numa das primeiras pseudo-crônicas que eu escrevi tentei ser engraçado dizendo que a páscoa é a data festiva mais surreal que existe já que junta coelho, ovo e chocolate. e bem sabemos, coelhos não botam ovos, chocolate vem do cacau e o ovo vem da galinha (ou vice-versa). apelando pra outra data festiva quis ser engraçado de novo (sou brasileiro ué!) dizendo que o papai noel era comunista já que vivia de vermelho, era barbudo e distribuía presentes por aí. chego a mais uma páscoa insistindo, novamente, numa piadinha temática. mas qual? datas festivas cada vez mais fazem menos sentido no nosso dia-a-dia esvaziado de vínculos sociais-culturais, dispersos num tsunami de dispositivos eletrônicos de prazeres instântaneos. me chama que eu vou!
sei que voltei hoje cedo da sapecada-noturna e comi um misto sei-lá-o-quê, xis-delícia, que tinha presunto no meio. esqueci que não podia, era páscoa. qualé, ninguém lembra que é páscoa às seis da manhã, depois da festa.
quer dizer, na verdade, eu nem ligo muito pra isso desde daquela fatídica páscoa de 97, quando uns orientais estavam lá em casa e meu pai, tão católico quanto o muhamed ali, resolveu fazer um churrasco de boas-vindas. daí percebi que era a várzea total.
churrasco na páscoa! aí foi pegar a bíblia e guardar do lado do 'manual de escoteiro do tio patinhas', perto de algum fascículo 'culinária cláudia', numa estante esquecida.
isso foi só uma metáfora, nossa bíblia de verdade a gente usa de calço na escrivaninha do computador que anda capenga.
desde então só como óstia com um salaminho em cima. e se deixar pingo um limão.
dizem que a igreja tá preocupada com a 'fuga' de fiéis. começa a oferecer óstia recheada que vai ter mais gente na igreja do que no último jogo do corinthians.
eu até queria ser mais católico, se não fosse o fato de igrejas, em geral, serem assutadoras. contando com o Kasper Hauser, já somam dois com medo de igreja.
e também me desanima os comentários literalmente brochantes do papa: não transem.
- então papa, eu sei que é sacanagem dizer isso pra você, dada suas condições e seus votos, mas transar é bom. bom pra caramba. principalmente quando não precisa ligar no dia seguinte. então, por favor, dá um tempo com essa história de proibir a camisinha. pelo menos libera a pílula, vai... nem terminei de pagar minha faculdade, vai que dá uma zica.
brincadeira. tirando o fato de eu parecer um anti-cristo machista, na verdade, é o meu jeitão de falar bobagem pra pessoas rirem, mais ou menos como o... papa!
olha só, sou mais católico do que eu pensava!
o legal de falar mal da igreja é que tirando minhas avós ninguém mais é católico. então eu não ofendo ninguém. tipo chutar cachorro morto.
mas imagina se eu começo falar daquele rabino, o Sobel. porque se você fala qualquer coisa de judeu já invocam um campo de concentração e te acusam de anti-semita.
- anti-semita? eu? mas eu nem sei extamente o que é "semita" como vou ser "anti"? nem sei qual é a diferença entre semita, sionista, judeu, hebraico e banqueiro.
depois dizem que judeu é mão fechada. só até entrar numa loja de gravata grã-fina!
a real é que eu estou mais mobilizado pra ver o gol mil do romário do que pra chegada do papa em aparecida; achei o episódio do Sobel mais engraçado que ver o palmeiras perder nos pênaltis pro conceituado ipatinga e, aproveitando o ensejo do politicamente incorreto, eu queria ter um amigo mulçumano só pra perguntar:
- ô meu, você não entra em banco porque detesta judeu ou porque sempre te pegam no detector de metais?
pronto. foram as três.
feliz páscoa. e por favor, não siga ícones, apenas use de atalho.
sexta-feira, abril 06, 2007
sábado, março 31, 2007
cinco cachorros correndo em círculo
aquela quentura por dentro, saliva seca, uma preguiça que se mistura com uma mal-estar num quarto quente e abafado. eu sinto o álcool rondando no sangue, circulando pela cabeça, mal-tratando meu fígado. eu suo álcool. do tipo, se alguém fumar perto de mim eu explodo. bum!
levanto, olho meu pé esquerdo, e penso, porque será que ele, só ele, o esquerdo, tá tão imundo?
por onde eu andei, atolei, me eslamacei? e o direito limpinho, aonde estava a essa hora?
de manhã tinha carne moída. a mais gostosa que eu já comi na minha vida.
eram seis e qualquer coisa.
nem percebi o velho se aproximar. cabelos ralos e grisalhos, e um nariz igual ao meu. camisa azul abotoada e pra dentro da sua calça jeans. sapato. limpo e apressado. pergunta aflingindo questionando condenando ou quem sabe até ironizando 'isso são horas de chegar?', e o tico, abandonado pelo teco, ainda conseguiu fazer a sinapse necessária, da conecção química neural-neurônica, e responder sem defasagem de tempo, ' e isso são horas de sair?'.
não se faz mais bom humor matinal como os de antigamente. não se faz reunião sábado de manhã. só com o travesseiro, cama e edredon, discutindo a pauta 'por hoje morri'.
alguém me liga. definitivamente não escuto tocar. não escuto nada. nem a música lá fora, nem os passos pesados do quarto ao lado, nem meus pensamentos.
doer, doer, não dói. sinto só um calor por dentro, quente, e um suor etílico.
não lembro da música, nem da última conversa. com certeza não lembro o nome. perguntei duas vezes a mesma coisa. sempre faço isso. esqueci. só lembro do que me interessa. depois que consegui, saí e deixei lá. os melhores momentos se dão lá fora. quando não dá pra fazer mais nada e se pode tudo.
cinco cachorros correndo em círculo. obina é melhor que o pelé. thiaguinho é melhor que o eto'o.
minha vida minha história meu amor.
claro que não ia dar certo. não podia jamais. era um sinal.
a lenda abençoou, pedi a benção.
o sábio aconselhou, pedi conselho.
só não ajoelho porque não levo jeito pra tietagem.
alguém falou em espanhol comigo e eu só concordei com a cabeça.
