quando você pensa que segunda-feira de manhã, a caminho do serviço, é o pior momento para se estar consciente da vida, chega teu chefe, às 17h50 na SEXTA e te pede pra vir no sábado trabalhar. realmente, sábado de manhã, a caminho do serviço, consegue ser o pior momento para se estar conciente da vida.
se o Allan Sieber não tivesse feito aquele quadrinho "vida de estagiário" eu descorreria todo um diário aqui das peripécias emocionantes de ser um estagiário, ou, como eu prefiro, auxiliar de tarefas que não precisam ser feitas.
patrão: "precisa pintar a parede?"
qualquer pessoa da firma que com certeza você é subordinado: "acho que não, pintamos ano passado, a aparência ainda está conservada"
patrão: "então chama o estagiário e pede pra trazer o rolinho de espuma"
é mais ou menos assim.
pessoas interessantes x pessoas desinteressantes (ou 'normais', no eufemismo nosso-de-cada-dia), round 2:
outro dia revi um amigo, do tempo de colegial, que tinha acabado de voltar do Machu Picchu, passando pela Bolívia e Argentina.
meu professor e amigo já morou em três estados diferentes e ele ainda nem tem trinta anos.
meu pai, 'na minha idade', fazia qualquer coisa mais interessante que escrever pseudo-crônicas.
pessoas interessantes. ponto.
se os estados do brasil que você já conheceu (não vale passar só pela rodoviária) limitam-se aos dedos de uma mão só, você é desinteressante.
se o único estrangeiro que você já chegou mais perto, foi quando criança numa festinha com o Ronald McDonald, você é desinteressante.
se você não sabe tocar nenhum instrumento (ou sabe mais de um, mas nenhum bem), você é desinteressante.
se você tem só uma boa história pra contar pros amigos, mas o sujeito principal é aquele seu tio alcoólatra, você é desinteressante. teu tio não.
e se você é desinteressante, então, bem, junte-se à mim, estarei sentado num bar próximo falando mal das pessoas interessantes com suas vidas interessantes. até porque, 'eles', os interessantes, sempre estão fazendo alguma coisa nova, então nosso assunto nunca se esgota.
Deus salve os interessantes, que servem (como se não bastasse!) pra eu me ocupar de alguma coisa na vida.
outro dia me perguntaram, com os olhos brilhando: "nossa, você sabe cozinhar?"
detesto decepcionar as pessoas, mas mentir é coisa de criança; "bem, eu sei fritar um ovo, fazer um arroz". olhos opacos: "ah tá..."
à milanesa, parmeggiana, putanesca... bah... quem dera.
outro dia tentei fazer uma cebola empanada, mas coloquei muita farinha, e nem cortei a cebola muito fina. resultado, virou uma rosquinha de cebola com uma camada tão espessa empanada quem nem conseguiu fritar a cebola, que com seu caráter cru, gerou um certo desentendimento com meu sistema digestivo. tive uma conversa séria com o troninho.
e pra finalizar, porque sou muito ocupado pensando em alguma coisa interessante pra fazer, venho por meio desta frisar que, não, eu não tapeio feinhas, o escuro que me tapeia (pra sorte delas) e o álcool tapeia meu superego regulador de bons modos e pudor.
e é muito mais legal ficar do lado de uma feinha pra se sentir bonito, do que de uma mina interessante e ficar bodiado ouvindo suas histórias de viagens, piratas e tesouros, e uma foto com o Mickey Mouse. Odeio o Mickey Mouse!
se inveja matasse, o mundo seria um marasmo.
sábado, outubro 28, 2006
terça-feira, outubro 24, 2006
eu já comentei aqui, que a idéia desse blog (ai que vergonha!) era pra colocar minhas teses e não pra fuxicar sobre beber cerveja, resmungar do trabalho e aprontar no samba? (se bem que eu poupo bastante vocês).
pois é... quando menos eu leio, menos eu penso e menos teses eu faço. e quanto mais eu trabalho, menos eu leio. logo: .
enfim. primeiramente, meus sinceros cumprimentos ao Freud que é muito mais subversivo que MArx. E vejam que este é um comentário de um leitor que nunca leu nenhuma obra inteira de nehum dos dois! hahahahahaha.... só li o Manifesto do Partido Comunista, mas nem achei graça. Já disse que entre os comunistinhas meu predileto é Lafargue, pela sua condição trabalhista pós-moderna; e Sartre, que eu tenho certeza que por algum motivo, quando eu lê-lo, vou gostar dele.
pois bem. Muito do que disse MArx faz bastante sentido até hoje. ok, mérito do homi. agora, Freud, chutou o pau e incendiou a barraca. enquanto você se olha no espelho e tentar se identificar conforme sua classe, muitas angústias surgirão e pouco você conseguirá entender. agora, se freudianamente você se compreender como um neurótico, como condição ontológica do ser, tudo faz muito mais sentido. aceite sua neurose, permita teus pensamentos insuportáveis, reconheça sua fragilidade no teu equilíbrio psico-emocional. procure um psicólogo, em outras palavras.
outro dia eu conheci uma pessoa bem interessante. você até pode dizer: "que bom! uma pessoa interessante, no meio desse mar de marasmo, no festival do senso comum".
não, não é nada interessante, conhecer alguém interessante. simplesmente porque eu me senti um completo desinteressante do seu lado.
meu monólogo:
- ah, que legal você faz isso? não, nunca fiz...
- sério? e você não ficou com medo... nossa...
- não acredito... sempre quis conhecer ele... como é que ele é?
- um dia vou fazer isso também... só estou esperando a hora certa...
pois é. tem gente incrível, que nasce com uma capacidade perspicaz de compreender o modo como a sociedade se organiza, e como há as ideologias de classe submetem as outras. tem outros, que com o mesmo talento, identificam um caráter neurótico, como pressuposto natural (isso sem falar do inconsciente, que já é demais pra minha cabecinha).
daí no campo do seres humanos 'normais' sobram aqueles, que, sabe-se lá como, desenvolveram, geralmente desde a infância, uma série de atividades legais, extremamente legais, que os tornam hoje super interessantes: pró-ativos, multi-culturais, habilidosos e talentosos na produção de alguma coisa.
por outro lado, vem caras como eu, puxando o bonde da simpricidade, do é que é feito de "coração", e bem, depois de duas horas de conversas num bar, percebe que acabaram suas histórias interessantes, sendo que metade delas são sobre seus amigos, e a outra metade (as suas) tem um leve exagero nas emoções.
ok. não sintam pena de mim. tem dois engradados de Itaipava na geladeira. sintam pena da feinha que eu vou enganar...
hahahahahahahahahahhahahahah
:(
eu sou sem graça.
pois é... quando menos eu leio, menos eu penso e menos teses eu faço. e quanto mais eu trabalho, menos eu leio. logo: .
enfim. primeiramente, meus sinceros cumprimentos ao Freud que é muito mais subversivo que MArx. E vejam que este é um comentário de um leitor que nunca leu nenhuma obra inteira de nehum dos dois! hahahahahaha.... só li o Manifesto do Partido Comunista, mas nem achei graça. Já disse que entre os comunistinhas meu predileto é Lafargue, pela sua condição trabalhista pós-moderna; e Sartre, que eu tenho certeza que por algum motivo, quando eu lê-lo, vou gostar dele.
pois bem. Muito do que disse MArx faz bastante sentido até hoje. ok, mérito do homi. agora, Freud, chutou o pau e incendiou a barraca. enquanto você se olha no espelho e tentar se identificar conforme sua classe, muitas angústias surgirão e pouco você conseguirá entender. agora, se freudianamente você se compreender como um neurótico, como condição ontológica do ser, tudo faz muito mais sentido. aceite sua neurose, permita teus pensamentos insuportáveis, reconheça sua fragilidade no teu equilíbrio psico-emocional. procure um psicólogo, em outras palavras.
outro dia eu conheci uma pessoa bem interessante. você até pode dizer: "que bom! uma pessoa interessante, no meio desse mar de marasmo, no festival do senso comum".
não, não é nada interessante, conhecer alguém interessante. simplesmente porque eu me senti um completo desinteressante do seu lado.
meu monólogo:
- ah, que legal você faz isso? não, nunca fiz...
- sério? e você não ficou com medo... nossa...
- não acredito... sempre quis conhecer ele... como é que ele é?
- um dia vou fazer isso também... só estou esperando a hora certa...
pois é. tem gente incrível, que nasce com uma capacidade perspicaz de compreender o modo como a sociedade se organiza, e como há as ideologias de classe submetem as outras. tem outros, que com o mesmo talento, identificam um caráter neurótico, como pressuposto natural (isso sem falar do inconsciente, que já é demais pra minha cabecinha).
daí no campo do seres humanos 'normais' sobram aqueles, que, sabe-se lá como, desenvolveram, geralmente desde a infância, uma série de atividades legais, extremamente legais, que os tornam hoje super interessantes: pró-ativos, multi-culturais, habilidosos e talentosos na produção de alguma coisa.
por outro lado, vem caras como eu, puxando o bonde da simpricidade, do é que é feito de "coração", e bem, depois de duas horas de conversas num bar, percebe que acabaram suas histórias interessantes, sendo que metade delas são sobre seus amigos, e a outra metade (as suas) tem um leve exagero nas emoções.
ok. não sintam pena de mim. tem dois engradados de Itaipava na geladeira. sintam pena da feinha que eu vou enganar...
hahahahahahahahahahhahahahah
:(
eu sou sem graça.
domingo, outubro 15, 2006
Respondendo aos comentários últimos
1- olha, ser o cara da "conversa-mole-pedinte-pedante" não foi a coisa mais agrádavel que já disseram sobre minha pessoa, porém, relevo, e compartilho da tua postura ambiciosa de obter o mínimo necessário para beber no final do mês. ah, e os meninos do farol não são desnutridos e remelentos, são profissionais. uns, perto aqui de casa, deixam uma sacola com os tênis deles encostado/escondido junto do muro, e vestem uma sandália pra parecer mais necessitado. é puro circo, tem até figurino.
2- porque eu não adoto o look Fidel? primeiro, para não me confundirem com comunista. segundo, porque a idéia de aparentar oitenta anos e supostas doenças não combinam muito com minhas camisetas coloridas cheias de vida.
3- querida, dia das crianças não existe mais pra mim, desde aquela vez em que eu roubei os "comandos em ação" do meu priminho, só de inveja, porque minha mãe achava que com "treze anos eu já estava muito grandinho pra essas coisas". (toda vez que eu disser "meu priminho" estou mentindo, porque eu não tenho primos menores, na verdade surgiu um há uns quatro anos atrás, mas mora em outro Estado, portanto só reproduzo uma idéia generalizada de uma família-cotidiana-comum, com priminhos pentelhos, tias alcoólatras, avós precoces e ex-presidiário cunhado de alguém)
no dia doze eu só ganhei mais uns dígitos vermelhos depois do cheque que eu dei no samba. nada digno de uma pseudo-crônica, talvez as gringas com seu visual "eu corto meu próprio cabelo" que me fez pensar, de início, que eram um casal sapata, mas depois que eu vi que elas sambavam com o mesmo critério da história do cabelo, vi que eram de fora e que portanto "elas são assim mesmo..."
4- querida Mira, não, não sou míope ainda. no meio da esculhambação falta-me um óculos discreto, nem do tipo "ora-por-favor" muito menos do tipo "godard no cinusp é bárbaro", para aparentar o mínimo de cultura que minhas camisetas manchadas de qualquer coisa fazem questão de negar. a idéia do distúrbio é muito boa. primeiro me apeguei ao meu distúrbio bipolar, depois que eu vi que era moda, abandonei, e fiquei só com minha pseudo-epilepsia-laborial, que insiste em me atacar em momentos próximos à atividade operária. me disseram que o modo como eu me relaciono com meu ego é uma espécie de distúrbio, mas sei que isso é ciúmes, daí saí com ele pra jantar, peguei um cinema e me esqueci.
5- pode ser. talvez pintar algo bem banal reforce a produção sígnica-insignificante (godard é bárbaro no cinusp) que permeia e conduz nossos prognósticos. vou pintar um "Nissin Cup Noodles", isopor sabor camarão sobre tela. obrigado pelo incentivo.
6- pós-moderno demais pra minha mentalidade humilde do campo. próxima.
7- a idéia era competir com o blog do Kfouri, e estabelecer uma média de cem, cento e cinquenta recados pra poder postar outra coisa. hoje em dia dei uma guinada literária onde eu foco no microambiente, e a partir de um "bom dia" do porteiro eu acho que já posso escrever outra pseudo-crônica.
8- sou péssimo com números. já me perdi nos primeiros trezes. mas obrigado pela informação inútil (o que é contraditório). fui perceber que era sexta-feira treze lá pelas sete da tarde, e nem me sensibilizei. como dizia Verissimo, o filho: "mau presságio. não sou supersticioso, apenas espalho amuletos pelo meu corpo pra afastar o mau-olhado."
espero ter respondido tudo certinho que eu faço muita questão.
o feriadão já está acabando e eu percebi que eu não sou muito criativo; acumulei muita cerveja, samba e dívida. minha única tentativa de estabelecer algum diálogo mais profundo, foi sobre política com uma petista, que me resumiu como um "lúmpen com discurso pequeno-burguês".
eu disse que eu conhecia uns comunistinhas... se eu ganhasse um real pra cada vez que alguém me chamasse de lúmpen ou discursor pequeno-burguês, eu compraria um Pegout, turbinado e insulfilmado e daria um altíssimo cavalinho-de-pau às três da manhã na porta da casa dessas pessoas só pra confirmar que de fato eu sou um lúmpen com discurso pequeno-burguês.
2- porque eu não adoto o look Fidel? primeiro, para não me confundirem com comunista. segundo, porque a idéia de aparentar oitenta anos e supostas doenças não combinam muito com minhas camisetas coloridas cheias de vida.
3- querida, dia das crianças não existe mais pra mim, desde aquela vez em que eu roubei os "comandos em ação" do meu priminho, só de inveja, porque minha mãe achava que com "treze anos eu já estava muito grandinho pra essas coisas". (toda vez que eu disser "meu priminho" estou mentindo, porque eu não tenho primos menores, na verdade surgiu um há uns quatro anos atrás, mas mora em outro Estado, portanto só reproduzo uma idéia generalizada de uma família-cotidiana-comum, com priminhos pentelhos, tias alcoólatras, avós precoces e ex-presidiário cunhado de alguém)
no dia doze eu só ganhei mais uns dígitos vermelhos depois do cheque que eu dei no samba. nada digno de uma pseudo-crônica, talvez as gringas com seu visual "eu corto meu próprio cabelo" que me fez pensar, de início, que eram um casal sapata, mas depois que eu vi que elas sambavam com o mesmo critério da história do cabelo, vi que eram de fora e que portanto "elas são assim mesmo..."
4- querida Mira, não, não sou míope ainda. no meio da esculhambação falta-me um óculos discreto, nem do tipo "ora-por-favor" muito menos do tipo "godard no cinusp é bárbaro", para aparentar o mínimo de cultura que minhas camisetas manchadas de qualquer coisa fazem questão de negar. a idéia do distúrbio é muito boa. primeiro me apeguei ao meu distúrbio bipolar, depois que eu vi que era moda, abandonei, e fiquei só com minha pseudo-epilepsia-laborial, que insiste em me atacar em momentos próximos à atividade operária. me disseram que o modo como eu me relaciono com meu ego é uma espécie de distúrbio, mas sei que isso é ciúmes, daí saí com ele pra jantar, peguei um cinema e me esqueci.
5- pode ser. talvez pintar algo bem banal reforce a produção sígnica-insignificante (godard é bárbaro no cinusp) que permeia e conduz nossos prognósticos. vou pintar um "Nissin Cup Noodles", isopor sabor camarão sobre tela. obrigado pelo incentivo.
6- pós-moderno demais pra minha mentalidade humilde do campo. próxima.
7- a idéia era competir com o blog do Kfouri, e estabelecer uma média de cem, cento e cinquenta recados pra poder postar outra coisa. hoje em dia dei uma guinada literária onde eu foco no microambiente, e a partir de um "bom dia" do porteiro eu acho que já posso escrever outra pseudo-crônica.
8- sou péssimo com números. já me perdi nos primeiros trezes. mas obrigado pela informação inútil (o que é contraditório). fui perceber que era sexta-feira treze lá pelas sete da tarde, e nem me sensibilizei. como dizia Verissimo, o filho: "mau presságio. não sou supersticioso, apenas espalho amuletos pelo meu corpo pra afastar o mau-olhado."
espero ter respondido tudo certinho que eu faço muita questão.
o feriadão já está acabando e eu percebi que eu não sou muito criativo; acumulei muita cerveja, samba e dívida. minha única tentativa de estabelecer algum diálogo mais profundo, foi sobre política com uma petista, que me resumiu como um "lúmpen com discurso pequeno-burguês".
eu disse que eu conhecia uns comunistinhas... se eu ganhasse um real pra cada vez que alguém me chamasse de lúmpen ou discursor pequeno-burguês, eu compraria um Pegout, turbinado e insulfilmado e daria um altíssimo cavalinho-de-pau às três da manhã na porta da casa dessas pessoas só pra confirmar que de fato eu sou um lúmpen com discurso pequeno-burguês.
segunda-feira, outubro 09, 2006
Depois da minha tentativa frustrada de ser artista (alguém me avisou que pra ser artista, tem que, pelo menos, saber quais são as cores primárias, e na hora não tinha nenhum computador conectado no google pra eu poder perguntar), resolvi me assumir naquilo que faço de melhor: ser um belo vagabundo. criaturas-bon-vivant, como já dizia um amigo. e da pior raça, como diria Bornhausen: vagabundo petista.
