sempre desconfiei que eu era meio deslexo. Quando criança costumava chamar "Pacaembu" de "Capaembu". Crescido já não troco "B" por "P", nem esquerda com direita (com exceção nas eleições), mas, vira e volta, penso que tenho um tipo de deslexia sazonal em doses homeopáticas. Digo isso porque eu tenho uma capacidade incrível de ser desastrado. Por isso eu não dirijo. Nem tirei carta. Me ausentar do volante é prestar um serviço público de segurança (pra falar a verdade não dirijo porque tenho preguiça, gosto da comodidade da carona, bebo legal na balada, e também é uma nota preta que nunca pára na minha mão).
Depois de um feriadão de jogos universitários e uma distração de bêbado (derramei um pouco de cerveja dentro da barraca, que depois de um tempo deixou umcheiro de vinho barato enjoativo), achei justo lavar a barraca que a minha maninha emprestou.
Acontece que pra lavar uma barraca no quintal, eu fiz uma lambaça, um derrama-de-lá-pra-cá muito parecida com aquela vez que eu resolvi fazer pão-de-queijo.
Quando eu era menor eu adorava lavar o quintal, porque a água com sabão deixava as lajotas lisas o suficiente pra escorregar e ensair uns "moon-walk". Mas quando você tem idade o suficiente pra ter vergonha de assumir que gosta do Michael Jackson, lavar o quintal é apenas uma atividade de transferência de sujeira do objeto que está sendo lavado pra o resto do quintal.
Não entendo porque eu sem querer molho a roupa que estava secando, esbarro numa planta pendurada e deixo a água suja escorrer pro lado contrário do ralo.
Sorte minha que alguém inventou o box do chuveiro, porque senão tomar banho seria pra mim um paradoxo de limpeza e sujeira infindável.

Fora isso, continuo em busca do "gás perfeito". Aquele gás que eu tenho pra jogar bola e sair à noite que me falta na hora de fazer um portfólio e procurar um emprego.

Outro dia eu estava pensando que se o mundo fosse um lugar democrático, o Terceiro Mundo seria o Primeiro. Isso porque a FIFA tem mais seleções filiadas do que países à ONU. Ou seja, a maioria. E quem apita no futebol é o Terceiro Mundo. E o mais engraçado é que países como a França tem um time praticamente de terceiro-mundistas naturalizados. Casos muito comuns no resto da Europa. Quer dizer, além do Brasil e Argentina serem favoritos, Portugal tem um técnico brasileiro, Japão tem um técnico brasileiro, a França só tem estrangeiro e ainda tem um negão no time da Alemanha.
É como o Coliseu na Roma Antiga: a aristocracia se divertindo com a ralé (só que com menos leões, é claro).
Se bem que jogador de futebol depois de famoso é tão ralé quanto o tataraneto do Bill Gates. Seus salários gastronômicos-astronômicos-persuasivos condenam minha consciência que me fez escutar os conselhos do meu pai e "continuar estudando". Assistir atacantes que usam mais a canela que o drible, mais a força do que a ginga, soa como o motor de uma Harley para um paraplégico em acidente de moto. UAHUahUahUahuAHu... tô brincando, que maldade. Inveja mata. Vou continuar estudando pra conseguir um bom emprego, pra possuir um bom dinheiro, pra enriquecer o suficiente e comprar um time de futebol inteiro pra mim e me escalar como capitão-estrela-marcador-oficial-de-gols.
Ou então volto a jogar botão.


PS: quando eu assisto ao futebol Europeu eu começo a acreditar que na verdade o pebolim veio antes do futebol, e não o contrário. Porque na Europa não tem essa de driblar, e de partir pra cima, ou inverntar algo na hora; o lance dos caras é recrutar jogador de futebol em quartel militar, explicar a imaculada tática e finalizar com um: "não se preocupe em entediar o RAfa, apenas, e somente apenas, faça aquilo que foi orientado." Acho que lá chapéu dá cadeia.

quinta-feira, junho 08, 2006

um esboço de um princípio de um curta...

Depois de um ano de terapia, consegui admitir que realmente eu precisava de terapia.

Depois de dois anos de terapia, compreendi que minha consciência era muito rígida e me cobrava demais.