carne moída pão pai cama cerveja nêga amigos telefone música carona sujeira pé esquerdo suor
levanto, olho meu pé esquerdo, e penso, porque será que ele, só ele, o esquerdo, tá tão imundo?
por onde eu andei, atolei, me eslamacei? e o direito limpinho, aonde estava a essa hora?
de manhã tinha carne moída. a mais gostosa que eu já comi na minha vida.
eram seis e qualquer coisa.
nem percebi o velho se aproximar. cabelos ralos e grisalhos, e um nariz igual ao meu. camisa azul abotoada e pra dentro da sua calça jeans. sapato. limpo e apressado. pergunta aflingindo questionando condenando ou quem sabe até ironizando 'isso são horas de chegar?', e o tico, abandonado pelo teco, ainda conseguiu fazer a sinapse necessária, da conecção química neural-neurônica, e responder sem defasagem de tempo, ' e isso são horas de sair?'.
não se faz mais bom humor matinal como os de antigamente. não se faz reunião sábado de manhã. só com o travesseiro, cama e edredon, discutindo a pauta 'por hoje morri'.
alguém me liga. definitivamente não escuto tocar. não escuto nada. nem a música lá fora, nem os passos pesados do quarto ao lado, nem meus pensamentos.
doer, doer, não dói. sinto só um calor por dentro, quente, e um suor etílico.
não lembro da música, nem da última conversa. com certeza não lembro o nome. perguntei duas vezes a mesma coisa. sempre faço isso. esqueci. só lembro do que me interessa. depois que consegui, saí e deixei lá. os melhores momentos se dão lá fora. quando não dá pra fazer mais nada e se pode tudo.
cinco cachorros correndo em círculo. obina é melhor que o pelé. thiaguinho é melhor que o eto'o.
minha vida minha história meu amor.
claro que não ia dar certo. não podia jamais. era um sinal.
a lenda abençoou, pedi a benção.
o sábio aconselhou, pedi conselho.
só não ajoelho porque não levo jeito pra tietagem.
alguém falou em espanhol comigo e eu só concordei com a cabeça.
carne moída pão pai cama cerveja nêga amigos telefone música carona sujeira pé esquerdo suor
quinta-feira, março 29, 2007
cappuccino, urubus e gol mil.
é fato que quando se estuda Publicidade você acaba desenvolvendo um "olhar" diferente pra avaliar um anúncio. até sua postura passiva muda pra um olhar ativo buscando entender conceitos, técnicas e qualquer outra coisa que você possa incorporar num próximo anúncio seu. quero dizer que quando a coca-cola faz um anúncio, eu sou mais influenciado pela tipografia e linguagem usada do que pelas gotículas sensualmente refrescantes que cobrem a garrafa.
mas como tudo na vida, existem exceções, claro. eu que só bebo café quando estou morimbundo e precisando urgentemente ficar acordado ou quando faço um charminho tomando um cappuccino depois de um PF aqui perto, fiquei realmene sensibilizado em adquirir a Cafeteira Espresso Digital Dolce Aroma, "a melhor desculpa para ficar até tarde no escritório". Tá certo que custa seus R$2,639 (o que inviabilizaria meu sonho de lambreta, de Machu Piccu, e de umas reformas no telhado que está precisando) mas peraí, aqui diz que "guarda na memória o jeito exato como você prefere seu café espresso". eu sou fascinado por tecnologias que remetem à coisas tradicionais. não é uma máquina que inventou um café com chá verde ou água gaseificada sabor limão acompanhando as última tendências. estamos falando do velho cappuccino, mas numa máquina di-gi-tal, que guarda coisas na memória. imagina se tocasse mp3 durante o processo! adoro as coisas antigas: cafeteira, vitrola, baú, meu pai...
***
a natureza é bem coerente: deitado na cama, levo em torno de uma meia hora perdido em pensamentos pra conseguir dormir. quando eu acordo (que coisa!) não é que eu também levo uma meia hora pra levantar?? (depois de uma relação dialética com o despertador, numa negociação duríssma de adiamento).
***
O Romário, como todo bom jogador craque e reconhecido pela mídia, tem o hábito de ser vaidoso e arrogante em determinados momentos, de se meter em escândalos, de falar qualquer bobagem digna de jogador de futebol, e entreter a gente com comentários do tipo "o gol mil vai ser bom pra sociedade. ela tá precisando. a violência, a corrupção deixam as pessoas muito tristes. o gol mil vai vir numa boa hora". foi mais ou menos assim. mas para leigos jogadores de vôlei e video-game, explico que o futebol e todo o seu universo espetaculoso-fabuloso, possui sua própria linguagem, regras e valores. bobagens de jogador de futebol num país com tanto político borra-linguiça, não significa nada. o gol mil do Romário não vai aliviar as tensões sociais, os conflitos, e o medo institucional das cidades grandes. mas vai representar o triunfo do bom futebol, do futebol brasileiro, maroto, malandro, esperto, caprichado. não importa quantos gols ele fez no amador, num society ou num time da arábia qualquer. importa que ele é craque, e de uma safra raríssima. quem teve o Parreira como técnico numa seleção que tinha Dunga de capitão, Zinho no meio (!) e Viola no banco e faz o gol da vitória contra a Suécia de cabeça, numa zaga nórdica que dobrava ele em altura, só pode ser um jogador matador. inesquecível.
enfim, Romário é um deliquente-desbocado. e daí? ele é craque, estilo MAradona, e um símbolo do meu universo futebolístico infantil. por isso que quando se der o gol mil eu vou pra galera. vou comemorar o título de "últimos craques vivos" e não vou querer que o dia acabe.
tenho uma tese que não haverá mais gols mils. olha essa última Copa que ridícula.
o futebol míope europeu é um atentado aos bons costumes boleiros. qualquer beck-de-esquina é craque lá, qualquer técnico opta por um 5-3-2, recuado, procurando primeiramente conservar o empate. e o Brasil, na sua condição de eterna-colônia, acha fantástico copiar europeu. nas cafeteiras de cappuccino até vai, mas não naquele futebol tosco. o gol mil do Romário é uma homenagem ao bom gosto, é símbolo de uma era que acaba, o fim do homem de área ágil e habilidoso, é o fim dos 'baixinhos'.
o gol mil vem coroar uma espécie em extinção.