Depois do debate de ontem, assistir aquela cara nojenta do Alckmin, representando toda aquela elite branca paulista, burguesinho-quero-ir-a-miami, que chamando o garçom pelo nome acredita superar quinhentos anos de exclusão social (parafraseando Antonio Prata), me obrigou a votar no Lula só pra ele não ganhar. gosto muito de SãoPaulo mas aqui se cultivou um povinho meio europeu, meio conservador do interior leitor de veja que é nojento.
A gota d'água foi dizer que a Bolívia humilhou o Brasil, e o Lula foi bastante sensível dizendo que os caras são miseráveis e o único patrimônio deles é o gás. isso me tocou. sou um eleitor emocional, compro meus produtos conforme sua capacidade de atingir o campo filosófico-emocional. isso é puro "top of mind", branding... e outros blá blá blá em inglês da publicidade.
não tenho nada a comentar sobre a capa da época e da veja dessa semana. muito menos sobre seus leitores.
ando repetitivo... nada de novo... já falei que, depois da bomba atômica, trabalhar é a coisa mais estúpida do século XX?
ou eu começo a decorar as cores primárias ou eu aprendo a fazer malabarismo em farol.
como eu tenho mais memória do que coordenação, vou dar um talento naquela cortina velha na minha última tentativa de me tornar um artista.
(tudo isso não passa de obra ficcional, de um brilho eterno de uma mente leviana, plagiadora,
viciada em mate, que definitivamente não tem nada mais interessante pra fazer. até porque quem me dizia isso "você não tem mais nada interessante pra fazer" são exatamente aqueles que acham "interessante" trabalhar)
achei o VHS de Twin Picks por um real. adoro uma barganha. e uma fofoca também!
então se souberem de fofocas e barganhas me contem:
rafael_o_mentiroso@paroquiadalorota.net.pum
antes que eu me esqueça: fora Alckimin, Discman, Ipod e qualquer coisa que substitua a vitrola. viva o Lula e o saudosismo revolucionário.
PS: estou deixando a barba crescer, e aqueles boatos sobre o câncer terminal do interminável titio Fidel é pura intriga da oposição (daquela que conseguiu sobreviver).
Depois do debate de ontem, assistir aquela cara nojenta do Alckmin, representando toda aquela elite branca paulista, burguesinho-quero-ir-a-miami, que chamando o garçom pelo nome acredita superar quinhentos anos de exclusão social (parafraseando Antonio Prata), me obrigou a votar no Lula só pra ele não ganhar. gosto muito de SãoPaulo mas aqui se cultivou um povinho meio europeu, meio conservador do interior leitor de veja que é nojento.
A gota d'água foi dizer que a Bolívia humilhou o Brasil, e o Lula foi bastante sensível dizendo que os caras são miseráveis e o único patrimônio deles é o gás. isso me tocou. sou um eleitor emocional, compro meus produtos conforme sua capacidade de atingir o campo filosófico-emocional. isso é puro "top of mind", branding... e outros blá blá blá em inglês da publicidade.
não tenho nada a comentar sobre a capa da época e da veja dessa semana. muito menos sobre seus leitores.
ando repetitivo... nada de novo... já falei que, depois da bomba atômica, trabalhar é a coisa mais estúpida do século XX?
ou eu começo a decorar as cores primárias ou eu aprendo a fazer malabarismo em farol.
como eu tenho mais memória do que coordenação, vou dar um talento naquela cortina velha na minha última tentativa de me tornar um artista.
(tudo isso não passa de obra ficcional, de um brilho eterno de uma mente leviana, plagiadora,
viciada em mate, que definitivamente não tem nada mais interessante pra fazer. até porque quem me dizia isso "você não tem mais nada interessante pra fazer" são exatamente aqueles que acham "interessante" trabalhar)
achei o VHS de Twin Picks por um real. adoro uma barganha. e uma fofoca também!
então se souberem de fofocas e barganhas me contem:
rafael_o_mentiroso@paroquiadalorota.net.pum
antes que eu me esqueça: fora Alckimin, Discman, Ipod e qualquer coisa que substitua a vitrola. viva o Lula e o saudosismo revolucionário.
PS: estou deixando a barba crescer, e aqueles boatos sobre o câncer terminal do interminável titio Fidel é pura intriga da oposição (daquela que conseguiu sobreviver).
segunda-feira, outubro 02, 2006
Pollock e o Lula
Depois que eu entendi que trabalhar, de fato, não é o meu forte, e até compreendo se eu receber uma carta em casa me convidando pra receber o prêmio "the worst employee awards 2006" (já que faço tudo devagar e errado), resolvi, então, investir na minha carreira de artista. Porém, após assistir "Pollock" e seu final trágico, digno de "artista angustiados mal-resolvidos além de seu tempo", pensei seriamente em parar de beber. mas daí lembrei que eu não sei dirigir, então tudo bem.
jamais faria campanha pro Lula, mas acho essa história de segundo turno um saco. primeiro que eles deveriam fazer a eleição numa segunda, não num domingo (não tem nem jogo de futebol pra gente se distrair). segundo porque depois que eu votei eu não faço idéia onde eu deixei meu título de eleitor, já perdi meu rg, e como já disse que não sei dirigir, obviamente não tenho carteira de motorista.
essa eleição está parecendo a copa do mundo: bem sem graça, sem clima, com um pouco menos de bandeira do Brasil, e alguns santinhos espalhados nos colégios eleitorais. essa coisa de votar é tão démodé, tão revolução francesa e seus sufrágios universais; coisa da modernidade antiga.
não vejo a hora que inventarem um serviço terceirizado de votar. pela internet, talvez pelo celular.
acho que as pessoas estão percebendo que não faz muita diferença em quem votar ou ganhar a eleição. como se já estivesse subentendido que existem outras partes poderosas e de influência no campo político-econômico que vai além do representante oficial das eleições.
eu por exemplo, apertei os botões da urna com a mesma displicência que eu aperto botão do elevador ou escrevo essas crônicas.
pra quem já teve Maluf como prefeito, deputado federal tá de bom tamanho, analisando a conjutura corrupta-política geral. e enfim, o mais legal de votar é tomar um caldo-de-cana, ver o povo do seu bairro, comer um acarajé. pra isso funciona.
voltando à história do Pollock, eu tava pensando que se ser artista-artista é estar em contato com sua complexidade subjetiva, sensível ao modo da construção simbólica-comunicativa de sua época, e sofrer com a angústia da pressa e incompreensão, bem, me deu uma certa preguiça de ser assim. porque, se você consegue ser sensível às mazelas, à bomba atômica, à fragmentação e às significações banalizadas, talvez seja uma boa, o cara canalizar a sensibilidade dele pra umas coisas mais animadas, como o samba por exemplo, o futebol, e essas coisas confraternas que fazemos. mas será que aí, com a alegria da espontaneidade e irreverência, anulamos ou pelo menos amenizamos significativamente a angústia-motor artística, e não teremos grandes impulsos de expressão? nada na tela, a vida é muito boa;
ou seja, sofra bastante e ponha isso num quadro, ou busque a alegria e fique conformado.
ou seja novamente, porque o meu pai não é rico?
se bem que se meu pai fosse rico eu não deixaria de trabalhar pra ser artista, mas provavelmente gastaria tudo em cocaína, ou me candidataria a algum cargo público, ou talvez os dois ao mesmo tempo.
deixa eu ver: pra ser um artista eu preciso, ser angustiado, ter tinta colorida, tela, pobre no começo, angustiado pra sempre, imconpreendido, muitas mulheres, e dependendo da época, envolvido com o partido comunista.
acho que estou quase lá. tem umas tintas sobrando no quintal, uma cortina velha pra pintar, o corinthians me deixa angustiado, arara na minha carteira é tão rara quanto na floresta, e eu conheço um monte de comunistas. além disso ninguém me compreende direito que só pensar e fazer as coisas que você gosta já é trabalhar.
enfim, o Lula só precisa de mais uns dois ou três porcento de votos válidos no segundo turno pra se reeleger. e com o provável segundo mandato-bravata dele, fica claro pra mim que o povo é quem nem pomba: é só você dar umas migalhas que ele se aglomera em torno de ti.
:(
hahahahaahaha, como se eu realmente estivesse ligando.
estou muito concentrado me angustiando e pensando além do minha época pra perder meu tempo com eleições-fast food-péssimo-cardápio. nossa, como eu ando crítico. se eu não conseguir ser artista, pelo menos me tornarei aqueles críticos amargurados e frustrados que metem o pau geral. "isso é arte? aonde?"
não me importa fazer arte, importa só ser "artista".
- oi, você é o quê?
- eu sou engenheiro.
- puxa, legal. e você?
- eu sou advogado.
- ótimo. e você?
- eu sou médico.
- opa, sempre bom. e você com a túnica laranja na cabeça fumando um cachimbo bizarro?
- eu sou um artista ué.
- e como você faz pra se manter montado num tamanduá-bandeira e fazer essa expressão de "tudo é tão previsível e entediante"?
é mais ou menos este o ponto.
jamais faria campanha pro Lula, mas acho essa história de segundo turno um saco. primeiro que eles deveriam fazer a eleição numa segunda, não num domingo (não tem nem jogo de futebol pra gente se distrair). segundo porque depois que eu votei eu não faço idéia onde eu deixei meu título de eleitor, já perdi meu rg, e como já disse que não sei dirigir, obviamente não tenho carteira de motorista.
essa eleição está parecendo a copa do mundo: bem sem graça, sem clima, com um pouco menos de bandeira do Brasil, e alguns santinhos espalhados nos colégios eleitorais. essa coisa de votar é tão démodé, tão revolução francesa e seus sufrágios universais; coisa da modernidade antiga.
não vejo a hora que inventarem um serviço terceirizado de votar. pela internet, talvez pelo celular.
acho que as pessoas estão percebendo que não faz muita diferença em quem votar ou ganhar a eleição. como se já estivesse subentendido que existem outras partes poderosas e de influência no campo político-econômico que vai além do representante oficial das eleições.
eu por exemplo, apertei os botões da urna com a mesma displicência que eu aperto botão do elevador ou escrevo essas crônicas.
pra quem já teve Maluf como prefeito, deputado federal tá de bom tamanho, analisando a conjutura corrupta-política geral. e enfim, o mais legal de votar é tomar um caldo-de-cana, ver o povo do seu bairro, comer um acarajé. pra isso funciona.
voltando à história do Pollock, eu tava pensando que se ser artista-artista é estar em contato com sua complexidade subjetiva, sensível ao modo da construção simbólica-comunicativa de sua época, e sofrer com a angústia da pressa e incompreensão, bem, me deu uma certa preguiça de ser assim. porque, se você consegue ser sensível às mazelas, à bomba atômica, à fragmentação e às significações banalizadas, talvez seja uma boa, o cara canalizar a sensibilidade dele pra umas coisas mais animadas, como o samba por exemplo, o futebol, e essas coisas confraternas que fazemos. mas será que aí, com a alegria da espontaneidade e irreverência, anulamos ou pelo menos amenizamos significativamente a angústia-motor artística, e não teremos grandes impulsos de expressão? nada na tela, a vida é muito boa;
ou seja, sofra bastante e ponha isso num quadro, ou busque a alegria e fique conformado.
ou seja novamente, porque o meu pai não é rico?
se bem que se meu pai fosse rico eu não deixaria de trabalhar pra ser artista, mas provavelmente gastaria tudo em cocaína, ou me candidataria a algum cargo público, ou talvez os dois ao mesmo tempo.
deixa eu ver: pra ser um artista eu preciso, ser angustiado, ter tinta colorida, tela, pobre no começo, angustiado pra sempre, imconpreendido, muitas mulheres, e dependendo da época, envolvido com o partido comunista.
acho que estou quase lá. tem umas tintas sobrando no quintal, uma cortina velha pra pintar, o corinthians me deixa angustiado, arara na minha carteira é tão rara quanto na floresta, e eu conheço um monte de comunistas. além disso ninguém me compreende direito que só pensar e fazer as coisas que você gosta já é trabalhar.
enfim, o Lula só precisa de mais uns dois ou três porcento de votos válidos no segundo turno pra se reeleger. e com o provável segundo mandato-bravata dele, fica claro pra mim que o povo é quem nem pomba: é só você dar umas migalhas que ele se aglomera em torno de ti.
:(
hahahahaahaha, como se eu realmente estivesse ligando.
estou muito concentrado me angustiando e pensando além do minha época pra perder meu tempo com eleições-fast food-péssimo-cardápio. nossa, como eu ando crítico. se eu não conseguir ser artista, pelo menos me tornarei aqueles críticos amargurados e frustrados que metem o pau geral. "isso é arte? aonde?"
não me importa fazer arte, importa só ser "artista".
- oi, você é o quê?
- eu sou engenheiro.
- puxa, legal. e você?
- eu sou advogado.
- ótimo. e você?
- eu sou médico.
- opa, sempre bom. e você com a túnica laranja na cabeça fumando um cachimbo bizarro?
- eu sou um artista ué.
- e como você faz pra se manter montado num tamanduá-bandeira e fazer essa expressão de "tudo é tão previsível e entediante"?
é mais ou menos este o ponto.
quinta-feira, setembro 28, 2006
detesto falar de política (menos nos bares que o povo de sociais vai, que aí preciso fazer minha média anti-alguma coisa), mas preciso comentar que tudo indica que o Lula, no probabelíssimo próximo mandato, irá governar estilo pequeno príncipe: uma mistura de ingenuidade e solidão.
cada dia que eu abro jornal sem ser o de esporte (uma média de uma vez a cada três dias) eu vejo alguém do PT sendo cassado, acusado, ou se demitindo pra facilitar as coisas.
quem vai sobrar, é a pergunta que se faz.
isso se chama, freudianamente de "repressão sexual voltada para o gozo". depois de vinte anos, com aqueles discursos, bravatas e greves, se segurando na ética, de repente, ver todas aquelas possibilidades de trambiques, vários outros políticos deitando e rolando ("porque eles podem e eu não?") a partir desse princípio infantil, os caras explodiram de uma vez só. pum!
todo mundo alucinando em fazer algo que não presta; é muito tentador.
isso conclui que, tirando aqueles políticos ligados ao Bob Dylan, o resto é uma raça nojenta mesmo, absurdamente corruptível, o que justifica minha campanha político-zoológica: "não alimente os animais. vote nulo"
falando em raça, o coronel do PFL que disse que aquela "raça" petista acabaria, ao contrário do que pensa a Carta Capital (se bem que eu nem li), acertou em cheio. acabou-se, numa auto-extinguição petista. os que acreditavam, estão numa vergonha, numa língua mordida, que suas bandeiras vermelhas hoje enfeitam o abajur e compõe uma cortina pós-neo-nada.
os que ainda acreditam, e levam a sério até greve de estagiário, foram pro PSOL, e o resto que ficou, foi cassado ou foi "convidado a se retirar". até os malufistas duraram mais tempo. tem que roubar no migué, na cadência. os caras fora com muita cede ao pote. estilo adolescente. corrupto precoce, dançaram.
dizem que no jogo de dardo, vence quem fizer mais pontos. e quanto vale acertar, em cheio, o pé de uma juíza distraidíssima? um milhão de pontos? pensa bem, é um alvo que se move. nunca mais vou dizer que sou azarado. nada, absolutamente nada, ganha de levar um dardaço atravessado no pé.... ela merece um prêmio "não sou distraída, apenas tenho um distúrbio de défcit de atenção estilo autista" ou " não sou distraída, sou uma juíza de jogo de xadres e estava fazendo um frila".
enfim, meu trabalho extenuante de ser eu mesmo, poda minhas chances de ser/fazer/escrever coisas interessantes. ser interessante dar muito trabalho na medida em que tem que ser bom.
minha última tentativa é: parecer ser interessante negando a vontade de ser interessante.
juro que quando eu aprender a ser engraçado compulsivamente (sem ser com uma platéia bêbada que nem aquela vez que eu saí me sentindo o tal) eu vou escrever todo dia uma crônica "deiz" !
enquanto isso, eu continuo acreditando nos passarinhos: são únicos que conseguem cantar numa segunda de manhã.
cada dia que eu abro jornal sem ser o de esporte (uma média de uma vez a cada três dias) eu vejo alguém do PT sendo cassado, acusado, ou se demitindo pra facilitar as coisas.
quem vai sobrar, é a pergunta que se faz.
isso se chama, freudianamente de "repressão sexual voltada para o gozo". depois de vinte anos, com aqueles discursos, bravatas e greves, se segurando na ética, de repente, ver todas aquelas possibilidades de trambiques, vários outros políticos deitando e rolando ("porque eles podem e eu não?") a partir desse princípio infantil, os caras explodiram de uma vez só. pum!