Depois de três anos de terapia, percebi que a minha consciência, na verdade, representava meu pai.

Depois de quatro anos de terapia, ficou claro que o meu pai era o principal causador das minhas insegurança e frustrações.

Depois de cinco anos de terapia e, praticamente, financiar um Gol um ponto zero, quatro portas, para o meu terapeuta, descobri que, para calar o meu pai dentro de mim, eu na verdade, só precisava apenas de duas taças, duas taças de um vinho vagabundo para se livrar do meu pai.

sexta-feira, maio 26, 2006

e aquela vontade de trabalhar

Outro dia, pensando nas minhas chances reais de conseguir um emprego minimamente satisfatório (na medida em que um emprego CONSIGA ser satisfatório) eu perguntei a um amigo meu, se aprender a mexer num tal programa de computador era difícil – já que eu não tenho grana nem paciência pra fazer esses cursos desses programas. Ele me respondeu que não é difícil mas “tem que dar um gás” pra aprender sozinho.

Eu tava pensando nessa coisa de “dar um gás”. Porque afinal de contas, a não ser que eu tenha levado muito a sério o “American Way of Life”, se a gente se esforçar bastante parece que a gente “conquista” aquelas coisas que a gente deseja. E logo agora na era da informação, da comunicação relâmpago, da Internet e interatividade, fica mais difícil arranjar uma desculpa pra ser um ignorante.

Pois é justamente este o meu ponto. Sabe-se lá porquê, eu não nasci com aquela gana inicial de ir atrás das coisas, de fazer uma “correria”, e “dar um gás” pra aprender aquela coisa que no futuro vai te abrir portas pra outras coisas, que enfim, vão te levar a realizações e satisfação plena.

Um amigo meu disse uma coisa para outro amigo nosso que eu acho que se encaixa bem para mim: se eu me dedicasse à alguma coisa na vida com tanto empenho quanto eu me dedico ao futebol, provavelmente eu seria um cara bem sucedido.

Talvez todo o meu “gás” inicial tenha sido gasto no futebol. Porque, convenhamos, treinar futebol de campo, à 1h da manhã, 14º graus, chovendo, tem o seu valor.

Pois então, meu empenho vai até aí. Depois é só estilo Garfield de viver.

Talvez eu seja apenas mais um acomodado, comedor de bolinhas, cara-de-pau mesmo.

Aos críticos de plantão, lembrem-se que meu querido Kerouac, com toda sua energia criativa, aventureira, de buscas e insurgências, morreu morando na casa da mãe com seus 40 e poucos anos. Incluindo caminha arrumada, jantar na mesa e etc. Pelo menos aqui em casa sou eu que lavo minha roupa.

Eu procuro um salário, não procuro serviço.

Desde que tenha pausas pra bolachinhas, cafezinhos, fofoquinhas, e uma poltrona macia, que realmente faz uma diferença, estou aceitando qualquer coisa. Só não estou PROCURANDO qualquer coisa. Uahuahauhauhahua. Se a “qualquer coisa” bater na porta de casa, sob aquelas condições acima, acho que aceito, mas não que eu procure ela.

A ideologia capitalista realmente é forte, e vai além do “ter para ser”. De fato, se sentir um vagabundo é se sentir mal. Mesmo que você se sinta um inútil no seu trampo, um mal utilizado funcionário, ou até quem sabe um propagador de uma ideologia que no final oprime você mesmo, ainda sim é menos pior que se sentir um vagabundo.

Pois é. Estou de consciência pesada. Vou pensar a respeito disso enquanto como uma lasanha e vejo se tem alguma coisa na TV.

segunda-feira, maio 15, 2006

um relato e um relatório

Sabe que eu fico feliz pelas pessoas que perguntaram sobre as minhas pseudo-crônicas, e pediram pra eu voltar, porque eu percebi que, de fato, EU acho engraçado as coisas que eu escrevo. Desculpe se eu não fui humilde, mas é que o meu humor é a minha cara. Eu rio de mim mesmo. E mesmo que às vezes os anônimos me desistimulem, agora é tarde, porque estou convencido, em minha desvairada vaidade kerouacniana, que tem tanta porcaria publicada por aí, que então minhas pseudo-crônicas são fichinhas.