no mil do Romário o dia não vai acabar.
mas como tudo na vida, existem exceções, claro. eu que só bebo café quando estou morimbundo e precisando urgentemente ficar acordado ou quando faço um charminho tomando um cappuccino depois de um PF aqui perto, fiquei realmene sensibilizado em adquirir a Cafeteira Espresso Digital Dolce Aroma, "a melhor desculpa para ficar até tarde no escritório". Tá certo que custa seus R$2,639 (o que inviabilizaria meu sonho de lambreta, de Machu Piccu, e de umas reformas no telhado que está precisando) mas peraí, aqui diz que "guarda na memória o jeito exato como você prefere seu café espresso". eu sou fascinado por tecnologias que remetem à coisas tradicionais. não é uma máquina que inventou um café com chá verde ou água gaseificada sabor limão acompanhando as última tendências. estamos falando do velho cappuccino, mas numa máquina di-gi-tal, que guarda coisas na memória. imagina se tocasse mp3 durante o processo! adoro as coisas antigas: cafeteira, vitrola, baú, meu pai...
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a natureza é bem coerente: deitado na cama, levo em torno de uma meia hora perdido em pensamentos pra conseguir dormir. quando eu acordo (que coisa!) não é que eu também levo uma meia hora pra levantar?? (depois de uma relação dialética com o despertador, numa negociação duríssma de adiamento).
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O Romário, como todo bom jogador craque e reconhecido pela mídia, tem o hábito de ser vaidoso e arrogante em determinados momentos, de se meter em escândalos, de falar qualquer bobagem digna de jogador de futebol, e entreter a gente com comentários do tipo "o gol mil vai ser bom pra sociedade. ela tá precisando. a violência, a corrupção deixam as pessoas muito tristes. o gol mil vai vir numa boa hora". foi mais ou menos assim. mas para leigos jogadores de vôlei e video-game, explico que o futebol e todo o seu universo espetaculoso-fabuloso, possui sua própria linguagem, regras e valores. bobagens de jogador de futebol num país com tanto político borra-linguiça, não significa nada. o gol mil do Romário não vai aliviar as tensões sociais, os conflitos, e o medo institucional das cidades grandes. mas vai representar o triunfo do bom futebol, do futebol brasileiro, maroto, malandro, esperto, caprichado. não importa quantos gols ele fez no amador, num society ou num time da arábia qualquer. importa que ele é craque, e de uma safra raríssima. quem teve o Parreira como técnico numa seleção que tinha Dunga de capitão, Zinho no meio (!) e Viola no banco e faz o gol da vitória contra a Suécia de cabeça, numa zaga nórdica que dobrava ele em altura, só pode ser um jogador matador. inesquecível.
enfim, Romário é um deliquente-desbocado. e daí? ele é craque, estilo MAradona, e um símbolo do meu universo futebolístico infantil. por isso que quando se der o gol mil eu vou pra galera. vou comemorar o título de "últimos craques vivos" e não vou querer que o dia acabe.
tenho uma tese que não haverá mais gols mils. olha essa última Copa que ridícula.
o futebol míope europeu é um atentado aos bons costumes boleiros. qualquer beck-de-esquina é craque lá, qualquer técnico opta por um 5-3-2, recuado, procurando primeiramente conservar o empate. e o Brasil, na sua condição de eterna-colônia, acha fantástico copiar europeu. nas cafeteiras de cappuccino até vai, mas não naquele futebol tosco. o gol mil do Romário é uma homenagem ao bom gosto, é símbolo de uma era que acaba, o fim do homem de área ágil e habilidoso, é o fim dos 'baixinhos'.
o gol mil vem coroar uma espécie em extinção.
no mil do Romário o dia não vai acabar.
domingo, março 25, 2007
aforismos
pulsando, seguindo o som do tantã - um surdo ansioso -, eu tenho dito:
sapeca nêga. sapeca até doer nas ancas, como dizia minha vó.
sapeca sem pensar em mais nada e conduz nosso cordão do irreparável, do improvável jeito já previsível, mas sempre excitante da possibilidade, apenas da chance de tocá-la, lá bem alto, e colocá-la no bolso e sair correndo.
o problema é o pouco que já alegra. pouco e barato, que nem os almoços do meu pai.
não dá nem tempo de ficar triste. quando eu vi, já tô no meio da pavunça.
glacê é bom mas não enche a pança, já dizia aquele ditado carioca.
a gente fica lambendo a tigela do bolo de chocolate, e esquece do arroz com feijão. depois dá gastrite, asia e até diabete. se eu tivesse uma Tia Bete com diabete seria um eterno trocadilho redundante. eu ia enlouquecer a velha. mas quem sabe avisa: almoça menino, saco vazio não pára em pé. é verdade, não pára em pé. a gente cai mas levanta depois, na dialética do joão-bobo. glacê, glacê, glacê. às vezes enjôa. mas demora...
comigo é assim, o Paulinho falou tá falado: "que tal felicidade, sempre tão fulgaz, a gente tem que conquistar". o problema é quando a gente confunde felicidade com estar contente o tempo inteiro. aí dá no que dá. o bloco 'dos que não aconteceram' engrossa suas fileiras; basicamente defasados em relação ao bloco 'do não pergunte minha opinião, eu apenos sigo', que já dobra a esquina lá na frente, num carro zerinho, da hora. o momento agora é de plantar, depois a gente colhe, com calma. essa história de querer colher antes de plantar está tornando meus domingos impossíveis de qualquer tipo de aproveitamento físico-intelectual.
fui mirim: joguei biribinha na largada achando que estava só me aquecendo. quando vi explodi ela! pois se "não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar", a gente vai indo, indo e quando vê, já foi. seguindo essa linha de raciocínio, que a grosso modo quer dizer, "enfim, a culpa não é minha", tem uma poetisa, da pegada, que diz: "a vida é que nos tem: nada mais temos".