todo mundo alucinando em fazer algo que não presta; é muito tentador.
isso conclui que, tirando aqueles políticos ligados ao Bob Dylan, o resto é uma raça nojenta mesmo, absurdamente corruptível, o que justifica minha campanha político-zoológica: "não alimente os animais. vote nulo"
falando em raça, o coronel do PFL que disse que aquela "raça" petista acabaria, ao contrário do que pensa a Carta Capital (se bem que eu nem li), acertou em cheio. acabou-se, numa auto-extinguição petista. os que acreditavam, estão numa vergonha, numa língua mordida, que suas bandeiras vermelhas hoje enfeitam o abajur e compõe uma cortina pós-neo-nada.
os que ainda acreditam, e levam a sério até greve de estagiário, foram pro PSOL, e o resto que ficou, foi cassado ou foi "convidado a se retirar". até os malufistas duraram mais tempo. tem que roubar no migué, na cadência. os caras fora com muita cede ao pote. estilo adolescente. corrupto precoce, dançaram.
dizem que no jogo de dardo, vence quem fizer mais pontos. e quanto vale acertar, em cheio, o pé de uma juíza distraidíssima? um milhão de pontos? pensa bem, é um alvo que se move. nunca mais vou dizer que sou azarado. nada, absolutamente nada, ganha de levar um dardaço atravessado no pé.... ela merece um prêmio "não sou distraída, apenas tenho um distúrbio de défcit de atenção estilo autista" ou " não sou distraída, sou uma juíza de jogo de xadres e estava fazendo um frila".
enfim, meu trabalho extenuante de ser eu mesmo, poda minhas chances de ser/fazer/escrever coisas interessantes. ser interessante dar muito trabalho na medida em que tem que ser bom.
minha última tentativa é: parecer ser interessante negando a vontade de ser interessante.
juro que quando eu aprender a ser engraçado compulsivamente (sem ser com uma platéia bêbada que nem aquela vez que eu saí me sentindo o tal) eu vou escrever todo dia uma crônica "deiz" !
enquanto isso, eu continuo acreditando nos passarinhos: são únicos que conseguem cantar numa segunda de manhã.
quarta-feira, setembro 27, 2006
detesto falar de política (menos nos bares que o povo de sociais vai, que aí preciso fazer minha média anti-alguma coisa), mas preciso comentar que tudo indica que o Lula, no probabelíssimo próximo mandato, irá governar estilo pequeno príncipe: uma mescla de ingenuidade e solidão.
cada dia que eu abro jornal, e não é o caderno de esporte (uma média de uma vez a cada três dias) eu vejo alguém do PT sendo cassado, acusado, ou se demitindo pra facilitar as coisas.
quem vai sobrar, é a pergunta que se faz.
isso se chama, freudianamente de "repressão sexual voltada para o gozo". depois de vinte anos, com aqueles discursos, bravatas e greves, se segurando na ética, de repente, ver todas aquelas possibilidades de trambiques, vários outros políticos deitando e rolando ("porque eles podem e eu não?") a partir desse princípio infantil, os caras explodiram de uma vez só. pum!
todo mundo alucinando em fazer algo que não presta; é muito tentador.
isso conclui que, tirando aqueles políticos ligados ao Bob Dylan, o resto é uma raça nojenta mesmo, absurdamente corruptível, o que justifica minha campanha político-zoológica: "não alimente os animais. vote nulo"
falando em raça, o füher do PFL que disse que aquela "raça" petista acabaria, ao contrário do que pensa a Carta Capital (se bem que eu nem li), acertou em cheio. acabou-se, numa auto-extinguição petista. os que acreditavam, estão numa vergonha, numa língua mordida, que suas bandeiras vermelhas hoje enfeitam o abajur e compõe uma cortina pós-neo-nada.
os que ainda acreditam, e levam a sério até greve de estagiário, foram pro PSOL, e o resto que ficou, foi cassado ou foi "convidado a se retirar". até os malufistas duraram mais tempo. tem que roubar no migué, na cadência. os caras foram com muita sede ao pote. estilo adolescente. corrupto precoce, dançaram.
dizem que no jogo de dardo, vence quem fizer mais pontos. e quanto vale acertar, em cheio, o pé de uma juíza distraidíssima? um milhão de pontos? pensa bem, é um alvo que se move. nunca mais vou dizer que sou azarado. nada, absolutamente nada, ganha de levar um dardaço atravessado no pé.... ela merece um prêmio "não sou distraída, apenas tenho um distúrbio de défcit de atenção estilo autista". ou então "não sou distraída, sou uma juíza de jogo de xadrez, e estava fazendo um frila".
enfim, meu trabalho extenuante de ser eu mesmo, poda minhas chances de ser/fazer/escrever coisas interessantes. ser interessante dá muito trabalho na medida em que você tem que ser bom. vou fazer que nem o Wood Allen e se utilizar da auto-depreciação como forma de agradar. minha última tentativa é: parecer ser interessante negando a vontade de ser interessante.
juro que quando eu aprender a ser engraçado compulsivamente (sem ser com uma platéia bêbada que nem aquela vez que eu saí me sentindo o tal) eu vou escrever todo dia uma crônica "dez"!
enquanto isso, eu continuo acreditando nos passarinhos: são únicos que conseguem cantar numa segunda de manhã.
cada dia que eu abro jornal, e não é o caderno de esporte (uma média de uma vez a cada três dias) eu vejo alguém do PT sendo cassado, acusado, ou se demitindo pra facilitar as coisas.
quem vai sobrar, é a pergunta que se faz.
isso se chama, freudianamente de "repressão sexual voltada para o gozo". depois de vinte anos, com aqueles discursos, bravatas e greves, se segurando na ética, de repente, ver todas aquelas possibilidades de trambiques, vários outros políticos deitando e rolando ("porque eles podem e eu não?") a partir desse princípio infantil, os caras explodiram de uma vez só. pum!
todo mundo alucinando em fazer algo que não presta; é muito tentador.
isso conclui que, tirando aqueles políticos ligados ao Bob Dylan, o resto é uma raça nojenta mesmo, absurdamente corruptível, o que justifica minha campanha político-zoológica: "não alimente os animais. vote nulo"
falando em raça, o füher do PFL que disse que aquela "raça" petista acabaria, ao contrário do que pensa a Carta Capital (se bem que eu nem li), acertou em cheio. acabou-se, numa auto-extinguição petista. os que acreditavam, estão numa vergonha, numa língua mordida, que suas bandeiras vermelhas hoje enfeitam o abajur e compõe uma cortina pós-neo-nada.
os que ainda acreditam, e levam a sério até greve de estagiário, foram pro PSOL, e o resto que ficou, foi cassado ou foi "convidado a se retirar". até os malufistas duraram mais tempo. tem que roubar no migué, na cadência. os caras foram com muita sede ao pote. estilo adolescente. corrupto precoce, dançaram.
dizem que no jogo de dardo, vence quem fizer mais pontos. e quanto vale acertar, em cheio, o pé de uma juíza distraidíssima? um milhão de pontos? pensa bem, é um alvo que se move. nunca mais vou dizer que sou azarado. nada, absolutamente nada, ganha de levar um dardaço atravessado no pé.... ela merece um prêmio "não sou distraída, apenas tenho um distúrbio de défcit de atenção estilo autista". ou então "não sou distraída, sou uma juíza de jogo de xadrez, e estava fazendo um frila".
enfim, meu trabalho extenuante de ser eu mesmo, poda minhas chances de ser/fazer/escrever coisas interessantes. ser interessante dá muito trabalho na medida em que você tem que ser bom. vou fazer que nem o Wood Allen e se utilizar da auto-depreciação como forma de agradar. minha última tentativa é: parecer ser interessante negando a vontade de ser interessante.
juro que quando eu aprender a ser engraçado compulsivamente (sem ser com uma platéia bêbada que nem aquela vez que eu saí me sentindo o tal) eu vou escrever todo dia uma crônica "dez"!
enquanto isso, eu continuo acreditando nos passarinhos: são únicos que conseguem cantar numa segunda de manhã.
terça-feira, setembro 19, 2006
e no dia em que papai me pagar aquele curso pra ser poeta, queimarei tudo isso;
falo coisas um pouco inteligentes e talvez aparentemente complicadas, só para fazer uma média;
deixei meu cabelo crescer e a barba mal-feita só para fazer aquela média;
fico deprimido sazonalmente-definitivamente para fazer uma média.
votei no Lula pra fazer uma média e vou votar nulo também pra fazer média.
finjo desinteresse pra suportar minha média,
caretas, trejeitos, roídas, é média, média, média.
não gosto de aniversário só pra fazer uma média,
agradeço os parabéns 'só por educação' pra fazer uma média.
reclamo daquilo que é bom reclamar, mas com um toque particular, pra fazer uma média.
elogio de vez em quando o pouco inusitado, como parte da média que pretendo fazer.
encorporo o cool-but-not-cool-for-everyone, porque isso sim é a média pra caramba.
reproduzo o plausível-periférico como a mais única média.
volto a pé pra fazer uma média.
não como carne pra fazer uma média.
escrevo com sentido o que parece sem sentido, frisando a média.
bem média é a vida que eu levo.
.
.
.
.
.
.uma vez me disseram que média é café-com-leite
deixei meu cabelo crescer e a barba mal-feita só para fazer aquela média;
fico deprimido sazonalmente-definitivamente para fazer uma média.
votei no Lula pra fazer uma média e vou votar nulo também pra fazer média.
finjo desinteresse pra suportar minha média,
caretas, trejeitos, roídas, é média, média, média.
não gosto de aniversário só pra fazer uma média,
agradeço os parabéns 'só por educação' pra fazer uma média.
reclamo daquilo que é bom reclamar, mas com um toque particular, pra fazer uma média.
elogio de vez em quando o pouco inusitado, como parte da média que pretendo fazer.
encorporo o cool-but-not-cool-for-everyone, porque isso sim é a média pra caramba.
reproduzo o plausível-periférico como a mais única média.
volto a pé pra fazer uma média.
não como carne pra fazer uma média.
escrevo com sentido o que parece sem sentido, frisando a média.
bem média é a vida que eu levo.
.
.
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.
.uma vez me disseram que média é café-com-leite
domingo, setembro 17, 2006
devaneios, devaneios
salsicha, salsicha, salsicha. às vezes esqueço de como se escreve.
mortandela não existe. é que nem o ene de muito. só existe pelo nosso nariz.
pelo nariz é normal, pêlo no nariz é bizarro, mas acontece.
cem o menor conpromiço con a limgua portugueza.
quero mais é que se dane-se.
o inglês é muito mais persuasivo.
é roots, é style, se faz presente numa happy hour depois rush, e os mais hypes que já passaram por uma bad trip, só esperam uma outra vibe. no shopping.
de fato, démodé, é falar francês.
a publicidade, coitada, vive de jobs, briefings, copy and paste, layers, gettyimages, photoshops, e estagiários conformados e dedicados. ah claro, e não podemos nos esquecer do uísque.
***
detesto bater na mesma tecla, hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
(tá certo, às vezes eu gosto), mas trabalhar continua sendo a atividade menos interessante que se possa fazer durante oito horas seguidas.
***
Tem uma garota, jovem, que eu vejo todo dia de manhã quando vou ao trabalho. quase sempre no mesmo horário, em lugares diferentes do bairro. ela se veste bem, e seu trabalho é passear com os cachorros dos outros.
isso é um serviço, e esta, segunda uma psicanalista brasileira que não me recordo o nome, é a era dos serviços. tem um pacote feito para tudo, inclusive (se não principalmente) para o lazer.
agora procuro no google um serviço de pacotes para trabalhador-substituto. passeie com meu cachorro, faça minha comida, transe comigo, cuide do meu filho, que seja, mas principalmente: trabalhe por mim.
***
o problema do capitalismo é que, além de gerar miséria, tristeza e comunistas panfletários, é que para o capitalista tudo é dinheiro, e dinheiro é tudo.
(olha meu saudosismo) ninguém respeita mais nada, nem pai, nem mãe, nem o sol, principalmente.
no dia em que o sol cochichar no teu ouvido 'meu filho, deite na grama, esqueça-te e deixe-me fazer uma massagem revigorosa', deveríamos obedecer. é justo. o sol tá lá, a vontade tá aqui, todo mundo sai ganhando. o sol é o responsável por tudo, qualquer doida-esotérica sabe disso. deveríamos levá-lo mais a sério. o "deitar sob o sol" é um componente ontológico da saúde mental. sem contar que faz bem pra pele e pros ossos. e principalmente (deve ser esse o problema) é de graça.
***
outro dia eu tava pensando qual seria o efeito de um avião ser desviado pra se jogar em cima de uma mesquita. um onze de setembro oriental. aí eu me dei conta do ridículo: se você quer ofender um oriental estilo islâmico, vá ao seu âmago, a religião. agora, no nosso caso, se você quer ofender um ocidental-burguer-king, quebre um prédio financeiro-econômico.
nosso totem é aquele 24hs que nunca nos deixa na mão, vermelhinhos, que aceita a maioria dos bancos, e que cobra uma pequena taxa por isso.
nossa missa de domingo é num templo enorme e fechado, com seguranças e cheio de vitrines.
nossa religião é essa: compre e seja louvado.
ofenda um islâmico: faça uma caricatura do Maomé.
ofenda um ocidental: diga que sua camisa não combina com a calça, ou que seu cachicol é da coleção passada.
sorte que essa religião maluca não aceita fiéis que vivem do cheque especial.
bah... eu nem queria mesmo.
mortandela não existe. é que nem o ene de muito. só existe pelo nosso nariz.
pelo nariz é normal, pêlo no nariz é bizarro, mas acontece.
cem o menor conpromiço con a limgua portugueza.
quero mais é que se dane-se.
o inglês é muito mais persuasivo.
é roots, é style, se faz presente numa happy hour depois rush, e os mais hypes que já passaram por uma bad trip, só esperam uma outra vibe. no shopping.
de fato, démodé, é falar francês.
a publicidade, coitada, vive de jobs, briefings, copy and paste, layers, gettyimages, photoshops, e estagiários conformados e dedicados. ah claro, e não podemos nos esquecer do uísque.
***
detesto bater na mesma tecla, hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
(tá certo, às vezes eu gosto), mas trabalhar continua sendo a atividade menos interessante que se possa fazer durante oito horas seguidas.
***
Tem uma garota, jovem, que eu vejo todo dia de manhã quando vou ao trabalho. quase sempre no mesmo horário, em lugares diferentes do bairro. ela se veste bem, e seu trabalho é passear com os cachorros dos outros.
isso é um serviço, e esta, segunda uma psicanalista brasileira que não me recordo o nome, é a era dos serviços. tem um pacote feito para tudo, inclusive (se não principalmente) para o lazer.
agora procuro no google um serviço de pacotes para trabalhador-substituto. passeie com meu cachorro, faça minha comida, transe comigo, cuide do meu filho, que seja, mas principalmente: trabalhe por mim.
***
o problema do capitalismo é que, além de gerar miséria, tristeza e comunistas panfletários, é que para o capitalista tudo é dinheiro, e dinheiro é tudo.
(olha meu saudosismo) ninguém respeita mais nada, nem pai, nem mãe, nem o sol, principalmente.
no dia em que o sol cochichar no teu ouvido 'meu filho, deite na grama, esqueça-te e deixe-me fazer uma massagem revigorosa', deveríamos obedecer. é justo. o sol tá lá, a vontade tá aqui, todo mundo sai ganhando. o sol é o responsável por tudo, qualquer doida-esotérica sabe disso. deveríamos levá-lo mais a sério. o "deitar sob o sol" é um componente ontológico da saúde mental. sem contar que faz bem pra pele e pros ossos. e principalmente (deve ser esse o problema) é de graça.
***
outro dia eu tava pensando qual seria o efeito de um avião ser desviado pra se jogar em cima de uma mesquita. um onze de setembro oriental. aí eu me dei conta do ridículo: se você quer ofender um oriental estilo islâmico, vá ao seu âmago, a religião. agora, no nosso caso, se você quer ofender um ocidental-burguer-king, quebre um prédio financeiro-econômico.
nosso totem é aquele 24hs que nunca nos deixa na mão, vermelhinhos, que aceita a maioria dos bancos, e que cobra uma pequena taxa por isso.
nossa missa de domingo é num templo enorme e fechado, com seguranças e cheio de vitrines.
nossa religião é essa: compre e seja louvado.