Semana passada tive que faltar à faculdade pois fui ver uma palestra que dizia discutir a Propaganda Social. Quando fui jsutificar minha falta à minha professora querida, ela disse que "tudo bem" que ela "também queria ter visto", por isso fiz esse relatório pra ela:

Tio Patinhas vai pro Céu
Prometi à mim mesmo que não perderia mais o meu tempo assistindo palestras de publicitários. Depois de ver e ouvir, no 8º Top de Criação Publicitária, aplausos e expressões como "genial!" para um dos anúnios mais machistas que já vi na minha vida, percebi que essas palestras apenas reunem publicitários com o egos maiores que o auditório, e um auditório com uma capacidade crítica menor que a humildade destes publicitários "geniais".
Mas quando recebi um convite sobre a Propaganda e a Cultura de Paz, com um debate sobre a importância da propaganda social, imaginei que esta valeria à pena, quando a discussão fosse a função social da Propaganda, e como trabalhar com esta filosofia.
O auditório do MIS estava cheio, havia o Olivetto, câmeras, máquinas fotográficas, e um público menos jovem do que esperava. Com um atraso habitual tupiniquim, do qual não critíco porque compartilho do hábito, uma representante do IPAZ fez uma interessante introdução ao debate. Questionou a propaganda e sugeriu que, se a Publicidade atinge em média 80% da população mundial, se a Publicidade consegue incutir vontades e desejos (ou pelo menos despertar estes desejos), deveríamos reinventar a Propaganda, para disseminar a Cultura de Paz, incutir valores de PAz, além de valores consumistas, e utilizar a mídia como um veículo de transformação social.
Depois desta espetada, convidou 3 representantes da Mìdia, onde em frustrantes 10 minutos, cada um disse, do seu modo, que a Paz era uma sensação boa e necessária, e comentou algo de sua própria atuação em relação ao 3º setor: a Rádio Eldorado com suas campanhas de cidadania, a Rede Record reformando praças ou algo assim, e um interessante jornalista que criou uma revista para divulgar os trabalhos de ONGs e fundações no 3º setor.
Função social da Publicidade? Poderia ter sido agora quando subiram ao palco Olivetto, o Luis Lara e Paulo Zoega da QG. MAs não. O Olivetto com seu carisma e pressa, foi o primeiro a falar. Comentou que sempre achou importante as propagandas para entidades sociais, desde o começo de sua carreira já tinha esta postura, elogiou a geração de publicitários passada, mostrou um vídeo seu premiado sobre o preconceito contra trabalhadores com mais de 40 anos, comoveu as pessoas, recebeu aplausos, agradeceu e foi embora. Anotei sua frase que para criarmos uma linguagem internacional devemos ser o mais local possível. E ainda que as campanhas sociais devem ter propostas paupáveis, que com a propaganda possam de fato criar algum efeito, produzir alguma coisa, e não ser apenas um "bonitinho vídeo comovente e passageiro". Lembrou que a Responsabilidade Social das Empresas era para ganhar dinheiro e fazer uma imagem boa com os consumidores.
Tchau Olivetto, foi um prazer te ver de perto e reparar como você parece o Denny DeVitto. Aí começou o Luís Lara. Vou resumir o blá blá blá dele, que por sinal era um discurso muito semelhante com o de um político: não basta a marca focar apenas o funcional e o emocional, deve ir além, chegar num campo filosófico. A identificação do consumidor com a marca deve ser muito mais forte que apenas no campo emocional. Este é o século da Gestão de Marcas, onde o consumidor deverá escolher sua marca em relação ao compromisso social dela, e que a Publicidade deve introduzir os valores da Responsabilidade Social nas marcas. Devemos "ganhar dinheiro fazendo responsabilidade social". Uma frase um tanto contraditória para o sistema capitalista, a não ser que eu esteja levando muito a sério o marxismo.
Luis Lara defendia a Natura e o Banco Real como exemplos de responsabilidade social, quase como se fosse um membro destas empresas. Uma ragasção de seda enjoativa, um discursinho mole onde dizia nas entrelinhas: a Natura e o Banco Real têm, em seus valores como empresa, a solidariedade, a Paz, e o desenvolvimento sustentável. "São valores deles, não foi a Lew, Lara que disse para eles serem assim". Ok, LUis, eu acredito. O tímido moço da QG, um tanto sem jeito, complementou a fala do Luis, exemplificou sua agência que não trabalha com Álcool e Cigarros (interessante), e disse que, usando o exemplo dos anúncios da FININVEST - se prepara - " a propaganda ajuda a criar critérios e informações que ajudam os espectadores". Poxa, esse deveria ser um papel social interessante da Publicidade, mas por favor, está longe de acontecer. Ainda mais ele que mostrou este anúncio que a QG fez (olha o mau gosto!): http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=20448
Quando tudo parecia ser aquela velha conversinha de publicitários bem-sucedidos, do nada, aparece ao palco Stephen Kinitz, que mesmo com um discurso meio neo-liberal, fez uma crítica dura e direta à Natura e ao Banco Real, dizendo que estas empresas, com suas próprias fundações, acabaram com o 3º setor. Além de criticar o Estado por cobrar altos impostos e não devovler à população, com um bom-humor e de modo mais coloquial, explicou que as Empresas grandes nunca tratam de assuntos "cabeludos", como prostituição infantil, abuso sexual dentro de casa, e etc. Lembrou que as fundações das próprias empresas são apenas mais uma forma de melhorar a imagem das próprias, com o intuito mais comercial ( em aumentar suas vendas) do que social. E com isso, atrapalhou e concorreu com a busca por recursos com entidades "100% sociais" como a AACD, a APAE e etc.
Os publicitários ficaram numa saia-justa, houve uma discussão civilizadíssima e promessa de novas discussões. A platéia reforçou à críticas aos anúncios e às empresas (que não expoem negros e outras minorias em seus comerciais e que de fato, seus interesses são puramente comerciais).
Para encerrar, um tal de Eino Feijó, politicamente correto, não tomou partido e apenas disse que debates como esse enobrecem as pessoas, e vão ajudar a construir um país melhor e qualquer blá blá blá parecido.
Para quem já fazia caricaturas em seu caderno ao invés de anotar a rasgação de seda dos publicitários, até que este final de discussão, saia-justa, e, vamos ser francos, o tirar a máscara de "somos uma empresa boazinha" foi interessante. Aprendi um pouco sobre ONGs e seus trabalhos no 3º setor. Aprendi que publicitários bem-sucedidos continuam sendo publicitários bem-sucedidos, e que ser publicitário é propagandear os seus clientes mesmo que pessoalmente, mesmo numa palestra, não importa aonde.
E espero que a função social da Publicidade não se resuma a defender um banco que refloresta um pé de eucalipto enquanto obtém um dos maiores lucros líquidos do país, o mesmo com uma desigualdade social gritante.