ou seja, essa experiência momentânea, imediata de submersão sígnica de fenômenos que nos envolvem e atingem, na produção racional-emocional de uma compostura de ser e estar, na realização da consciência humana em sua plena condição efêmera e mortal que entendemos como vida, é muito mais abrangente de possiblidades que nossa percepção objetiva, ingênua em sua megalomania, postulando assim, a essência de viver, que é se entregar na sua impossibilidade de equacionar, possuir ou delimitar o que virá, e sendo assim, apenas como espectadores ativos e agentes do agora, de um mundo de possibilidades que podemos ou não obter, dependendo de quanto estamos nos poupando, sabe-se lá pra quê. mas, o tentar já é incrivelmente divertido, seja lá o que for que estamos tentando.
e assim, precisando de apenas um mês na esbórnia pra jogar no lixo as resoluções do ano inteiro, ampliando verticalmente a capacidade de fazer as coisas equivocadamente num tempo excessivo, a gente vai enrolando.
sapeca nêga, sapeca que o carnaval só acaba quando Paulinho mandar.
sapeca nêga. sapeca até doer nas ancas, como dizia minha vó.
sapeca sem pensar em mais nada e conduz nosso cordão do irreparável, do improvável jeito já previsível, mas sempre excitante da possibilidade, apenas da chance de tocá-la, lá bem alto, e colocá-la no bolso e sair correndo.
o problema é o pouco que já alegra. pouco e barato, que nem os almoços do meu pai.
não dá nem tempo de ficar triste. quando eu vi, já tô no meio da pavunça.
glacê é bom mas não enche a pança, já dizia aquele ditado carioca.
a gente fica lambendo a tigela do bolo de chocolate, e esquece do arroz com feijão. depois dá gastrite, asia e até diabete. se eu tivesse uma Tia Bete com diabete seria um eterno trocadilho redundante. eu ia enlouquecer a velha. mas quem sabe avisa: almoça menino, saco vazio não pára em pé. é verdade, não pára em pé. a gente cai mas levanta depois, na dialética do joão-bobo. glacê, glacê, glacê. às vezes enjôa. mas demora...
comigo é assim, o Paulinho falou tá falado: "que tal felicidade, sempre tão fulgaz, a gente tem que conquistar". o problema é quando a gente confunde felicidade com estar contente o tempo inteiro. aí dá no que dá. o bloco 'dos que não aconteceram' engrossa suas fileiras; basicamente defasados em relação ao bloco 'do não pergunte minha opinião, eu apenos sigo', que já dobra a esquina lá na frente, num carro zerinho, da hora. o momento agora é de plantar, depois a gente colhe, com calma. essa história de querer colher antes de plantar está tornando meus domingos impossíveis de qualquer tipo de aproveitamento físico-intelectual.
fui mirim: joguei biribinha na largada achando que estava só me aquecendo. quando vi explodi ela! pois se "não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar", a gente vai indo, indo e quando vê, já foi. seguindo essa linha de raciocínio, que a grosso modo quer dizer, "enfim, a culpa não é minha", tem uma poetisa, da pegada, que diz: "a vida é que nos tem: nada mais temos".
ou seja, essa experiência momentânea, imediata de submersão sígnica de fenômenos que nos envolvem e atingem, na produção racional-emocional de uma compostura de ser e estar, na realização da consciência humana em sua plena condição efêmera e mortal que entendemos como vida, é muito mais abrangente de possiblidades que nossa percepção objetiva, ingênua em sua megalomania, postulando assim, a essência de viver, que é se entregar na sua impossibilidade de equacionar, possuir ou delimitar o que virá, e sendo assim, apenas como espectadores ativos e agentes do agora, de um mundo de possibilidades que podemos ou não obter, dependendo de quanto estamos nos poupando, sabe-se lá pra quê. mas, o tentar já é incrivelmente divertido, seja lá o que for que estamos tentando.
e assim, precisando de apenas um mês na esbórnia pra jogar no lixo as resoluções do ano inteiro, ampliando verticalmente a capacidade de fazer as coisas equivocadamente num tempo excessivo, a gente vai enrolando.
sapeca nêga, sapeca que o carnaval só acaba quando Paulinho mandar.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
um carnaval
Parte 1 - como reconhecer um paulista no Rio
A idéia era sair meia-noite, dormir no ônibus e chegar de manhã cedo, mas no meio do caminho tinha um bar, alguns bons amigos, cerveja malvada, e enfim, dormi três horas, levanto às cinco, pegando o ônibus às seis e pouco e lá pela uma da tarde estou na rodoviária tentando achar minha base paulista no Rio. que gracinha! eles estão na praia! Ipanema, tomando um sol.
como meus amigos estavam no mel da praia, eu é que tive que encontrá-los, e ainda a partir dos meus trajes formais de paulista: tênis, calça de sarja, uma camiseta regata debaixo de uma camiseta branca comum e uma mochila cheia nas costas. e foi assim, desse jeito, nesse estado, que mordi a língua sobre o jeito ridículo dos gringos irem a praia, e, branquelo e suado, me dirijo ao coqueirão do posto nove, talvez o único ser humano visto de calça em Ipanema desde que o Dom João VI fugiu pro Brasil. fui ao encontro da carioca e o barbudão acompanhado do careca.
cinco minutos pra eu largar minha - a partir de agora inseparável - silhueta de gringo, e por instantes de cueca coloco uma bermuda e me recolho na escura segurança da sombra do guarda-sol, popularmente chamado de 'barraca'.
se pra um carioca guarda-sol é 'barraca', provavelmente um barraca eles devem chamar de 'casa'. vai nessa: "alugo casa, três lugares, no leblon" e cai no conto do camping da pracinha...
mas no fundo é fácil distinguir um paulista de um gringo no calçadão do Rio. enquanto os paulistas tentam parecer cariocas (não no nosso caso que ainda não temos pêlos no peito suficiente pra podermos raspá-los) tentando um bronzeado e um jeitão descontraído numa bermuda de surf, os gringos investem mais pesado e tentam, de uma forma confesso até constrangedora, se parecer 'brasileiro'.
eu não sei o que eles entendem por brasileiro, mas nem todo mundo aqui de fato usa havaianas. existe toda uma gama de genéricos de havaianas, raiders quase obsoletos, e boa parte do povão no Rio anda sim, descalço, principalmente vendedores ambulantes.
os gringos se bezuntam em protetor solar, sambam que nem boneco de olinda e ainda pegam umas mulatas criaturas crente que estão por cima da fina flor da brasilidade. gringos costumam socar, machucar e afligir pandeiros, com golpes jurássicos numa tentativa pra lá de tosca de tentar uma intimidade.
a noite teve um bloco que 'concentra mas não sai', teve muita cerveja pra esquecer o outro bloco principal que deveríamos ter ido, e uma pracinha de bairro com marchinas de carnaval. a partir daí, dá pra começar a entender a diferença da Paulicéia-dos-lugares-fechados e o Rio-dos-lugares-abertos.