"ir para o céu" é acumular pontos de milhagens e "ir para o inferno" é ter o nome no SERASA.
ofenda um islâmico: faça uma caricatura do Maomé.
ofenda um ocidental: diga que sua camisa não combina com a calça, ou que seu cachicol é da coleção passada.
sorte que essa religião maluca não aceita fiéis que vivem do cheque especial.
bah... eu nem queria mesmo.
domingo, setembro 10, 2006
bobagem
alargador de pênis, manual do orgasmo feminino, como anular multas de trânsito (pera lá, os outros dois até vai, sou filho de Deus, mas multa de trânsito? eu nem dirijo) e umas frases de caminhão pelo Orkut. Esse é o cotidiano de um email que eu tenho (na verdade foi forçosamente tornado) só pra isso.
sabe que (lá vem eu e meu lado piegas) eu vejo esses spams como uma metáfora da vida.
porque no meio das porcarias, tem umas frases de Orkut que fazem bastante sentido.
ok, quando a religião não está presente no seu dia-a-dia, sua família é de alguma forma fragmentada e, pessoal ou profissionalmente existe algum tipo de entrave no seu desenvolvimento, então horóscopo e coisas esotéricas costumam fazer bastante sentido. até sorte do biscoito chinês tá valendo.
aí vem a metáfora. tinha uma frase piegas do orkut que fazia bastante sentido numa determinada situação. ora, no meio de tanta porcaria dá pra achar algo bom. e a vida é assim quando a coisa tá russa. e acredito que isso seja um condicional insuportavelmente-estimulante da vida: mesmo na lama, se você for sincero o bastante pra fazer uma auto-crítica você encontra uma coisa positiva, que vai contribuir pras coisas melhorarem. ok, chega de conselho do 'senhor Myang', ou seja lá qual for o nome do mestre do Karete Kid.
outra possiblidade é que, quando você não é poeta, artista, ou um cara com talento e sensibilidade suficiente pra fazer uma interessante (porque não tocante?) metáfora da vida, você faz metáforas de situaçõs ridículas e corriqueiras como esta que eu fiz. talvez seja uma metáfora da sua própria vida. hum? me perdi... mas enfim, não é a minha vida que é ridícula e corriqueira. ou você vai me dizer que sair do samba, encontrar a Elke Maravilha no ponto de taxi e ganhar uma bitoca dela é corriqueiro (sem comentar o ridículo)?
mas a vida tem dessa. tem que curtir muito ser deprimido pra só encontrar "dessabores" (pra utilizar jargões do samba). pois bem, vou apagar meu incenso, tomar um floral de Bach antes de dormir, meditar um mantra, e canalizar positivamente minhas energias pra da próxima vez escrever algo mais interessante que essa bobagem de hoje.
bah! todo mundo sabe que eu só escrevi essas besteiras pra dizer e frisar, que a Elke Maravilha me deu uma b-i-t-o-c-a-n-a-b-o-c-a.
e a próxima é de língua!
vou até roubar a maquiagem da minha irmã pra entrar no clima.
"o samba é alegria, falando coisas da gente
se você anda tristonho, no samba fica contente"
Paulito da Viola
ps: não, a Elke não é travesti, é que ela costuma guardar o pente dela no meio das calças. uahuahauhauhauhauhaua. tô brincando, ela usa peruca mas não é travesti. até porque, se vocês querem uma história envolvendo travestis, daí tem aquela, da vez que eu entrei bêbado no Vegas, e nem sabia direito da 'fama' de lá, e bem... foi uma situação delicada, foi por pouco.
ufa, sem mais supresas!
sexta-feira, setembro 08, 2006
confere botas. ok.
contagem regressiva.
fiuuuuuuuuuuuuuuuuuu
tchau chão. oi teto.
...........................................
olhar blasé. cigarro aceso. um tragada, o olho fecha um pouco, um sopro de fumaça pro lado (educação). o modo que segura o cigarro é displicente (até porque tudo é tão natural) .
as sobrancelhas se levantam, uma expressãozinha de espanto ("que absurdo"), seguido de um sorriso, uma risada, uma leve inclinação pra frente. rindo sempre como uma justificação de que, sim, sou uma pessoa super bem resolvida, portanto vivo feliz. reparem como sou feliz. tá bom, estou reparando. feliz e segura. impressionante. fraqueza nenhuma, sem titubeação. boa demais pra tudo isso.
blasé, blasé, blasé; assisti aquele filme daquele cara; fui ver aquela banda que é a banda; mais uma tragada. exagerar alguma situação, como aquele cara deu em cima de mim, como ele me liga. me cansa a beleza.
tadinha.
-- tá apaixonado?
-- tô puto.
.............................................
daí quando caiu no chão foi aquela confusão. foi rolando, rolando, rolando...machuquei o nariz, ralei o queixo, tudo com os olhos bem fechados. quase caiu num bueiro. sorte que eu puxei o narigão do meu pai, e ficou encalhada.
o corpo-torto-decapitado-desnorteado fazia qualquer coisa, menos ajudar. quando ela virou a esquina não tinha mais ângulo pra ver.
ela só foi parar atrás de um pneu de um carro estacionado. na frente de uma oficina: "do diabo, martelinho de ouro, pintura e reformas. aceitamos cartões. não fechamos domingo nem aspas.
foi um divórico mesmo. o corpo agora trabalha como boneco de posto, mexendo esquizofrenicamente seus braços. e a cabeça, coitada, a coisa mais útil que conseguiu se prestar foi de peso de papel, numa escravaninha aí.
.............................................
um gestinho obrigação-social-constrangedora-de-ter-que-cumprimentar-pessoas.
ora, ora, senhorita olhar blasé-estou-muito-ocupada-no-celular-combinando-resolvendo-articulando-algo-se-não-emociante-no-mínimo-marcante-vivencialmente não pode no momento fazer mais que um sinal. afinal, vocês sabem, bom, na verdade (se é que existe uma)não sabem.
(um suspiro). uma leve franzida na testa. uma cara de "é, é foda conduzir essa minha vida ocupada e atarefada-in-te-res-san-tís-si-ma". um degrau de cada vez. pronto, senta no trono, puxa o chicote, e (não sei qual é a onomatopéia do barulho do chicote, mas é isso agora) nas costas do seu empregado, que (com a ajuda de outro atrás) levantam o altar, e a conduzem pra sabe-se-lá-aonde.
aí eu grito: Cleópatra, eu sei que você é careca!
sorte que ninguém repara em mim no meio do arbustro.
....................................
engato a segunda. morreu.
desço e empurro.
-- não, não, tá oquei. já resolvo isso.
po-ponto-morto-to.
primiera, priimeeira, priimeeiraa, priiimeeeiraaa
segunda. morreu.
na terça foi enterro.
teve uma jazz big band, assim como ele desejava.
tocaram aquela, e todos dançaram.
e o caixão foi descendo vazio.
o dono da festa não conseguiu chegar.
ligou dizendo que o carro não conseguia engatar a segunda e que vivia morrendo,
e agora tinha empurrado até uma estranha oficina com uma cabeça como peso de papel.
contagem regressiva.
fiuuuuuuuuuuuuuuuuuu
tchau chão. oi teto.
...........................................
olhar blasé. cigarro aceso. um tragada, o olho fecha um pouco, um sopro de fumaça pro lado (educação). o modo que segura o cigarro é displicente (até porque tudo é tão natural) .
as sobrancelhas se levantam, uma expressãozinha de espanto ("que absurdo"), seguido de um sorriso, uma risada, uma leve inclinação pra frente. rindo sempre como uma justificação de que, sim, sou uma pessoa super bem resolvida, portanto vivo feliz. reparem como sou feliz. tá bom, estou reparando. feliz e segura. impressionante. fraqueza nenhuma, sem titubeação. boa demais pra tudo isso.
blasé, blasé, blasé; assisti aquele filme daquele cara; fui ver aquela banda que é a banda; mais uma tragada. exagerar alguma situação, como aquele cara deu em cima de mim, como ele me liga. me cansa a beleza.
tadinha.
-- tá apaixonado?
-- tô puto.
.............................................
daí quando caiu no chão foi aquela confusão. foi rolando, rolando, rolando...machuquei o nariz, ralei o queixo, tudo com os olhos bem fechados. quase caiu num bueiro. sorte que eu puxei o narigão do meu pai, e ficou encalhada.
o corpo-torto-decapitado-desnorteado fazia qualquer coisa, menos ajudar. quando ela virou a esquina não tinha mais ângulo pra ver.
ela só foi parar atrás de um pneu de um carro estacionado. na frente de uma oficina: "do diabo, martelinho de ouro, pintura e reformas. aceitamos cartões. não fechamos domingo nem aspas.
foi um divórico mesmo. o corpo agora trabalha como boneco de posto, mexendo esquizofrenicamente seus braços. e a cabeça, coitada, a coisa mais útil que conseguiu se prestar foi de peso de papel, numa escravaninha aí.
.............................................
um gestinho obrigação-social-constrangedora-de-ter-que-cumprimentar-pessoas.
ora, ora, senhorita olhar blasé-estou-muito-ocupada-no-celular-combinando-resolvendo-articulando-algo-se-não-emociante-no-mínimo-marcante-vivencialmente não pode no momento fazer mais que um sinal. afinal, vocês sabem, bom, na verdade (se é que existe uma)não sabem.
(um suspiro). uma leve franzida na testa. uma cara de "é, é foda conduzir essa minha vida ocupada e atarefada-in-te-res-san-tís-si-ma". um degrau de cada vez. pronto, senta no trono, puxa o chicote, e (não sei qual é a onomatopéia do barulho do chicote, mas é isso agora) nas costas do seu empregado, que (com a ajuda de outro atrás) levantam o altar, e a conduzem pra sabe-se-lá-aonde.
aí eu grito: Cleópatra, eu sei que você é careca!
sorte que ninguém repara em mim no meio do arbustro.
....................................
engato a segunda. morreu.
desço e empurro.
-- não, não, tá oquei. já resolvo isso.
po-ponto-morto-to.
primiera, priimeeira, priimeeiraa, priiimeeeiraaa
segunda. morreu.
na terça foi enterro.
teve uma jazz big band, assim como ele desejava.
tocaram aquela, e todos dançaram.
e o caixão foi descendo vazio.
o dono da festa não conseguiu chegar.
ligou dizendo que o carro não conseguia engatar a segunda e que vivia morrendo,
e agora tinha empurrado até uma estranha oficina com uma cabeça como peso de papel.
terça-feira, setembro 05, 2006
sorte que minha auto-estima não depende dos comentários que me deixam, mas sim da quantidade de cerveja que tomo no fim-de-semana. é impressionante como é proporcional.
enfim, na verdade minha pseudo-ausência (já que mantenho uma regularidade nunca dantes mantida) se dá porque a única idéia que tenho pra escrever é sobre o meu simpaticíssimo patrão, sobre o real significado do trabalho na sociedade, sobre a nova classe de peão que se emancipou do canteiro de obra e foi calhar na frente de um computador e enfim... mas não posso porque o meu patrão, querendo se 'atualizar' queria saber sobre blogs e perguntou se eu tinha um, e bem, eu não pude negar. eu não minto mais desde aquele incidente em Copacabana envolvendo um gringo, uma falso aleijado e um câmbio-financeiro ambulante.
pois bem, a minha tese sobre uma busca etimológica de patrão como "aquele que detém a razão ad eternum' não poderá mais ser desenvolvida.
e todas as coisas engraçadas que acontecem lá na 'firma' serão negligenciadas.
a não ser que eu faça um outro blog só pra isso! mas ter mais de um blog é demais. daqui há pouco vou estar fantasiado fazendo plantão em fila de estréia do Star Wars III ou quem sabe numa feira de nano-tecnologia-galática (seja lá o que signifique 'nano').
mas eu penso que até pode ter sucesso um blog, onde as pessoas usem pseudônimos (ninguém merece perder o emprego por causa de blog) pra falarem mal de seus chefes e compartilhar frustrações e etc, mas sem o tom de auto-ajuda, lógico. eu escreveria várias engraçadíssimas.
então combinado, se alguém fizer eu já tenho uma coisa pra escrever.
não precisa ser umas coisas enormes, só umas coisas bestas do cotidiano, só um parágrafo, tipo:
"De como meu chefe consegue se contradizer em em apenas dois minutos" ou,
"Porque o meu chefe insiste em usar termos em inglês, com uma pronúncia ridícula em momentos inapropriados?" ou,
"Porque os corinthianos reclamam do Kia?" ou ainda,
"Como ele conseguiu ser dono disso tudo se ele ainda não aprendeu a mexer no mouse".
sei lá, usem a criatividade e desenvolvam, e me avisem.
a gravidade da situação é tanta, que faz umas duas semanas que não vou ao samba.
tá certo que eu até iria na outra semana, mas encontrei um velho amigo, apliquei aquela desculpa que eu comentei aqui já, e explodi a largada e fui dormi.
ah, falando em patrão, lembrei do meu professor (e se Deus quiser, meu futuro orientador da minha i.c.) enquanto meu chefe, bem, age como meu chefe, meu professor-orientador foi tomar uma cervejinha de sexta à noite comigo e no final das contas fui deixar ele em casa lá pelas quatro ou cinco da manhã (não lembro), depois do terceiro bar. acho que estou revendo meu conceito de intelectual. e quem sabe faço essa i.c., emendo uma pós-qualquer coisa, um doutorado mais migué da história, e enfim largo o serviço braçal e me retenho a ficar na beira de uma piscina, bebendo uísque e analisando "porque o Brasil não anda efetivamente pra frente" ou qualquer bobagem assim. estilo Arnaldo Jabor.
imagina minhas pseudo-crônicas no meio do Jornal Nacional? eu, com a maior cara lavada, inventando várias histórias, buscando uns absurdos do dia-a-dia pra justificar e fazendo metade da população fielmente acreditar em mim. a outra metade vai ficar ressabiada até eu dar uma entrevista nas páginas amarelas da Veja, e me tornar um "não-candidato" que não faria propaganda e ... desencana...
meu complexo de inferioridade de estagiário me faz viajar de vez em quando.
eu tenho que parar com essa mania de escrever umas coisas pessoais... era para eu escrever minhas teses sem apreço científico-acadêmico, de "vida" mesmo... uahuahuah
parei então.
tchau-tchau-tchau-tchau
vou demorar muito pra voltar a escrever, a não ser que aconteça algo engraçadíssimo no feriadão. tipo uns anões de farda desfilando no sete de setembro...
PS: lembrei o que eu ia dizer no Jornal Nacional. explicaria como "emendar" o feriado foi a base constitutiva da miscigenação brasileira, tão rica e frutífera. com mais tempo de folga pudemos aproveitar bem mais em festas e confraternizações do que trabalhando. e vocês sabem como festas são estimulantes. no final das contas sugeriria que o MinC tombasse a emenda de feriado como patrimônio cultural, sendo passível de cadeia o patrão que inventasse de pôr funcionário pra trabalhar no feriadão. Emendar o feriado é cultura, e cultura é bom. basicamente isso. vote em mim.
enfim, na verdade minha pseudo-ausência (já que mantenho uma regularidade nunca dantes mantida) se dá porque a única idéia que tenho pra escrever é sobre o meu simpaticíssimo patrão, sobre o real significado do trabalho na sociedade, sobre a nova classe de peão que se emancipou do canteiro de obra e foi calhar na frente de um computador e enfim... mas não posso porque o meu patrão, querendo se 'atualizar' queria saber sobre blogs e perguntou se eu tinha um, e bem, eu não pude negar. eu não minto mais desde aquele incidente em Copacabana envolvendo um gringo, uma falso aleijado e um câmbio-financeiro ambulante.
pois bem, a minha tese sobre uma busca etimológica de patrão como "aquele que detém a razão ad eternum' não poderá mais ser desenvolvida.
e todas as coisas engraçadas que acontecem lá na 'firma' serão negligenciadas.
a não ser que eu faça um outro blog só pra isso! mas ter mais de um blog é demais. daqui há pouco vou estar fantasiado fazendo plantão em fila de estréia do Star Wars III ou quem sabe numa feira de nano-tecnologia-galática (seja lá o que signifique 'nano').
mas eu penso que até pode ter sucesso um blog, onde as pessoas usem pseudônimos (ninguém merece perder o emprego por causa de blog) pra falarem mal de seus chefes e compartilhar frustrações e etc, mas sem o tom de auto-ajuda, lógico. eu escreveria várias engraçadíssimas.
então combinado, se alguém fizer eu já tenho uma coisa pra escrever.
não precisa ser umas coisas enormes, só umas coisas bestas do cotidiano, só um parágrafo, tipo:
"De como meu chefe consegue se contradizer em em apenas dois minutos" ou,
"Porque o meu chefe insiste em usar termos em inglês, com uma pronúncia ridícula em momentos inapropriados?" ou,
"Porque os corinthianos reclamam do Kia?" ou ainda,
"Como ele conseguiu ser dono disso tudo se ele ainda não aprendeu a mexer no mouse".
ou esse "Será que pelo fato dele ser meu pai eu também posso falar desse jeito com os outros?"
sei lá, usem a criatividade e desenvolvam, e me avisem.
a gravidade da situação é tanta, que faz umas duas semanas que não vou ao samba.
tá certo que eu até iria na outra semana, mas encontrei um velho amigo, apliquei aquela desculpa que eu comentei aqui já, e explodi a largada e fui dormi.
ah, falando em patrão, lembrei do meu professor (e se Deus quiser, meu futuro orientador da minha i.c.) enquanto meu chefe, bem, age como meu chefe, meu professor-orientador foi tomar uma cervejinha de sexta à noite comigo e no final das contas fui deixar ele em casa lá pelas quatro ou cinco da manhã (não lembro), depois do terceiro bar. acho que estou revendo meu conceito de intelectual. e quem sabe faço essa i.c., emendo uma pós-qualquer coisa, um doutorado mais migué da história, e enfim largo o serviço braçal e me retenho a ficar na beira de uma piscina, bebendo uísque e analisando "porque o Brasil não anda efetivamente pra frente" ou qualquer bobagem assim. estilo Arnaldo Jabor.
imagina minhas pseudo-crônicas no meio do Jornal Nacional? eu, com a maior cara lavada, inventando várias histórias, buscando uns absurdos do dia-a-dia pra justificar e fazendo metade da população fielmente acreditar em mim. a outra metade vai ficar ressabiada até eu dar uma entrevista nas páginas amarelas da Veja, e me tornar um "não-candidato" que não faria propaganda e ... desencana...
meu complexo de inferioridade de estagiário me faz viajar de vez em quando.
eu tenho que parar com essa mania de escrever umas coisas pessoais... era para eu escrever minhas teses sem apreço científico-acadêmico, de "vida" mesmo... uahuahuah
parei então.
tchau-tchau-tchau-tchau
vou demorar muito pra voltar a escrever, a não ser que aconteça algo engraçadíssimo no feriadão. tipo uns anões de farda desfilando no sete de setembro...