sexta-feira, maio 12, 2006

mo-morte...!

Detesto falar de morte. Ainda mais quando estou gripado, com quase 40 graus de febre e já não sinto mais as minhas pernas. Mas a morte é a única coisa que eu temo. Não que eu tenha medo de morrer de fato. Mas é porque passar dessa pra uma melhor é a certeza que temos nessa vida. È exatamente esse o meu ponto. Eu temo a morte porque ela é a única CERTEZA que tenho, então imagina se ela me surpreender e resolver não me matar??? Será A MAIOR FRUSTRAÇÃO da história da minha vida!! Já basta minhas frustrações amorosas na adolescência, minhas frustrações futebolísticas profissionais, imagine se eu não morrer, serei eternamente um frustrado, sendo matematicamente impossível de eu superar isso no psicólogo. Tenho dito.



PS: gente, olha, eu gosto de escrever pequenos contos que não necessariamente condizem com a minha realidade, tá? A verdade é que eu não estou gripado e nem de febre, aliás, faz muito tempo que eu não fico. Eu realmente temo a morte e o fim da minha pequena Sodoma&Gomorra. Nâo tive tantas frustrações na vida. E mesmo se tivesse não as contaria. A não ser que vocês pagassem bem por estas informações. Aí sim, quem sabe, a gente pensa numa "auto-biografa pseudo-não-autorizada". Me liguem. Em época de crise fazemos qualquer negócio.