Parte 2 - como mostrar aos cariocas que a pegada é bruta
minha formação meio-católica meio-pepperoni nunca foi tão forte pra eu desejar casar na Igreja. mas confesso que sempre tive vontade de me vestir de noiva, com véu e tudo. nossas fantasias - realizadas - de noivas, com direito a buquê, fez um sucesso do metrô ao bola preta. além de provocações, poses pra fotos estrangeiras e apertos no bumbum, nosso 'bloco paulista da madeira pesada' foi uma sensação no carnaval. travestis, gringos, funcionários do metrô e até policiais foram aliciados na malícia pejorativa-permissiva do carnaval.
num calor absurdo que evapora o álcool do teu corpo numa velocidade que impõe uma relação de equivalência cerveja-água, fomos parar num almoço meia-boca na Lapa, e por sorte Dionisíaca (amém!), saía ali um dos melhores blocos desse carnaval, dada as músicas e o tamanho do público.
teve um bloco que eu encontrei um cara de pandeiro e comecei a tocar com ele qualquer coisa, e e àquela altura estava tão à vontade no Rio que passeava no bloco de cueca. a gente tinha uma pinga mineira da boa, e quando me encontrei sem querer com o cara do pandeiro (não existem nomes no Carnaval) ele me chamou de "aquele paulista-sinistro", com o típico "s" com som "x" carioca. eu aceitei os "xinistro" e ofereci a pinga, que de tão forte, disse que havia gasolina misturada, logo depois que ele tinha dado um gole. o cara arregalou o olho e deu passo pra trás me perguntando: "você tá de sacanagem né?"
"só um dedo de gasolina pra dar um grauzinho..." respondi.
uma vez no metrô, pegamos um horário bem família pra irmos pra um bloco, e num vagão repleto, havia uma Geni (obrigado, caprichei na maquiagem), uma mulher dos anos setenta barbuda e uma carioca vestida de menino. a provocação começou por parte deles, um grupo de caras rindo das 'mulheres feias'. terminou com a gente levando a sério o papel (esse é um dado importante, como as pessoas assumem seus personagens travestidos nos blocos de rua) e quase sentando no colo de um pobre coitado que ficou isolado dos amigos, com as pessoas do vagão rindo impressionados, e com aplausos unânimes quando saímos na nossa parada. acho que nem quando eu cantava num coral beneficiente eu recebi aplausos tão sinceros.
o que me fascina no Rio é sua complexa relação província-metrópole, como se bolsões de características interioranas sobrevivessem agrupadas num todo que ganha uma face urbana-cidade-grande. LApa, Santa Teresa, parecem que vivem num ritmo próprio, interligada com a loucura ao redor, mas não necessariamente vinculada ou dependente.
é quase uma cidade esquizofrênica. tão grande e tão pequena que até encontramos alguns outros paulistas conhecidos pulando por lá.
PArte 3 - como fazer um pedido a um garçom carioca
tome nota: leve um estilingue e umas palavras cruzadas. mire na cabeça e depois fique esperando um tempo, se distraia, e quando hegar nem tente reclamar que "era light" ou "eu disse frango não sopa" que até ele voltar você já comeu sua própria mão.
morteiros são opcionais.
não sei se é bom ou ruim, mas o carioca não é muito vidrado em ganhar dinheiro. não é qualquer taxi que sobe Santa Teresa, as lanchonetes da rodoviária nem aceitam cartão, e acreditem, uma mulher de um caixa de um supermercado em bairro nobre, passou a tarefa dela de dividir o valor pra dois cartões, logo pra mim, o cliente. o barbudo e seus cálculos mentais salvaram ela. em são paulo é rua na hora e se bobear dá cadeia pra coitada.
-- sessenta e cinco e trinta e quatro.
-- cobra metade nesse cartão e metade no outro.
-- ah! tô cansada. divide aí vocês. (cruzando os braços)
-- moça, já pensou em usar essa maquininha? (apontei pra calculadora que tem no balcão)
-- tá quebrada.
é vero...
o Rio é muito moderno, é um auto-atendimento generalizado: eu compro, eu pago, eu faço as contas pra dividir o valor...tipo a Holanda, só que com um poquinho mais de prostitutas e travestis.
PArte 4 - o que fazem dez milhões de paulistanos parados no trânsito??
no Rio, se você vai comprar um pipoca, se depara com um cartão postal.
se se perde num canto, cai num samba.
se tá cansado, senta numa praça.
do nada uma pedrona, uma trilha, sagüis e uma algum edifício da história nacional.
ah... cidades turísticas... uma árvore a cada três metros, e aquela bizonha impressão que todos seus habitantes tem o mesmo acesso a seus bens naturais-culturais...
tá certo que às vezes dá impressão que só o Centro e a Zona Sul são interessantes, e dadas as proporções destes bairros, o Rio fica bem pequeno.
tá certo que ser branco-fps-trinta declara publicamente que você é de fora, e te faz correr todos os riscos adjascentes.
tá certo que o futebol carioca é medonho beirando o deprimente.
tá certo também que carioca não dá muito bola pra paulista.
tá certo que café no Rio é uma espécie de água amarronzada (sem contar a idéia equivocada deles sobre pizza).
mas se tem uma coisa que não está certo é achar que a vida se resume a viver num treco de concreto superhabitado, cara e quente, com uma pressa neurótica e sem sentido. sem contar o orgulho paulista de ficar trabalhando o dia inteiro. eu hein...