PS: lembrei o que eu ia dizer no Jornal Nacional. explicaria como "emendar" o feriado foi a base constitutiva da miscigenação brasileira, tão rica e frutífera. com mais tempo de folga pudemos aproveitar bem mais em festas e confraternizações do que trabalhando. e vocês sabem como festas são estimulantes. no final das contas sugeriria que o MinC tombasse a emenda de feriado como patrimônio cultural, sendo passível de cadeia o patrão que inventasse de pôr funcionário pra trabalhar no feriadão. Emendar o feriado é cultura, e cultura é bom. basicamente isso. vote em mim.
sábado, setembro 02, 2006
motivo de ausência, meu desenvolvimento do meu projeto da i.c.
1. Delimitação e Problematização do tema
1.1. Individualidade e produção massiva de artefatos culturais
A Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Assim sentenciam Theodor W. Adorno e Max Horkheimer (1985) sobre a conseqüência da produção massiva de artefatos culturais no início do século XX. A ênfase no domínio da razão humana Iluminista, contribui para a sustentação, quase doutrinária, da razão técnica. A ascensão das relações capitalistas de produção, através da implementação da produção fordista alienante, com um único objetivo de tornar tudo e a todos coisas vendáveis, tem como resultado um embrutecimento da sensibilidade, onde o original é descartado e reduzido à mediocridade padronizada. Nas palavras dos autores da Escola de Frankfurt:
“A técnica da indústria cultural levou apenas à padronização e à produção em série, sacrificando o que fazia a diferença entre a lógica da obra e a do sistema social. Isso, porém, não deve ser atribuído a nenhuma lei evolutiva da técnica enquanto tal, mas á sua função na economia atual.” (Adorno & Horkheimer, 1985: 114)
Neste contexto de homens-objetos, a ação individual, dissociada de nexos de sentido mais profundos, emerge como a marca característica do comportamento humano no último século.
Adorno ainda salienta que o próprio lazer se torna uma extensão do trabalho e da ideologia dominante vigente (sustentada por esta Indústria Cultural), onde se divertir é estar de acordo com este sistema de caráter fugidio, e uma forma de idiotizar-se. Se a humanidade sempre foi guiada por fortes sentimentos religiosos, patrióticos ou familiares, agora se vê imersa num auto-engano produzido em escala massiva, exigindo a emancipação de seu valor-de-troca mediante o consumo aprazível e destituído de reflexão – ao menos à moda Iluminista.
Como o Capitalismo convive com a ameaça de uma superprodução (como a crise de 1929), o estímulo ao consumismo é imprescindível. Para tanto, o processo social de produção de auto-significação da existência, mediante o consumo individual dos valores e princípios norteadores da existência, vai acontecer na relação da comercialização de produtos, o que inevitavelmente gera uma crise no desenvolvimento de identificação. As tradicionais instituições que costumavam nortear a sociedade não se adaptam às transformações ocasionadas pela produção em massa e pelo “aqui-agora” postulado pelo Capitalismo. O vazio que fica vai sendo preenchido pela comunicação massiva e a mídia em geral, que como uma indústria qualquer, produz para a venda um produto: o comportamento, resultando na instituição do que Guy Debord chamou de Sociedade do Espetáculo (1997): isto é, uma sociedade cujas relações interpessoais são mediadas por imagens que se apresentam como algo superior à própria experiência empírica e material.
Essa condição produz e é produzida pela evolução tecnológica dos meios de transporte e comunicação, as quais diminuíram as distâncias geográficas, possibilitando a globalização da ideologia capitalista de consumo instantâneo, cuja forma de cultura é pasteurizada e homogeneizada. A sociedade já não sustenta suas significações baseadas em relações concretas, mas sim, em marcas. Como bem disse Debord (1997: 21-2), o espetáculo produzido pela mídia é o “totem” e a consciência religiosa de um mundo não-religioso,
“ele é seu próprio produto, e foi ele quem determinou as regras: é um pseudo-sagrado. Mostra o que ele é: o poder separado desenvolvendo-se em si mesmo, no crescimento da produtividade por meio do refinamento incessante da divisão do trabalho em gestos parcelares, dominados pelo movimento independente das máquinas; e trabalhando para um mercado cada vez mais ampliado. Toda comunidade e todo senso crítico dissolveram-se ao longo desse movimento, no qual as forças que conseguiram crescer ao se separar ainda não se encontram.” (Debord, 1997: 21-2)
O que se costuma chamar pós-modernidade é a crise generalizada que se vê a partir desta pseudo-autonomia que o ser humano possui, não mais controlado por valores ligados às tradicionais instituições, porém, absorto num imediatismo e num ritmo frenético de uma sub-locação produtiva, fragmentada, que vem aumentando as desigualdades sociais. Segundo Dany-Robert Dufour:
“Na tendência à dessimbolização em que presentemente vivemos, não é mais, com efeito, o sujeito crítico, colocando prioritariamente uma deliberação conduzida em nome do imperativo moral da liberdade, que convém, também não é o sujeito neurótico preso numa culpabilidade compulsiva, é um sujeito precário, acrítico e psicotizante que é doravante requerido – entendo por ‘psicotizante’ um sujeito aberto a todas as flutuações identitárias e, conseqüentemente, pronto para todas as conexões mercadológicas. O cerne do sujeito progressivamente dá lugar ao vazio do sujeito, um vazio aberto a todos os ventos.” (Dufuor, 2005: 21)
Impotente e narcísico, sem controle de seus desejos, este “novo” homem mediado por imagens e pelo acúmulo significativo de valores-de-troca, negligencia o passado, desprezando o futuro e consumindo o presente. É órfão de uma representatividade político-social, e submete-se àquilo que é estimulado e não questionado: a individualização no processo de criação de uma identidade própria, que por sua vez é comprada, usada e descartada, conforme a última tendência.
1.2. Publicidade e espetáculo: o caso do Banco Real
Esse consumismo desenfreado e sua conseqüente construção das referências unicamente individuais geram mal-estar com as condições de existência construídas – fato esse assinalado por vários pensadores, e mais diretamente por Zigmunt Bauman (1998). No entanto, os indivíduos podem “responder” a essa situação consumindo referências que denotem demandas éticas mais amplas, menos auto-centradas e politicamente corretos, como é o caso dos produtos e serviços ecologicamente corretos.
Vale notar que se trata de uma resposta que agencia alguns dos instrumentos de reforço à ordem social vigente, com as características predatórias e acima mencionadas, contra outros tantos elementos dessa mesma ordem. Mas não só isso, pois se trata também de uma estratégia de posicionamento de mercado, buscando chamar a atenção da opinião pública para sua marca/serviço através de medidas pertinentes ao desenvolvimento sustentável, por exemplo. Assim, muitas empresas socialmente responsáveis aplicam medidas para lidar com a inevitável degradação do meio-ambiente e simultaneamente reforçam aspectos das relações sociais – a busca pela obtenção ampliada de lucro, por exemplo – que contribuem para o incremento desse mesmo processo destrutivo.
O Banco Real foi pioneiro entre os bancos no Brasil a agir dessa forma. Sua missão é contribuir para o desenvolvimento econômico e social, formalizando um compromisso com a sociedade. Seu atual slogan, “fazendo mais que o impossível”, pressupõe uma empresa engajada na sustentabilidade dos recursos naturais, vinculadas à projetos sociais, e que em suas próprias palavras busca “uma relação mais equilibrada entre o lucro, as pessoas e o planeta.” Além da utilização de papel reciclado em larga escala e investir no uso inteligente dos recursos naturais, o Banco Real ganhou o prêmio World Business Awards por integrar a sustentabilidade nos negócios, associando assim a idéia de uma empresa preocupada com o futuro.
Assim, a questão que surge é a do alcance dessas medidas em termos de construção de imagem institucional – as campanhas publicitárias bastam para sedimentar essa imagem? – e de seus alcance em termos de modificação das atitudes por partes das pessoas atingidas por essas imagens.
1.1. Individualidade e produção massiva de artefatos culturais
A Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Assim sentenciam Theodor W. Adorno e Max Horkheimer (1985) sobre a conseqüência da produção massiva de artefatos culturais no início do século XX. A ênfase no domínio da razão humana Iluminista, contribui para a sustentação, quase doutrinária, da razão técnica. A ascensão das relações capitalistas de produção, através da implementação da produção fordista alienante, com um único objetivo de tornar tudo e a todos coisas vendáveis, tem como resultado um embrutecimento da sensibilidade, onde o original é descartado e reduzido à mediocridade padronizada. Nas palavras dos autores da Escola de Frankfurt:
“A técnica da indústria cultural levou apenas à padronização e à produção em série, sacrificando o que fazia a diferença entre a lógica da obra e a do sistema social. Isso, porém, não deve ser atribuído a nenhuma lei evolutiva da técnica enquanto tal, mas á sua função na economia atual.” (Adorno & Horkheimer, 1985: 114)
Neste contexto de homens-objetos, a ação individual, dissociada de nexos de sentido mais profundos, emerge como a marca característica do comportamento humano no último século.
Adorno ainda salienta que o próprio lazer se torna uma extensão do trabalho e da ideologia dominante vigente (sustentada por esta Indústria Cultural), onde se divertir é estar de acordo com este sistema de caráter fugidio, e uma forma de idiotizar-se. Se a humanidade sempre foi guiada por fortes sentimentos religiosos, patrióticos ou familiares, agora se vê imersa num auto-engano produzido em escala massiva, exigindo a emancipação de seu valor-de-troca mediante o consumo aprazível e destituído de reflexão – ao menos à moda Iluminista.
Como o Capitalismo convive com a ameaça de uma superprodução (como a crise de 1929), o estímulo ao consumismo é imprescindível. Para tanto, o processo social de produção de auto-significação da existência, mediante o consumo individual dos valores e princípios norteadores da existência, vai acontecer na relação da comercialização de produtos, o que inevitavelmente gera uma crise no desenvolvimento de identificação. As tradicionais instituições que costumavam nortear a sociedade não se adaptam às transformações ocasionadas pela produção em massa e pelo “aqui-agora” postulado pelo Capitalismo. O vazio que fica vai sendo preenchido pela comunicação massiva e a mídia em geral, que como uma indústria qualquer, produz para a venda um produto: o comportamento, resultando na instituição do que Guy Debord chamou de Sociedade do Espetáculo (1997): isto é, uma sociedade cujas relações interpessoais são mediadas por imagens que se apresentam como algo superior à própria experiência empírica e material.
Essa condição produz e é produzida pela evolução tecnológica dos meios de transporte e comunicação, as quais diminuíram as distâncias geográficas, possibilitando a globalização da ideologia capitalista de consumo instantâneo, cuja forma de cultura é pasteurizada e homogeneizada. A sociedade já não sustenta suas significações baseadas em relações concretas, mas sim, em marcas. Como bem disse Debord (1997: 21-2), o espetáculo produzido pela mídia é o “totem” e a consciência religiosa de um mundo não-religioso,
“ele é seu próprio produto, e foi ele quem determinou as regras: é um pseudo-sagrado. Mostra o que ele é: o poder separado desenvolvendo-se em si mesmo, no crescimento da produtividade por meio do refinamento incessante da divisão do trabalho em gestos parcelares, dominados pelo movimento independente das máquinas; e trabalhando para um mercado cada vez mais ampliado. Toda comunidade e todo senso crítico dissolveram-se ao longo desse movimento, no qual as forças que conseguiram crescer ao se separar ainda não se encontram.” (Debord, 1997: 21-2)
O que se costuma chamar pós-modernidade é a crise generalizada que se vê a partir desta pseudo-autonomia que o ser humano possui, não mais controlado por valores ligados às tradicionais instituições, porém, absorto num imediatismo e num ritmo frenético de uma sub-locação produtiva, fragmentada, que vem aumentando as desigualdades sociais. Segundo Dany-Robert Dufour:
“Na tendência à dessimbolização em que presentemente vivemos, não é mais, com efeito, o sujeito crítico, colocando prioritariamente uma deliberação conduzida em nome do imperativo moral da liberdade, que convém, também não é o sujeito neurótico preso numa culpabilidade compulsiva, é um sujeito precário, acrítico e psicotizante que é doravante requerido – entendo por ‘psicotizante’ um sujeito aberto a todas as flutuações identitárias e, conseqüentemente, pronto para todas as conexões mercadológicas. O cerne do sujeito progressivamente dá lugar ao vazio do sujeito, um vazio aberto a todos os ventos.” (Dufuor, 2005: 21)
Impotente e narcísico, sem controle de seus desejos, este “novo” homem mediado por imagens e pelo acúmulo significativo de valores-de-troca, negligencia o passado, desprezando o futuro e consumindo o presente. É órfão de uma representatividade político-social, e submete-se àquilo que é estimulado e não questionado: a individualização no processo de criação de uma identidade própria, que por sua vez é comprada, usada e descartada, conforme a última tendência.
1.2. Publicidade e espetáculo: o caso do Banco Real
Esse consumismo desenfreado e sua conseqüente construção das referências unicamente individuais geram mal-estar com as condições de existência construídas – fato esse assinalado por vários pensadores, e mais diretamente por Zigmunt Bauman (1998). No entanto, os indivíduos podem “responder” a essa situação consumindo referências que denotem demandas éticas mais amplas, menos auto-centradas e politicamente corretos, como é o caso dos produtos e serviços ecologicamente corretos.
Vale notar que se trata de uma resposta que agencia alguns dos instrumentos de reforço à ordem social vigente, com as características predatórias e acima mencionadas, contra outros tantos elementos dessa mesma ordem. Mas não só isso, pois se trata também de uma estratégia de posicionamento de mercado, buscando chamar a atenção da opinião pública para sua marca/serviço através de medidas pertinentes ao desenvolvimento sustentável, por exemplo. Assim, muitas empresas socialmente responsáveis aplicam medidas para lidar com a inevitável degradação do meio-ambiente e simultaneamente reforçam aspectos das relações sociais – a busca pela obtenção ampliada de lucro, por exemplo – que contribuem para o incremento desse mesmo processo destrutivo.
O Banco Real foi pioneiro entre os bancos no Brasil a agir dessa forma. Sua missão é contribuir para o desenvolvimento econômico e social, formalizando um compromisso com a sociedade. Seu atual slogan, “fazendo mais que o impossível”, pressupõe uma empresa engajada na sustentabilidade dos recursos naturais, vinculadas à projetos sociais, e que em suas próprias palavras busca “uma relação mais equilibrada entre o lucro, as pessoas e o planeta.” Além da utilização de papel reciclado em larga escala e investir no uso inteligente dos recursos naturais, o Banco Real ganhou o prêmio World Business Awards por integrar a sustentabilidade nos negócios, associando assim a idéia de uma empresa preocupada com o futuro.
Assim, a questão que surge é a do alcance dessas medidas em termos de construção de imagem institucional – as campanhas publicitárias bastam para sedimentar essa imagem? – e de seus alcance em termos de modificação das atitudes por partes das pessoas atingidas por essas imagens.
domingo, agosto 27, 2006
duas teorias, um maluco e nenhuma conclusão
eu sempre quis falar sobre a minha teoria da exceção, que tava acabando com qualquer tipo de projeto meu de sucesso social-profissional. Ela vem acompanhada da teoria dos 15 minutos, que no lugar de me reconhecer como um enrolado que vive atrasado, eu prefiro entender como um reforço social da brasilidade em sua essência mais anti-britânica, ou seja, pra tudo na vida, em suas devidas proporções de sazonidade e importância social, acredito que há uma tolerância recíproca de 15 minutos. pontualidade é mania de relógio, digital ainda, porque o meu da cozinha começa atrasar quando a pilha vai acabando. exatidão é coisa de máquina, mas deixa meu cabelereiro errar na simetria pra ver o escândalo que eu faço! uahuahuahauahuah
sério, depois da industrialização, da produção em massa, do modus operandi que a humanidade assumiu, a gente pegou a mania (mania mesmo, daqui há pouco passa, se Deus quiser!) de querer imitar as máquinas. bater cartão? só se for no centro, de um magnata distraído. parei com essas coisas, agora eu trabalho.
das últimas entrevistas que eu tinha feito, 4 de 5 eu apliquei a teoria dos 15 minutos. pensei comigo mesmo, "é Brasil, trânsito caótico. eles vão compreender, afinal, se eu trabalhar aqui vou com certeza chegar 15 minutos atrasados." bom, talvez eles não sejam tão brasileiros quanto eu. azar o deles, na minha rede do quintal só cabe uma pessoa mesmo. Curiosamente este estágio que eu consegui agora não houve uma combinação militar do horário pra entrevista. foi mais um "passa aqui daqui uma hora".
agora, a teoria da exceção é quase infalível. seja criativo e pense num motivo pra você fazer algo muito mais prazeroso ( e despendioso $$$) do que normalmente você faria. é simples, abuse de alguma situação explicando pra sua consciência (que provavelmente está sendo enviada pra cama mais cedo pela álcool. sempre tem cerveja a história.) que "faz tempo que você não via ele", "só hoje", ou "tô confiante que vou conseguir aquele trampo, depois eu pago".