A idéia era sair meia-noite, dormir no ônibus e chegar de manhã cedo, mas no meio do caminho tinha um bar, alguns bons amigos, cerveja malvada, e enfim, dormi três horas, levanto às cinco, pegando o ônibus às seis e pouco e lá pela uma da tarde estou na rodoviária tentando achar minha base paulista no Rio. que gracinha! eles estão na praia! Ipanema, tomando um sol.
como meus amigos estavam no mel da praia, eu é que tive que encontrá-los, e ainda a partir dos meus trajes formais de paulista: tênis, calça de sarja, uma camiseta regata debaixo de uma camiseta branca comum e uma mochila cheia nas costas. e foi assim, desse jeito, nesse estado, que mordi a língua sobre o jeito ridículo dos gringos irem a praia, e, branquelo e suado, me dirijo ao coqueirão do posto nove, talvez o único ser humano visto de calça em Ipanema desde que o Dom João VI fugiu pro Brasil. fui ao encontro da carioca e o barbudão acompanhado do careca.
cinco minutos pra eu largar minha - a partir de agora inseparável - silhueta de gringo, e por instantes de cueca coloco uma bermuda e me recolho na escura segurança da sombra do guarda-sol, popularmente chamado de 'barraca'.
se pra um carioca guarda-sol é 'barraca', provavelmente um barraca eles devem chamar de 'casa'. vai nessa: "alugo casa, três lugares, no leblon" e cai no conto do camping da pracinha...
mas no fundo é fácil distinguir um paulista de um gringo no calçadão do Rio. enquanto os paulistas tentam parecer cariocas (não no nosso caso que ainda não temos pêlos no peito suficiente pra podermos raspá-los) tentando um bronzeado e um jeitão descontraído numa bermuda de surf, os gringos investem mais pesado e tentam, de uma forma confesso até constrangedora, se parecer 'brasileiro'.
eu não sei o que eles entendem por brasileiro, mas nem todo mundo aqui de fato usa havaianas. existe toda uma gama de genéricos de havaianas, raiders quase obsoletos, e boa parte do povão no Rio anda sim, descalço, principalmente vendedores ambulantes.
os gringos se bezuntam em protetor solar, sambam que nem boneco de olinda e ainda pegam umas mulatas criaturas crente que estão por cima da fina flor da brasilidade. gringos costumam socar, machucar e afligir pandeiros, com golpes jurássicos numa tentativa pra lá de tosca de tentar uma intimidade.
a noite teve um bloco que 'concentra mas não sai', teve muita cerveja pra esquecer o outro bloco principal que deveríamos ter ido, e uma pracinha de bairro com marchinas de carnaval. a partir daí, dá pra começar a entender a diferença da Paulicéia-dos-lugares-fechados e o Rio-dos-lugares-abertos.
Parte 2 - como mostrar aos cariocas que a pegada é bruta
minha formação meio-católica meio-pepperoni nunca foi tão forte pra eu desejar casar na Igreja. mas confesso que sempre tive vontade de me vestir de noiva, com véu e tudo. nossas fantasias - realizadas - de noivas, com direito a buquê, fez um sucesso do metrô ao bola preta. além de provocações, poses pra fotos estrangeiras e apertos no bumbum, nosso 'bloco paulista da madeira pesada' foi uma sensação no carnaval. travestis, gringos, funcionários do metrô e até policiais foram aliciados na malícia pejorativa-permissiva do carnaval.
num calor absurdo que evapora o álcool do teu corpo numa velocidade que impõe uma relação de equivalência cerveja-água, fomos parar num almoço meia-boca na Lapa, e por sorte Dionisíaca (amém!), saía ali um dos melhores blocos desse carnaval, dada as músicas e o tamanho do público.
teve um bloco que eu encontrei um cara de pandeiro e comecei a tocar com ele qualquer coisa, e e àquela altura estava tão à vontade no Rio que passeava no bloco de cueca. a gente tinha uma pinga mineira da boa, e quando me encontrei sem querer com o cara do pandeiro (não existem nomes no Carnaval) ele me chamou de "aquele paulista-sinistro", com o típico "s" com som "x" carioca. eu aceitei os "xinistro" e ofereci a pinga, que de tão forte, disse que havia gasolina misturada, logo depois que ele tinha dado um gole. o cara arregalou o olho e deu passo pra trás me perguntando: "você tá de sacanagem né?"
"só um dedo de gasolina pra dar um grauzinho..." respondi.
uma vez no metrô, pegamos um horário bem família pra irmos pra um bloco, e num vagão repleto, havia uma Geni (obrigado, caprichei na maquiagem), uma mulher dos anos setenta barbuda e uma carioca vestida de menino. a provocação começou por parte deles, um grupo de caras rindo das 'mulheres feias'. terminou com a gente levando a sério o papel (esse é um dado importante, como as pessoas assumem seus personagens travestidos nos blocos de rua) e quase sentando no colo de um pobre coitado que ficou isolado dos amigos, com as pessoas do vagão rindo impressionados, e com aplausos unânimes quando saímos na nossa parada. acho que nem quando eu cantava num coral beneficiente eu recebi aplausos tão sinceros.
o que me fascina no Rio é sua complexa relação província-metrópole, como se bolsões de características interioranas sobrevivessem agrupadas num todo que ganha uma face urbana-cidade-grande. LApa, Santa Teresa, parecem que vivem num ritmo próprio, interligada com a loucura ao redor, mas não necessariamente vinculada ou dependente.
é quase uma cidade esquizofrênica. tão grande e tão pequena que até encontramos alguns outros paulistas conhecidos pulando por lá.
PArte 3 - como fazer um pedido a um garçom carioca
tome nota: leve um estilingue e umas palavras cruzadas. mire na cabeça e depois fique esperando um tempo, se distraia, e quando hegar nem tente reclamar que "era light" ou "eu disse frango não sopa" que até ele voltar você já comeu sua própria mão.
morteiros são opcionais.
não sei se é bom ou ruim, mas o carioca não é muito vidrado em ganhar dinheiro. não é qualquer taxi que sobe Santa Teresa, as lanchonetes da rodoviária nem aceitam cartão, e acreditem, uma mulher de um caixa de um supermercado em bairro nobre, passou a tarefa dela de dividir o valor pra dois cartões, logo pra mim, o cliente. o barbudo e seus cálculos mentais salvaram ela. em são paulo é rua na hora e se bobear dá cadeia pra coitada.
-- sessenta e cinco e trinta e quatro.
-- cobra metade nesse cartão e metade no outro.
-- ah! tô cansada. divide aí vocês. (cruzando os braços)
-- moça, já pensou em usar essa maquininha? (apontei pra calculadora que tem no balcão)
-- tá quebrada.
é vero...
o Rio é muito moderno, é um auto-atendimento generalizado: eu compro, eu pago, eu faço as contas pra dividir o valor...tipo a Holanda, só que com um poquinho mais de prostitutas e travestis.
PArte 4 - o que fazem dez milhões de paulistanos parados no trânsito??
no Rio, se você vai comprar um pipoca, se depara com um cartão postal.
se se perde num canto, cai num samba.
se tá cansado, senta numa praça.
do nada uma pedrona, uma trilha, sagüis e uma algum edifício da história nacional.
ah... cidades turísticas... uma árvore a cada três metros, e aquela bizonha impressão que todos seus habitantes tem o mesmo acesso a seus bens naturais-culturais...
tá certo que às vezes dá impressão que só o Centro e a Zona Sul são interessantes, e dadas as proporções destes bairros, o Rio fica bem pequeno.
tá certo que ser branco-fps-trinta declara publicamente que você é de fora, e te faz correr todos os riscos adjascentes.
tá certo que o futebol carioca é medonho beirando o deprimente.
tá certo também que carioca não dá muito bola pra paulista.
tá certo que café no Rio é uma espécie de água amarronzada (sem contar a idéia equivocada deles sobre pizza).
mas se tem uma coisa que não está certo é achar que a vida se resume a viver num treco de concreto superhabitado, cara e quente, com uma pressa neurótica e sem sentido. sem contar o orgulho paulista de ficar trabalhando o dia inteiro. eu hein...
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
ovo cozido
coloca-se o ovo (de galinha) numa panela cheia d'água.
até a água começar a fever vai uns cinco minutos. deixe borbulhar. daí leva mais quase dez minutos pro ovo ficar inteiramente cozido. isso se você gosta da gema consistente, sólida. se preferir a gema melequenta, tira com uns cinco minutos depois que ferver.
o ovo vai estar muito quente pra comer. deixe esfriar uns três minutos e comece a retirar a casca, que como estará grudada no ovo, levará pelo menos uns dois minutos pra tirar toda se você não tem prática.
pronto. pode comer.
em geral leva quase vinte minutos o processo completo de cozir e comer o ovo.
quem, nos dias neuróticos de hoje perde vinte minutos pra comer um ovo cozido?
o custo-benefício em relação ao tempo não compensa.
em vinte minutos dá pra fazer dez pipocas de microondas.
em vinte minutos dá pra fazer uns seis miojos.
e se tua pizzaria for perto dá pra chegar uma muzzarela.
não se come ovo cozido na pós-modernidade.
o ovo cozido é o símbolo da vida tranquila, sem neuroses com o relógio.
não se 'perde' vinte minutos. o tempo é abstrato demais pra possuirmos pra podermos perdê-lo.
viva o ovo cozido.
viva a vida no campo.
viva o sapo, o grilo e a malária.
viva.
até a água começar a fever vai uns cinco minutos. deixe borbulhar. daí leva mais quase dez minutos pro ovo ficar inteiramente cozido. isso se você gosta da gema consistente, sólida. se preferir a gema melequenta, tira com uns cinco minutos depois que ferver.
o ovo vai estar muito quente pra comer. deixe esfriar uns três minutos e comece a retirar a casca, que como estará grudada no ovo, levará pelo menos uns dois minutos pra tirar toda se você não tem prática.
pronto. pode comer.
em geral leva quase vinte minutos o processo completo de cozir e comer o ovo.
quem, nos dias neuróticos de hoje perde vinte minutos pra comer um ovo cozido?
o custo-benefício em relação ao tempo não compensa.
em vinte minutos dá pra fazer dez pipocas de microondas.
em vinte minutos dá pra fazer uns seis miojos.
e se tua pizzaria for perto dá pra chegar uma muzzarela.
não se come ovo cozido na pós-modernidade.
o ovo cozido é o símbolo da vida tranquila, sem neuroses com o relógio.
não se 'perde' vinte minutos. o tempo é abstrato demais pra possuirmos pra podermos perdê-lo.
viva o ovo cozido.
viva a vida no campo.
viva o sapo, o grilo e a malária.
viva.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
acabou o assunto.
conversa de elevador e a velha a fiar.
no mais, continua tudo marromeno.
vou aproveitar que meu talento tirou férias
e vou atrás dele; quando raptá-lo e guardá-lo no bolso (daqueles com zíper pra não escapulir) eu volto.
adianto o que provavelmente seria as próximas quinze pseudo-crônicas:
eu sou um vagabundo, eu gosto do zé carioca, trabalhar é uma merda.
um bocejo
PS: agora todo mundo quer ser bipolar. se você é uma pessoa visivelmente desequilibrada com tendências frenéticas-empolgantes sucetíveis ao repentino suicídio, então você é cult.
você não é um fracassado porque seu emprego é muito do meia-boca, e todo mundo já tinha pegado sua mina. na verdade você tem um distúrbio psicológico que só pessoas muito inteligentes e sensíveis têm. a mudança drástica de humor não te deixa fazer nada direito. não é culpa sua...
-- olha mamãe, eu sou bipolar!
:)
:(
já vi gente inventar desculpa pra ser vagabundo, mas cada dia eu me surpreendo mais.
conversa de elevador e a velha a fiar.
no mais, continua tudo marromeno.
vou aproveitar que meu talento tirou férias
e vou atrás dele; quando raptá-lo e guardá-lo no bolso (daqueles com zíper pra não escapulir) eu volto.
adianto o que provavelmente seria as próximas quinze pseudo-crônicas:
eu sou um vagabundo, eu gosto do zé carioca, trabalhar é uma merda.
um bocejo
PS: agora todo mundo quer ser bipolar. se você é uma pessoa visivelmente desequilibrada com tendências frenéticas-empolgantes sucetíveis ao repentino suicídio, então você é cult.
você não é um fracassado porque seu emprego é muito do meia-boca, e todo mundo já tinha pegado sua mina. na verdade você tem um distúrbio psicológico que só pessoas muito inteligentes e sensíveis têm. a mudança drástica de humor não te deixa fazer nada direito. não é culpa sua...
-- olha mamãe, eu sou bipolar!