Depois da terceira cerveja, de fato estamos quimicamente mais confiantes pra fazer qualquer coisa. foi assim que a minha mãe casou com o meu pai e o Lula deixou de ser operário pra virar político, mas no caso dele era pinga. brincadeira.
eu por exemplo já usei pra mim mesmo todos argumentos possíveis pra justificar baladas de segunda-feira, cheque especial e minas feias. uahuahuahauhauha... tô brincando, nada de minas feias. (perco a própria moral mas não perco a piada! humor antropofágico!)
e assim eu fui minando as possibilidades de uma evolução técnico-intelectual, já que me atrasava pra tudo, quando não, deixava de fazer o mais "ponderado" no momento. rotina e responsabilidades são jogados pra escanteio. pode ser um complexo Peter-Pan. opa, mas criança não bebe! então esquece...
o pior que é uma mania quase intrínseca. com o trabalho e a faculdade você não tem tempo nem pra fazer bobagem (além da própria atividade de trabalhar) nem mesmo energia. você entra "nos eixos" à força. imaginando que meu comprimisso com o estudos, que está ligado à uma atividade prazerosa, seria mantida nos fins-de-semana, pareceu-me, momentaneamente o fim da tese da exceção. pouco tempo, muitos compromisso. fazendo uso daquela cadernetinha pra fins de compromissos chamada a-g-e-n-d-a.
pois é, mas como a vida é interassante exatamente por não ser lógica-racional -- como o Henry Ford gostaria que fosse -- a tese continua em pé. semana passada driblei os deveres e aplique a tese com um argumento fácil "aniversário do cara, pô. uma vez por ano". agora esse sábado que até o meio-dia, uma hora, tinha uma programação cultural, se resumiu a passar vontade em ver incríveis e coloridos tênis de futsal e se contentar comprando um simplão, pra uma pelada meia-boca no fim da tarde com grandes amigos. ah, eu usei esse argumento também "pô Rafa, os caras são como irmãos pra você. aproveita o tempo que você tem com eles". uahuahuauaha usei mesmo. e fui terminar meu trabalho da facul lá pela meia-noite.
é justo. já tinha bebido a cerveja do sábado numa exceção na quinta. nesse dia o argumento foi "ah, já que estou aqui mesmo...", emendando um "você trabalhou a semana inteira, você merece vai...".
e assim vou levando a vida. David Harvey fala da nossa sociedade da acumulação flexível e desregulamentação do processo produtivo. faz sentido, sou bem flexível na acumulação de coisas e acredito que levo a sério a desregulamentação. até porque o que é regulamentado geralmente não é a meu favor.
falando em pós-modernidade, tem essa rapidinha.
tudo te estimula a ser o primeiro ou o melhor. se é que existe algum "número 1" por aí, evidente que não sou eu. desencanei de ser o the best. tentei o caminho contrário: ser o anti-melhor-anti-herói (estilo Jean-Paul Belmondo no Acossado); o importante é ser (ou aparentar ser, já que estamos no século XXI) o "mais" em alguma coisa. buenas, depois de naufragar alguns relacioamentos pessoais, comecei a questionar a minha razão, e em alguns momentos, pensei na possibilidade de eu ser meio doido mesmo. daí, numa bela manhã, eu abro o jornal e leio uma matéria sobre um cara que seqüestrou uma menina de 10 anos e a trancou no porão por oito anos. mano, eu sou o louco? impossível competir com uns caras desses.
é, é isso mesmo. esse é o problema dessa sociedade pós-moderna refém das grandes corporações: competição desleal.
então tá. todos os comentários chulos são brincadeiras, e todos os argumentos de exceção são verdadeiros mesmo. é uma conversa difícil que eu tenho que ter com a minha consciência. antes do primeiro copo é preciso de bons argumentos aristotélicos pra persuadi-la.
é possível uma revogação da lei teoria da exceção, porém, a teoria dos 15 minutos, continua intacta.
só não páro de beber porque senão não teria mais nada pra escrever aqui.
isso que eu poupo vocês das piores histórias. (sei lá, meu irmão lê isso aqui, e vocês sabem, ele conhece minha mãe).
já dizia a carroceria de um caminhão:
"todo mundo vê as pingas que eu tomo, niguém vê os tombos que eu levo."
sério, depois da industrialização, da produção em massa, do modus operandi que a humanidade assumiu, a gente pegou a mania (mania mesmo, daqui há pouco passa, se Deus quiser!) de querer imitar as máquinas. bater cartão? só se for no centro, de um magnata distraído. parei com essas coisas, agora eu trabalho.
das últimas entrevistas que eu tinha feito, 4 de 5 eu apliquei a teoria dos 15 minutos. pensei comigo mesmo, "é Brasil, trânsito caótico. eles vão compreender, afinal, se eu trabalhar aqui vou com certeza chegar 15 minutos atrasados." bom, talvez eles não sejam tão brasileiros quanto eu. azar o deles, na minha rede do quintal só cabe uma pessoa mesmo. Curiosamente este estágio que eu consegui agora não houve uma combinação militar do horário pra entrevista. foi mais um "passa aqui daqui uma hora".
agora, a teoria da exceção é quase infalível. seja criativo e pense num motivo pra você fazer algo muito mais prazeroso ( e despendioso $$$) do que normalmente você faria. é simples, abuse de alguma situação explicando pra sua consciência (que provavelmente está sendo enviada pra cama mais cedo pela álcool. sempre tem cerveja a história.) que "faz tempo que você não via ele", "só hoje", ou "tô confiante que vou conseguir aquele trampo, depois eu pago".
Depois da terceira cerveja, de fato estamos quimicamente mais confiantes pra fazer qualquer coisa. foi assim que a minha mãe casou com o meu pai e o Lula deixou de ser operário pra virar político, mas no caso dele era pinga. brincadeira.
eu por exemplo já usei pra mim mesmo todos argumentos possíveis pra justificar baladas de segunda-feira, cheque especial e minas feias. uahuahuahauhauha... tô brincando, nada de minas feias. (perco a própria moral mas não perco a piada! humor antropofágico!)
e assim eu fui minando as possibilidades de uma evolução técnico-intelectual, já que me atrasava pra tudo, quando não, deixava de fazer o mais "ponderado" no momento. rotina e responsabilidades são jogados pra escanteio. pode ser um complexo Peter-Pan. opa, mas criança não bebe! então esquece...
o pior que é uma mania quase intrínseca. com o trabalho e a faculdade você não tem tempo nem pra fazer bobagem (além da própria atividade de trabalhar) nem mesmo energia. você entra "nos eixos" à força. imaginando que meu comprimisso com o estudos, que está ligado à uma atividade prazerosa, seria mantida nos fins-de-semana, pareceu-me, momentaneamente o fim da tese da exceção. pouco tempo, muitos compromisso. fazendo uso daquela cadernetinha pra fins de compromissos chamada a-g-e-n-d-a.
pois é, mas como a vida é interassante exatamente por não ser lógica-racional -- como o Henry Ford gostaria que fosse -- a tese continua em pé. semana passada driblei os deveres e aplique a tese com um argumento fácil "aniversário do cara, pô. uma vez por ano". agora esse sábado que até o meio-dia, uma hora, tinha uma programação cultural, se resumiu a passar vontade em ver incríveis e coloridos tênis de futsal e se contentar comprando um simplão, pra uma pelada meia-boca no fim da tarde com grandes amigos. ah, eu usei esse argumento também "pô Rafa, os caras são como irmãos pra você. aproveita o tempo que você tem com eles". uahuahuauaha usei mesmo. e fui terminar meu trabalho da facul lá pela meia-noite.
é justo. já tinha bebido a cerveja do sábado numa exceção na quinta. nesse dia o argumento foi "ah, já que estou aqui mesmo...", emendando um "você trabalhou a semana inteira, você merece vai...".
e assim vou levando a vida. David Harvey fala da nossa sociedade da acumulação flexível e desregulamentação do processo produtivo. faz sentido, sou bem flexível na acumulação de coisas e acredito que levo a sério a desregulamentação. até porque o que é regulamentado geralmente não é a meu favor.
falando em pós-modernidade, tem essa rapidinha.
tudo te estimula a ser o primeiro ou o melhor. se é que existe algum "número 1" por aí, evidente que não sou eu. desencanei de ser o the best. tentei o caminho contrário: ser o anti-melhor-anti-herói (estilo Jean-Paul Belmondo no Acossado); o importante é ser (ou aparentar ser, já que estamos no século XXI) o "mais" em alguma coisa. buenas, depois de naufragar alguns relacioamentos pessoais, comecei a questionar a minha razão, e em alguns momentos, pensei na possibilidade de eu ser meio doido mesmo. daí, numa bela manhã, eu abro o jornal e leio uma matéria sobre um cara que seqüestrou uma menina de 10 anos e a trancou no porão por oito anos. mano, eu sou o louco? impossível competir com uns caras desses.
é, é isso mesmo. esse é o problema dessa sociedade pós-moderna refém das grandes corporações: competição desleal.
então tá. todos os comentários chulos são brincadeiras, e todos os argumentos de exceção são verdadeiros mesmo. é uma conversa difícil que eu tenho que ter com a minha consciência. antes do primeiro copo é preciso de bons argumentos aristotélicos pra persuadi-la.
é possível uma revogação da lei teoria da exceção, porém, a teoria dos 15 minutos, continua intacta.
só não páro de beber porque senão não teria mais nada pra escrever aqui.
isso que eu poupo vocês das piores histórias. (sei lá, meu irmão lê isso aqui, e vocês sabem, ele conhece minha mãe).
já dizia a carroceria de um caminhão:
"todo mundo vê as pingas que eu tomo, niguém vê os tombos que eu levo."
quinta-feira, agosto 24, 2006
adoro os comentários que me deixam. primeiro porque eu fico pensando, pelo jeito de escrever, de quem pode ser. depois porque, como provavelmente é de algum conhecido, o recado é meio fragmentado, tipo um comentário de alguma possível conversa que já 'tivemos', mas que, para eu lendo, não faz muito sentido. tudo bem, desde que o ser humano trocou o sermão e a igreja pela televisão e a sala-de-estar, respectivamente, as coisas não fazem (e talvez nem precisem fazer) muito sentido.
:::
agora que minha força de trabalho foi apropriada mais-valiamente pelo meu íntimo explorador, no caso o meu patrão (só falo assim pra agradar meu pai), eu não tenho tempo de escrever grandes textos (caracteresmente falando). Vivo de bicos e pontas-de-estoques.
a pseudo-crônica sofre do mal-estar pós-moderno da fragmentação generalizada. é uma praga trotskista! uahuahuahuahauha
:::
depois de tentar morder a própria testa, com certeza trabalhar é a coisa mais estúpida a se fazer, parte I:
eu sei que eu não sou o cara que acorda mais cedo na cidade pra ir trabalhar. eu respeito muito os padeiros e os motoristas de ônibus. mas sair da cama com 10 graus centígrados pra ir trabalhar é muita provocação. quando a CET não tem que entrar no meu quarto pra me guinchar da cama, eu tento o método do origami: me desdobro pra cima, depois me desdobro pro lado, junto a ponta de A com a ponta de B, me espreguiço, me acostumo com a parte mais fria da cama, gemo, rogo pragas, lembro das contas a serem pagas, e que também que não tem nada de bom pra se ver na TV de manhã, respiro fundo e vou pro chuveiro. o banho é uma novela a parte. quando você descobre o meio termo entre descamação da pele pela água quente e a fria temperatura de fora, o efeito é bem parecido com o "debaixo do cobertor". aí eu preciso usar outros métodos psicológicos de impulso laborial.
falando em desperdiçar água, eu tava pensando que, se o ser humano bebesse em água apenas metade do que ele bebe em café e cerveja, o problema de abastecimento seria muito mais grave. o café só é uma bebida romântica quando se está em PAris, sentado, lendo o Le Monde, fazendo um bico pra alguma coisa, e claro, fedendo porque você é um europeu que não toma banho periodicamente. agora, no dia-a-dia o café é a droguinha que deixa a gente em pé.
vicia o suficiente pra precisarmos todos os dias, mas não o bastante pra você deixar de trablhar pra comprar mais café, ou sei lá, vender as bijouterias da sua mãe pra comprar de madrugada. se bem que eu já vi casos parecidos com coca-cola.
dia de semana: café-café-café.
fim de semana: cerveja-cerveja-cerveja.
algum dia de manhã ou meio-dia de um domingo: àgua-àgua- pra se recuperar.
daqui uns cem anos aposto que a gente vai desenvolver um órgão só pra digerir café, e o fígado vai ser descartável. vai vender fígado nas Casas Bahia, e o pentelho lá vai ficar perguntando: "quer beber quanto?!"
imagina, comprar uns fígados zuados no camelô?
-- vim trocar meu fígado, aquele que você me vendeu veio com cirrose.
uns fígado feito na CHina!
sabe que por dinheiro chinês faz/vende/produz/rouba/inventa qualquer coisa né?
sorte que meu yakissoba é sem carne.
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agora que minha força de trabalho foi apropriada mais-valiamente pelo meu íntimo explorador, no caso o meu patrão (só falo assim pra agradar meu pai), eu não tenho tempo de escrever grandes textos (caracteresmente falando). Vivo de bicos e pontas-de-estoques.
a pseudo-crônica sofre do mal-estar pós-moderno da fragmentação generalizada. é uma praga trotskista! uahuahuahuahauha
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depois de tentar morder a própria testa, com certeza trabalhar é a coisa mais estúpida a se fazer, parte I:
eu sei que eu não sou o cara que acorda mais cedo na cidade pra ir trabalhar. eu respeito muito os padeiros e os motoristas de ônibus. mas sair da cama com 10 graus centígrados pra ir trabalhar é muita provocação. quando a CET não tem que entrar no meu quarto pra me guinchar da cama, eu tento o método do origami: me desdobro pra cima, depois me desdobro pro lado, junto a ponta de A com a ponta de B, me espreguiço, me acostumo com a parte mais fria da cama, gemo, rogo pragas, lembro das contas a serem pagas, e que também que não tem nada de bom pra se ver na TV de manhã, respiro fundo e vou pro chuveiro. o banho é uma novela a parte. quando você descobre o meio termo entre descamação da pele pela água quente e a fria temperatura de fora, o efeito é bem parecido com o "debaixo do cobertor". aí eu preciso usar outros métodos psicológicos de impulso laborial.
falando em desperdiçar água, eu tava pensando que, se o ser humano bebesse em água apenas metade do que ele bebe em café e cerveja, o problema de abastecimento seria muito mais grave. o café só é uma bebida romântica quando se está em PAris, sentado, lendo o Le Monde, fazendo um bico pra alguma coisa, e claro, fedendo porque você é um europeu que não toma banho periodicamente. agora, no dia-a-dia o café é a droguinha que deixa a gente em pé.
vicia o suficiente pra precisarmos todos os dias, mas não o bastante pra você deixar de trablhar pra comprar mais café, ou sei lá, vender as bijouterias da sua mãe pra comprar de madrugada. se bem que eu já vi casos parecidos com coca-cola.
dia de semana: café-café-café.
fim de semana: cerveja-cerveja-cerveja.
algum dia de manhã ou meio-dia de um domingo: àgua-àgua- pra se recuperar.
daqui uns cem anos aposto que a gente vai desenvolver um órgão só pra digerir café, e o fígado vai ser descartável. vai vender fígado nas Casas Bahia, e o pentelho lá vai ficar perguntando: "quer beber quanto?!"
imagina, comprar uns fígados zuados no camelô?
-- vim trocar meu fígado, aquele que você me vendeu veio com cirrose.
uns fígado feito na CHina!
sabe que por dinheiro chinês faz/vende/produz/rouba/inventa qualquer coisa né?
sorte que meu yakissoba é sem carne.
domingo, agosto 20, 2006
rapidinhas so samba 1:
semana passada meu professor passou o filme "Rio Zona Norte", que fala sobre o samba do morro indo pra gravadora. E é muito bom por sinal, e no final ele falou um pouco sobre o "jeitinho" brasileiro, seus lados positivos e negativos (tinha a ver com o filme). Depois disso, acabei indo pra uma balada meio de samba, chorinho e coisas brasileiras em geral que a gente, que temos certeza que temos bom gosto, gosta. Daí entra o "jeitinho" brasileiro, nada mais correto do que num samba. Vindo direto da faculdade num ímpeto consumista, ainda estava de mochila, e meu amigo de mala e uma câmera de vídeo alugada da faculdade. Sem dinheiro pra gastar na chapelaria, na conversa, "guardamos" nossas coisas de baixo de uma mesa de um carrinho de cachorro-quente que tem dentro da balada. Saí aos pulos, e mais uma vez, acreditei que ali estava a gênese do comportamento brasileiro, e ali eu consumava a minha identidade nacional. Agradeci a gentileza, e fiquei com um sorrisão na cara. Economizado o dinheiro da chapelaria o mais óbvio é gastar em cerveja, já que aparentemente é pra isso que os jovens vivem. Daí entra o jeitinho brasileiro parte II: sabe-se lá porquê, a irreverência natural brasileira, quase que uma alegria e criatividade genética, nos impede de raciocinar de como uma fila indiana, por mais que pareça cumprida, funciona mais que um aglomerado de gente espremida na frente de um guichê. Claro que o dono da balada, como eu, querendo economizar também, resolveu deixar apenas um atendente no guichê que vendia ficha pra cerveja. E claro que levou mais de meia-hora pro meu amigo comprar uma ficha, porque eu dei "um forte abraço" e saí daquela muvuca. Moral da história: o jeitinho é um saco paradoxal, economizei e não pude gastar. a não ser que gastasse toda minha paciência naquela fila. Mas vocês sabem que "eu trabalhei a semana inteira, também sou filho de Deus" e que mané pegar fila em balada...
rapidinhas do samba 2:
falando em coisa paradoxais ou contradições engraçadas, se preferir, o samba tem mais uma.
após eu ser expulso de uma festa porque não cumprimentei direito o dono (eu falei o meu nome sem olhar na cara dele: claro que eu não sabia que ele era o dono!) no caminho a ser expulso fiz uma mea-culpa à la brasilis e na porta ele mudou de idéia e deixou a gente voltar e beber um montão de cerveja que tinha na festa dele. Bebi tanto na sexta (até porque a festa do cara era só cerveja, não tinha mais nada de interessane) que no sábado estava tatuado na minha cara: perdoe-me meu cheiro, estou numa ressaca colossal. Mas não é que no sábado tinha um aniversário de um grande amigo meu num samba conhecido e eu tive que ir? Tive mesmo. Daí, por incrível que pareça, fiquei só na agüinha que nem um gringo desenturmado. Até bater aquela fominha (pois de ressaca não como nada), e eu mandei ver um caldinho-de-feijão-delícia. Que coisa! A ressaca passou, e eu voltei a beber. E assim fecha o ciclo: sambe-beba-dor-de-cabeça-sambe-cure-beba-sambe-novamente. Claro que sambar, para mim, significa acompanhar de um modo discreto e contido as batidas mais forte do surdo, que são as mais simples do samba.
Moral da história 2: o samba e esse nosso jeitinho, são, de fato, a síntese do povo brasileiro (pelo menos o povo brasileiro que passa na TV): ajuda e atrapalha, é a cura e a doença ao mesmo tempo. A gente se vangloria individualmente da parte boa das malandragenzinhas, e resmungamos coletivamente do lado ruim do jeitinho. Individualmente a gente dá um jeito de não ter que votar, e coletivamente a gente lamenta estar num sitema onde os caras de gravata de Brasília consigam tirar nosso dinheiro sem nenhum esforço e amparados pelo COnstituição.
A gente, literalmente, dança. Todos os dias.
semana passada meu professor passou o filme "Rio Zona Norte", que fala sobre o samba do morro indo pra gravadora. E é muito bom por sinal, e no final ele falou um pouco sobre o "jeitinho" brasileiro, seus lados positivos e negativos (tinha a ver com o filme). Depois disso, acabei indo pra uma balada meio de samba, chorinho e coisas brasileiras em geral que a gente, que temos certeza que temos bom gosto, gosta. Daí entra o "jeitinho" brasileiro, nada mais correto do que num samba. Vindo direto da faculdade num ímpeto consumista, ainda estava de mochila, e meu amigo de mala e uma câmera de vídeo alugada da faculdade. Sem dinheiro pra gastar na chapelaria, na conversa, "guardamos" nossas coisas de baixo de uma mesa de um carrinho de cachorro-quente que tem dentro da balada. Saí aos pulos, e mais uma vez, acreditei que ali estava a gênese do comportamento brasileiro, e ali eu consumava a minha identidade nacional. Agradeci a gentileza, e fiquei com um sorrisão na cara. Economizado o dinheiro da chapelaria o mais óbvio é gastar em cerveja, já que aparentemente é pra isso que os jovens vivem. Daí entra o jeitinho brasileiro parte II: sabe-se lá porquê, a irreverência natural brasileira, quase que uma alegria e criatividade genética, nos impede de raciocinar de como uma fila indiana, por mais que pareça cumprida, funciona mais que um aglomerado de gente espremida na frente de um guichê. Claro que o dono da balada, como eu, querendo economizar também, resolveu deixar apenas um atendente no guichê que vendia ficha pra cerveja. E claro que levou mais de meia-hora pro meu amigo comprar uma ficha, porque eu dei "um forte abraço" e saí daquela muvuca. Moral da história: o jeitinho é um saco paradoxal, economizei e não pude gastar. a não ser que gastasse toda minha paciência naquela fila. Mas vocês sabem que "eu trabalhei a semana inteira, também sou filho de Deus" e que mané pegar fila em balada...
rapidinhas do samba 2:
falando em coisa paradoxais ou contradições engraçadas, se preferir, o samba tem mais uma.
após eu ser expulso de uma festa porque não cumprimentei direito o dono (eu falei o meu nome sem olhar na cara dele: claro que eu não sabia que ele era o dono!) no caminho a ser expulso fiz uma mea-culpa à la brasilis e na porta ele mudou de idéia e deixou a gente voltar e beber um montão de cerveja que tinha na festa dele. Bebi tanto na sexta (até porque a festa do cara era só cerveja, não tinha mais nada de interessane) que no sábado estava tatuado na minha cara: perdoe-me meu cheiro, estou numa ressaca colossal. Mas não é que no sábado tinha um aniversário de um grande amigo meu num samba conhecido e eu tive que ir? Tive mesmo. Daí, por incrível que pareça, fiquei só na agüinha que nem um gringo desenturmado. Até bater aquela fominha (pois de ressaca não como nada), e eu mandei ver um caldinho-de-feijão-delícia. Que coisa! A ressaca passou, e eu voltei a beber. E assim fecha o ciclo: sambe-beba-dor-de-cabeça-sambe-cure-beba-sambe-novamente. Claro que sambar, para mim, significa acompanhar de um modo discreto e contido as batidas mais forte do surdo, que são as mais simples do samba.
Moral da história 2: o samba e esse nosso jeitinho, são, de fato, a síntese do povo brasileiro (pelo menos o povo brasileiro que passa na TV): ajuda e atrapalha, é a cura e a doença ao mesmo tempo. A gente se vangloria individualmente da parte boa das malandragenzinhas, e resmungamos coletivamente do lado ruim do jeitinho. Individualmente a gente dá um jeito de não ter que votar, e coletivamente a gente lamenta estar num sitema onde os caras de gravata de Brasília consigam tirar nosso dinheiro sem nenhum esforço e amparados pelo COnstituição.
A gente, literalmente, dança. Todos os dias.
domingo, agosto 13, 2006
cooptado pelo sistema - afinal, cerveja não se paga sozinha
o problema mesmo foi quando alguém resolveu nomear o trabalho como entidade transcedental de auto-realização supra-humana. como se tivéssemos uma ânsia ontológica ao trabalho. eu até diria que isto é ideologia 'tio patinhas', algo ligado à culpa judaico-cristã, porém os japoneses com aquela mania deles de serem ultra-trabalhadores joga minha teses pelo ralo. o pior é que até os clássicos inimigos do capitalismo (os vermelhos) também defendem o trabalho como 'forma de emancipação' ou talvez de 'formação social' ou, sei lá, algo do gênero, não lembro o título da cartilha que me deram.
lembro que lá pelos 16 anos, onde eu apenas ia pro colégio de manhã e nadava/malhava/dormia na rede à tarde, meu irmão mais velho me deu um texto do Engels pra ler. Se chamava algo do tipo 'como o trabalho transforma o macaco em ser humano'. li, li, não entendi muita coisa, e continuei na mesma. macaco é macaco, ser humano é ser humano e trabalhar continua sendo um saco. minha sorte foi que, movido por sentimentos profundos, distraído pelos livros de casa, topei com uma clássico, que pelo título me cativou: O Direito à Preguiça, do já citado aqui, Paul Lafargue. me tornei imune à ideologia do trabalho e ao próprio trabalho em si.
pois bem. então o trabalho, sabe-se lá porquê, é um tipo de benção social. agora dizer que é natural já é provocação. os próprios índios brasileiros não tinham essa concepção. não trabalhavam pra acumular excedente (tudo em excesso faz mal, já dizia minha mãe), nem tinham Estado pra se subordinarem. trabalhavam só o necessário. talvez por isso foram dizimados: mão-de-obra-barata-porém conscientemente-desqualificada.
acho que o índio brasileiro está para os colonizadores assim como o lúmpen está para os comunistas...
meu ponto é o seguinte: se eu acordo cedo, faço alguma atividade, e ao meio-da eu almoço, logo em seguida eu tenho vontade de DORMIR e não de trabalhar! natural é a sesta, não o trabalho!
é uma palhaçada a sesta não estar na Constituição. por isso o país não vai pra frente.
enfim. contrariando todas as expectativas, fazendo o DowJOnes e a Bovespa despencarem em suas ações, eu, que vos escrevo, voltei a trabalhar, depois de um período de férias, e um migué na Prefeitura.
você percebe que leva jeito pra coisa logo de cara: no segundo dia de trabalho meu colega disse que eu devia morar no Rio de Janeiro.
e trabalhar é aquele parodoxozinho: desempregado você tem tempo pra estudar um monte de coisa, mas não tem meios ($$$) de aplicar. trabalhando você obtém os meios mas não tem mais tempo.
e a bebedeira no final-de-semana é consentida e aceita socialmente. não é mais um "porre existencial", você não tem mais tempo pra pensar nisso, é apenas um porre de "tô cansado".
a arte, o futebol, a música, agora foram preteridos pelo trabalho. fim-de-semana ainda preciso estudar e fazer trabalhos da faculdade (instuição e mental).
quase que minha psicóloga dança também. até ela foi prejudicada. na última sessão eu queria falar umas coisas mais existencialistas, até tristes, mas pra sair do trabalho e chegar à tempo lá, eu tive que, literalmente, ir correndo. a real é que eu comecei a liberar endorfina pelo atividade física e cheguei bem feliz na terapia. meu bom humor repentino não possibilitou analisar umas coisas meio tristes...uhauhauahuahauhauh
buenas. me voy, que amanhã é dia de branco (que nojo!).
é bem provável que eu demore um pouco mais pra escrever. espero voltar a escrever aida empregado. no fundo, no fundo, eu tenho receio do meu chefe descobrir logo que eu sou uma farsa.
enquanto isso continua a dialética: trabalho pra beber x bebo porque trabalho.
tchau.
lembro que lá pelos 16 anos, onde eu apenas ia pro colégio de manhã e nadava/malhava/dormia na rede à tarde, meu irmão mais velho me deu um texto do Engels pra ler. Se chamava algo do tipo 'como o trabalho transforma o macaco em ser humano'. li, li, não entendi muita coisa, e continuei na mesma. macaco é macaco, ser humano é ser humano e trabalhar continua sendo um saco. minha sorte foi que, movido por sentimentos profundos, distraído pelos livros de casa, topei com uma clássico, que pelo título me cativou: O Direito à Preguiça, do já citado aqui, Paul Lafargue. me tornei imune à ideologia do trabalho e ao próprio trabalho em si.
pois bem. então o trabalho, sabe-se lá porquê, é um tipo de benção social. agora dizer que é natural já é provocação. os próprios índios brasileiros não tinham essa concepção. não trabalhavam pra acumular excedente (tudo em excesso faz mal, já dizia minha mãe), nem tinham Estado pra se subordinarem. trabalhavam só o necessário. talvez por isso foram dizimados: mão-de-obra-barata-porém conscientemente-desqualificada.
acho que o índio brasileiro está para os colonizadores assim como o lúmpen está para os comunistas...
meu ponto é o seguinte: se eu acordo cedo, faço alguma atividade, e ao meio-da eu almoço, logo em seguida eu tenho vontade de DORMIR e não de trabalhar! natural é a sesta, não o trabalho!
é uma palhaçada a sesta não estar na Constituição. por isso o país não vai pra frente.
enfim. contrariando todas as expectativas, fazendo o DowJOnes e a Bovespa despencarem em suas ações, eu, que vos escrevo, voltei a trabalhar, depois de um período de férias, e um migué na Prefeitura.
você percebe que leva jeito pra coisa logo de cara: no segundo dia de trabalho meu colega disse que eu devia morar no Rio de Janeiro.
e trabalhar é aquele parodoxozinho: desempregado você tem tempo pra estudar um monte de coisa, mas não tem meios ($$$) de aplicar. trabalhando você obtém os meios mas não tem mais tempo.
e a bebedeira no final-de-semana é consentida e aceita socialmente. não é mais um "porre existencial", você não tem mais tempo pra pensar nisso, é apenas um porre de "tô cansado".
a arte, o futebol, a música, agora foram preteridos pelo trabalho. fim-de-semana ainda preciso estudar e fazer trabalhos da faculdade (instuição e mental).
quase que minha psicóloga dança também. até ela foi prejudicada. na última sessão eu queria falar umas coisas mais existencialistas, até tristes, mas pra sair do trabalho e chegar à tempo lá, eu tive que, literalmente, ir correndo. a real é que eu comecei a liberar endorfina pelo atividade física e cheguei bem feliz na terapia. meu bom humor repentino não possibilitou analisar umas coisas meio tristes...uhauhauahuahauhauh
buenas. me voy, que amanhã é dia de branco (que nojo!).
é bem provável que eu demore um pouco mais pra escrever. espero voltar a escrever aida empregado. no fundo, no fundo, eu tenho receio do meu chefe descobrir logo que eu sou uma farsa.
enquanto isso continua a dialética: trabalho pra beber x bebo porque trabalho.
tchau.
quinta-feira, agosto 03, 2006
no Samba da Meirinha samba todo mundo
o samba não é dilema, é certeza. mas agora um tanto frustrante.
Na nossa megalópole, sempre que surge algo interessante (ainda mais quando se trata de balada) bastam dois meses e uma indicação do Guia de Fim-de-Semana da Folha pra bombar, estrumbar, custar o olho da cara, e por algum motivo estranho, desaparecer depois de um tempo.
o Ó do Borogodó era um muquifinho (ainda é). Uma garagem mal-ventilada (até um tempo atrás), nada demais. O som é ótimo, cerveja de garrafa e preço acessível quando se está trabalhando. De tão roots, virou cult, e agora tem fila dupla de carro estacionado na porta e os preços, ao contrário do samba tocado, não é a cara do Brasil. Foi-se (pelo menos pra mim).
Depois que eu descobri (tá bom vai, foi minha irmã que me apresentou) o Samba da Meirinha, pensei que eu era o cara do samba, da nata, filho prodigioso paulistano sambista da Velha Guarda da Barra Funda, Bixiga, herdeiro do samba de côco, do jongo, e de qualquer outra manisfestação pós-quilombola-moderna vigente hoje em dia.
O Smaba da Meirinha tem roda de samba de qualidade, bom repertório, qualidade de som e os preço são bem mais BRasil. Amo muito tudo isso.
Buenas, estou eu, todo orgulhoso da minha unicidade cultural, vinculada às manifestações mais ligadas às raizes brasileiras, pomposo e até esnobador (falei pra umas amigas: "fui num sambinha esquema na Vila, mas não posso te contar onde é..."), quando de repente, estou eu pegando a última CartaCapital com a Heloísa Helena na capa, começando a folhear, e PASMEM -- pois eu pasmei --, a primeira reportagem é sobre um samba, blá blá blá, da Meirinha, blá blá blá na Vila!
A reportagem também não disse onde era, pra preservar o "ambiente de amizade".
Meu reino por uma balada desconhecida.
Minha pompa, pose, e ar de sambista rare grooves, foi-se, junto com as minhas idas ao Ó.
O que eu pensava possuir de mais exclusivo é matéria nacional... esse mundo globalizado é uma merda.
Enfim, perdi meu recanto recluso quase exclusivo barato e bom. Agora todo mundo já sabe desse sambinha. Daqui há um ano aposto que vão estar aceitando cartão, e vai ter lugar pra "estacionar" o cachorro das madames. Sem contar um possível manobrista parado na porta.
bah... é bem provável que eu volte lá sábado que vem, mas com menos pose. Até desencanei de comprar um chapéu Panamá, e nem vou mais fumar cigarro de palha.
O Chico tava certo quando disse que perdeu a viagem à Lapa, que o malandro não existe mais.
Aliás, já contei a história de quando eu fui pro Rio, lá na LApa? De fato, o malandro não existe mais, mas o pedinte, existe à dar com pau!
O carioca não pode ver que você é turista que já vem te pedir coisa. Turista eu até era, mas do tipo "bem simples né". Todo mundo lá quer gorjeta, inclusive as pessoas que estão DO SEU LADO NA BALADA. uauhauahuahuahua
aconteceu uma história engraçada comigo e com meu amigo envolvendo petiscos, moedas e um leve desentendimento com a comunidade local! uauahauhauhauhauh
é sério. Pedir gorjeta é tipo patrimônio cultural no Rio. "Peço logo existo" tá escrito na entrada na Prefeitura.
nada contra os cariocas, é só uma crítica construtiva de uma pseudo-paulistano-com-inveja-do-samba-carioca-de-caráter-exclusivo. Eu adoro o Rio, pelo menos a Zona Sul e Santa Teresa. Só não moro no RIo porque lá a Pizza é uma farsa, as padarias não têm pães da hora, e o Campeonato Carioca é a segunda divisão do Campeonato Paulista. Se bem que o Corinthians está me ajudando a superar esse problema.
ah! além de várias pessoas conhecerem agora o Samba da Meirinha, elas também fazem o que eu achava ser o "Incrível Percurso do Samba Paulista no Sábado". Que consiste em ir no Samba da Roosevelt de tardinha e à noite emendar o da Meirinha. Quando cheguei na Vila, tinha umas quatro, cinco pessoas que estavam comigo na Roosevelt.
Ou seja, não consegui inovar em nada. Nem no roteiro, nem na teoria, nem na prática.
Meu lado sambista é uma farsa momentânea conduzida pela onda de resgate da cultura nacional em voga. Eu sei.. eu sei... mAs é que eu sempre fui roqueiro, desde pequeno, cantava em inglês sem saber o quê, e agora com o Lula, com a Petrobrás auto-suficiente, e com a exposição do Brasil na França e a admiração dos gringos pela Tropicália, me deu uma vontade ser brasileiro-e-não-desistir-nunca. Quero sambar, quero ser brasilero também. Jogo futebol, sou despolitizado, só falta aprender a sambar.
eu tentei as vias nordestinas, MAractu, Forró, mas não dá. Não aguentei... até Capoeira eu fui mais aberto, mas aquele berimbau monotônico é enlouquecedor...
catzo! como eu faço pra ser brasileiro então?
eu sou brasileiro, eu quero ser brasileiro, nem lembro em quem eu votei na eleição passada, viu? eu levo jeito. O samba é só uma questão de tempo.
uahauhauahuahauhauahaua
Bacci!
Na nossa megalópole, sempre que surge algo interessante (ainda mais quando se trata de balada) bastam dois meses e uma indicação do Guia de Fim-de-Semana da Folha pra bombar, estrumbar, custar o olho da cara, e por algum motivo estranho, desaparecer depois de um tempo.
o Ó do Borogodó era um muquifinho (ainda é). Uma garagem mal-ventilada (até um tempo atrás), nada demais. O som é ótimo, cerveja de garrafa e preço acessível quando se está trabalhando. De tão roots, virou cult, e agora tem fila dupla de carro estacionado na porta e os preços, ao contrário do samba tocado, não é a cara do Brasil. Foi-se (pelo menos pra mim).
Depois que eu descobri (tá bom vai, foi minha irmã que me apresentou) o Samba da Meirinha, pensei que eu era o cara do samba, da nata, filho prodigioso paulistano sambista da Velha Guarda da Barra Funda, Bixiga, herdeiro do samba de côco, do jongo, e de qualquer outra manisfestação pós-quilombola-moderna vigente hoje em dia.
O Smaba da Meirinha tem roda de samba de qualidade, bom repertório, qualidade de som e os preço são bem mais BRasil. Amo muito tudo isso.
Buenas, estou eu, todo orgulhoso da minha unicidade cultural, vinculada às manifestações mais ligadas às raizes brasileiras, pomposo e até esnobador (falei pra umas amigas: "fui num sambinha esquema na Vila, mas não posso te contar onde é..."), quando de repente, estou eu pegando a última CartaCapital com a Heloísa Helena na capa, começando a folhear, e PASMEM -- pois eu pasmei --, a primeira reportagem é sobre um samba, blá blá blá, da Meirinha, blá blá blá na Vila!
A reportagem também não disse onde era, pra preservar o "ambiente de amizade".
Meu reino por uma balada desconhecida.
Minha pompa, pose, e ar de sambista rare grooves, foi-se, junto com as minhas idas ao Ó.
O que eu pensava possuir de mais exclusivo é matéria nacional... esse mundo globalizado é uma merda.
Enfim, perdi meu recanto recluso quase exclusivo barato e bom. Agora todo mundo já sabe desse sambinha. Daqui há um ano aposto que vão estar aceitando cartão, e vai ter lugar pra "estacionar" o cachorro das madames. Sem contar um possível manobrista parado na porta.
bah... é bem provável que eu volte lá sábado que vem, mas com menos pose. Até desencanei de comprar um chapéu Panamá, e nem vou mais fumar cigarro de palha.
O Chico tava certo quando disse que perdeu a viagem à Lapa, que o malandro não existe mais.
Aliás, já contei a história de quando eu fui pro Rio, lá na LApa? De fato, o malandro não existe mais, mas o pedinte, existe à dar com pau!
O carioca não pode ver que você é turista que já vem te pedir coisa. Turista eu até era, mas do tipo "bem simples né". Todo mundo lá quer gorjeta, inclusive as pessoas que estão DO SEU LADO NA BALADA. uauhauahuahuahua
aconteceu uma história engraçada comigo e com meu amigo envolvendo petiscos, moedas e um leve desentendimento com a comunidade local! uauahauhauhauhauh
é sério. Pedir gorjeta é tipo patrimônio cultural no Rio. "Peço logo existo" tá escrito na entrada na Prefeitura.
nada contra os cariocas, é só uma crítica construtiva de uma pseudo-paulistano-com-inveja-do-samba-carioca-de-caráter-exclusivo. Eu adoro o Rio, pelo menos a Zona Sul e Santa Teresa. Só não moro no RIo porque lá a Pizza é uma farsa, as padarias não têm pães da hora, e o Campeonato Carioca é a segunda divisão do Campeonato Paulista. Se bem que o Corinthians está me ajudando a superar esse problema.
ah! além de várias pessoas conhecerem agora o Samba da Meirinha, elas também fazem o que eu achava ser o "Incrível Percurso do Samba Paulista no Sábado". Que consiste em ir no Samba da Roosevelt de tardinha e à noite emendar o da Meirinha. Quando cheguei na Vila, tinha umas quatro, cinco pessoas que estavam comigo na Roosevelt.
Ou seja, não consegui inovar em nada. Nem no roteiro, nem na teoria, nem na prática.
Meu lado sambista é uma farsa momentânea conduzida pela onda de resgate da cultura nacional em voga. Eu sei.. eu sei... mAs é que eu sempre fui roqueiro, desde pequeno, cantava em inglês sem saber o quê, e agora com o Lula, com a Petrobrás auto-suficiente, e com a exposição do Brasil na França e a admiração dos gringos pela Tropicália, me deu uma vontade ser brasileiro-e-não-desistir-nunca. Quero sambar, quero ser brasilero também. Jogo futebol, sou despolitizado, só falta aprender a sambar.
eu tentei as vias nordestinas, MAractu, Forró, mas não dá. Não aguentei... até Capoeira eu fui mais aberto, mas aquele berimbau monotônico é enlouquecedor...
catzo! como eu faço pra ser brasileiro então?
eu sou brasileiro, eu quero ser brasileiro, nem lembro em quem eu votei na eleição passada, viu? eu levo jeito. O samba é só uma questão de tempo.
uahauhauahuahauhauahaua
Bacci!
segunda-feira, julho 31, 2006
Gente, respeitem minha salmoura, meu auto-exílio, meu momento 'meu momento'.
O que eu posso fazer? não tenho dinheiro, não tenho emprego, não tenho nem mais o meu direito ao 'pão e circo'. O 'pão' ainda vai, mas e o 'circo'? Cadê? Cadê o meu direito a me alienar com entrenimento? Onde está a minha parte que me cabe no 'ópio do povo'? Não era o futebol?
pÔ... a única coisa que aquele time do Corinthians vai ganhar esse ano é o troféu "Me Poupe Awards-06".
Fora isso, ainda tenho que agüentar essa friaca, que só serve pra matar mendigo e puxar conversa em elevador. E para nós, transeuntes desmotorizados (ou como eu prefiro chamar: sócios do Mercedão-44), esse frio só incentiva à assistir a porcaria do Campeonato Brasileiro. Ou ler um livro. (hmm... bem pensado... droga...)
A vida é assim. Você tem que entrar de cabeça nela, não dá só pra molhar o pé. Aposto que se eu arranjar um emprego de oito horas por dia, resmungar de alguns impostos, do trânsito, o Corinthians começa a ganhar. Aí o 'circo' funciona pra gente não ficar muito revoltado. Senão não, como já dizia um amigo meu... É que nem aquelas famílias americanas protestantes estranhonas, se você não faz o seu dever de casa você não come a sobremesa. É mais ou menos uma analogia sobre ser um cidadão comum e prover de situações de um cidadão comum.
Mas existe alguma coisa mais comum do que ser desempregado? do tipo ainda: desempregado-que-faz-bico, ou como eu digo nas baladas, 'uns frilas'.
Outro dia pintei o criado-mudo da minha tia. cheguei na balada e falei pra galera "fiquei o dia inteiro ocupado com um frila de artes plásticas". Aí eu dei um gole no meu drink colorido e mudei de assunto...uahuahuahauhaua. Quase engasguei com a azeitona.
tô brincando. não minto mais sobre minha profissão. só sobre os meus pais. daí conto uma história bizarra parecida com a do Mogli.
chega. nem eu me agüento com esse meu humor russo.
nesse princípio de segundo semestre, eu desejaria do fundo do meu coração conseguir um emprego. Só pra poder encher a lata no final de semana de consciência limpa. Na verdade essa é a função real do trabalho. Não tem catzo a ver com o 'trabalho dignifica o Homem'. Tem ver com "fazer besteiras de consciência limpa". Bata o carro, não importa, você trabalhou por ele, pagou cada prestação e a toda gasolina. É teu. Bata à vontade. Encha a lata, faça um papelão na frente dos outros, e daí?, você trabalhou a semana inteira e merece se descontrair furiosamente com altas doses alcoólicas. Pra isso que serve trabalhar.
Ah! e também serve pra se livrar de tarefas estúpidas no final de semana, como aquela vez em que eu não tive argumentos plausíveis pra me negar a pintar o criado-mudo da minha tia.
e agora estou cooptando frilas pra não ter que passear com o cachorro dela.
Juro. Até lavo carro.
uahuahuahuahauhah
Mais uma vez, este que vos fala está a brincar.
É claro que eu não pinto criado-mudo, e muito menos vou lavar carro algum num frio desse.
Não estou deprimido, a história do Mogli é mentira, e eu passei o sábado no 'circo'. Mas foi um programa intensivo de samba que eu fiz. Começou no final da tarde e temrinou à 1h. Um lance cultural até.
Acho que vou largar essa vida de publicitário e virar antropóologo pós-moderno da 'zona residencial' (como já dizia o Calvin), e me especialziar em samba-paulista-da-velha-guarda.
Publicidade é muito competitivo, e tem muito mais gente levando a sério essa história de ficar falando besteira por aí do que eu. Besteiras que rimam, popularmente chamado de 'jingle'.
Se eu desenvolver uma tese do samba paulista como uma síntese cultural nacional, onde descendentes de negros quilombolas mesclam sua cultura com o italiano pobre, criando uma nova arte de afirmação e auto-apropriação de identidade coletiva, desmobilizando o etnocentrismo europeu-americano-ocidental-em-geral vigente no século XX, provavelmente algum estudioso do futuro se utilizará dessa dissertação como peça-chave para se completar o mosaico de pluriformalidades que caracteirzam essa geléia-geral chamada povo brasile........
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
tá bom, eu só queria uma desculpa pra ir ao samba.
beijo
tchau.
O que eu posso fazer? não tenho dinheiro, não tenho emprego, não tenho nem mais o meu direito ao 'pão e circo'. O 'pão' ainda vai, mas e o 'circo'? Cadê? Cadê o meu direito a me alienar com entrenimento? Onde está a minha parte que me cabe no 'ópio do povo'? Não era o futebol?
pÔ... a única coisa que aquele time do Corinthians vai ganhar esse ano é o troféu "Me Poupe Awards-06".
Fora isso, ainda tenho que agüentar essa friaca, que só serve pra matar mendigo e puxar conversa em elevador. E para nós, transeuntes desmotorizados (ou como eu prefiro chamar: sócios do Mercedão-44), esse frio só incentiva à assistir a porcaria do Campeonato Brasileiro. Ou ler um livro. (hmm... bem pensado... droga...)
A vida é assim. Você tem que entrar de cabeça nela, não dá só pra molhar o pé. Aposto que se eu arranjar um emprego de oito horas por dia, resmungar de alguns impostos, do trânsito, o Corinthians começa a ganhar. Aí o 'circo' funciona pra gente não ficar muito revoltado. Senão não, como já dizia um amigo meu... É que nem aquelas famílias americanas protestantes estranhonas, se você não faz o seu dever de casa você não come a sobremesa. É mais ou menos uma analogia sobre ser um cidadão comum e prover de situações de um cidadão comum.
Mas existe alguma coisa mais comum do que ser desempregado? do tipo ainda: desempregado-que-faz-bico, ou como eu digo nas baladas, 'uns frilas'.
Outro dia pintei o criado-mudo da minha tia. cheguei na balada e falei pra galera "fiquei o dia inteiro ocupado com um frila de artes plásticas". Aí eu dei um gole no meu drink colorido e mudei de assunto...uahuahuahauhaua. Quase engasguei com a azeitona.
tô brincando. não minto mais sobre minha profissão. só sobre os meus pais. daí conto uma história bizarra parecida com a do Mogli.
chega. nem eu me agüento com esse meu humor russo.
nesse princípio de segundo semestre, eu desejaria do fundo do meu coração conseguir um emprego. Só pra poder encher a lata no final de semana de consciência limpa. Na verdade essa é a função real do trabalho. Não tem catzo a ver com o 'trabalho dignifica o Homem'. Tem ver com "fazer besteiras de consciência limpa". Bata o carro, não importa, você trabalhou por ele, pagou cada prestação e a toda gasolina. É teu. Bata à vontade. Encha a lata, faça um papelão na frente dos outros, e daí?, você trabalhou a semana inteira e merece se descontrair furiosamente com altas doses alcoólicas. Pra isso que serve trabalhar.
Ah! e também serve pra se livrar de tarefas estúpidas no final de semana, como aquela vez em que eu não tive argumentos plausíveis pra me negar a pintar o criado-mudo da minha tia.
e agora estou cooptando frilas pra não ter que passear com o cachorro dela.
Juro. Até lavo carro.
uahuahuahuahauhah
Mais uma vez, este que vos fala está a brincar.
É claro que eu não pinto criado-mudo, e muito menos vou lavar carro algum num frio desse.
Não estou deprimido, a história do Mogli é mentira, e eu passei o sábado no 'circo'. Mas foi um programa intensivo de samba que eu fiz. Começou no final da tarde e temrinou à 1h. Um lance cultural até.
Acho que vou largar essa vida de publicitário e virar antropóologo pós-moderno da 'zona residencial' (como já dizia o Calvin), e me especialziar em samba-paulista-da-velha-guarda.
Publicidade é muito competitivo, e tem muito mais gente levando a sério essa história de ficar falando besteira por aí do que eu. Besteiras que rimam, popularmente chamado de 'jingle'.
Se eu desenvolver uma tese do samba paulista como uma síntese cultural nacional, onde descendentes de negros quilombolas mesclam sua cultura com o italiano pobre, criando uma nova arte de afirmação e auto-apropriação de identidade coletiva, desmobilizando o etnocentrismo europeu-americano-ocidental-em-geral vigente no século XX, provavelmente algum estudioso do futuro se utilizará dessa dissertação como peça-chave para se completar o mosaico de pluriformalidades que caracteirzam essa geléia-geral chamada povo brasile........
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
tá bom, eu só queria uma desculpa pra ir ao samba.
beijo
tchau.
segunda-feira, julho 24, 2006
Delícia de salmoura. O lance é se jogar dentro e deixar o tempo passar. Salmoura conserva. Pepino, repolho, até salsicha. Chega de drogas, terapias, portas batidas e telefones não atendidos. O melhor jeito de fugir da vida é se enlatar numa conserva de salmoura. E de preferência colocado num canto escuro, no fundo da despensa, praquele constante abre-e-fecha-acende-e-apaga da geladeira não te acordar de súbito, do seu spa pessoal. E não se esqueça, desligue o celular.
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