:)
:(
já vi gente inventar desculpa pra ser vagabundo, mas cada dia eu me surpreendo mais.
terça-feira, janeiro 16, 2007
ser ansioso é extremamente cansativo. não digo que sou aqueles que ficam batendo o pé freneticamente no chão, ou chacoalhando o joelho pra-cima-pra-baixo, mas sou o ansioso do tipo vagabundo, aquele que se marcar qualquer coisa pra fazer no dia seguinte fica alerta na cama, olhando pro teto, na maçante espera do inédito dia seguinte.
até pra tirar a segunda via do meu RG eu perco o sono:
imagino a fila que vou pegar e imagino o livro que vou tentar ler e imagino o sono que vai começar a me dar já que eu acordei cedíssimo exatamente pra não pegar fila mas isso é são paulo e não existe a possibilidade de você sentar para amarrar o tênis sem pegar uma filhinha, e como ficarei irritado com isso então já penso numa resposta de antemão pra evitar meu aborrecimento já que fui eu que perdi minha carteira naquele balada que eu exagerei e porque eu exagerei? e agora já foi, e só me resta esperar pra acordar cedo bem cedo pra pegar o mínimo de fila possível pra me livrar logo desse encargo de tirar a segunda a via do rg e vou aproveitar o ensejo e resolver aquela coisa no centro pra já fazer tudo de uma vez e não ter que escolher outra data e esperar tudo de novo já me livro de outro encargo e eu espero que todos os documentos estejam certos e que não falte nada e que eu resolva logo e que eu pense em outra coisa pra fazer amanhã mas eu não sei quanto tempo isso vai me levar então eu não vou marcar nada por equanto e provavelmente vai ser um dia perdido e porque a droga do sono não vem, acho que vou beber uma água pra ajudar e de repente ler um pouco daquele meu livro pra ir pegando no sono e já são duas e meia caralho vou dormir pouquíssimo com certeza será um dia perdido amanhã mesmo que eu faça as coisas rápidas porque me dará um sono mais tarde já que vou dormir tão pouco e é melhor eu pensar em alguma coisa que me relaxe e como eu faço pra desligar meu cérebro frenético-neurótico com uma avalanche de pensamentos dispersos e desconexos que não me levam a nenhuma conclusão além de aumentar minha ansiedade em querer que amanhã chegue e logo pra eu me livrar dessa tarefa tediosa e me dedicar à alguma coisa mais...puff
e olha que coisa, consegui ficar acordado.
até pra tirar a segunda via do meu RG eu perco o sono:
imagino a fila que vou pegar e imagino o livro que vou tentar ler e imagino o sono que vai começar a me dar já que eu acordei cedíssimo exatamente pra não pegar fila mas isso é são paulo e não existe a possibilidade de você sentar para amarrar o tênis sem pegar uma filhinha, e como ficarei irritado com isso então já penso numa resposta de antemão pra evitar meu aborrecimento já que fui eu que perdi minha carteira naquele balada que eu exagerei e porque eu exagerei? e agora já foi, e só me resta esperar pra acordar cedo bem cedo pra pegar o mínimo de fila possível pra me livrar logo desse encargo de tirar a segunda a via do rg e vou aproveitar o ensejo e resolver aquela coisa no centro pra já fazer tudo de uma vez e não ter que escolher outra data e esperar tudo de novo já me livro de outro encargo e eu espero que todos os documentos estejam certos e que não falte nada e que eu resolva logo e que eu pense em outra coisa pra fazer amanhã mas eu não sei quanto tempo isso vai me levar então eu não vou marcar nada por equanto e provavelmente vai ser um dia perdido e porque a droga do sono não vem, acho que vou beber uma água pra ajudar e de repente ler um pouco daquele meu livro pra ir pegando no sono e já são duas e meia caralho vou dormir pouquíssimo com certeza será um dia perdido amanhã mesmo que eu faça as coisas rápidas porque me dará um sono mais tarde já que vou dormir tão pouco e é melhor eu pensar em alguma coisa que me relaxe e como eu faço pra desligar meu cérebro frenético-neurótico com uma avalanche de pensamentos dispersos e desconexos que não me levam a nenhuma conclusão além de aumentar minha ansiedade em querer que amanhã chegue e logo pra eu me livrar dessa tarefa tediosa e me dedicar à alguma coisa mais...puff
e olha que coisa, consegui ficar acordado.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
teses infundadas para momentos em família
eu tenho a impressão de que no futuro se classificarem nossa geração de burra, sairemos no mínimo, no lucro. burra ou, com educação, o eufemismo de historicidas. isso porque parece que esquecemos ou negligenciamos todo desenvolvimentos científico no campo social-humano-filosófico-artístico. dá impressão que ninguém leva em consideração o que freud falou sobre o inconsciente, o que os arquitetos buscaram com o modernismo, o que duchamp dizia sobre a arte, e, principalmente, que essa história de trabalhar oito horas por dia é coisa de proletário de cem anos atrás.
enfim, sugiro então, que tentemos nos salvar historicamente, condicionando e viabilizando nossas pulsões sexuais, derrubando paredes e ornamentos desnecessários, matando de vez a natureza-morta (de um modo conceituado) e claro, trabalhando o mínimo possível.
esses são meus votos para dois mil e sete.
antes que eu me esqueça
ignorância é boa quando plena; o duro são aqueles flashs intelectuais que te fazem perceber que existem alguns que sabem menos ainda, e sabe-se lá como, mandam mais na sociedade.
(qualquer identificação com teu patrão, prefeito ou teu vizinho que ganha muito mais que você não é mera coincidência).
ano-novo
antes eu achava que ano-novo servia só pra te constranger com familiares distantes ou pra justificar ficar bêbado na frente da tua vó. mas agora percebo, que além disso, a função social do ano-novo é revitalizar as crenças do indivíduo na sociedade. se o ano não acabasse uma hora, o tempo pareceria incrivelmente monótono (aumentando nossa angústia existencial e consequentemente provocando homicídios em massa) ou infinito (aumentando nossa megalomania de seres imortais e complexo de tirano e consequentemente provocando homicídios em massa). mas como uma hora o ano acaba e em seguida ele começa de novo (o tempo é o funcionário-modelo) sempre que um ano começa temos um motivo de achar que 'agora sim a coisa vai': o regime, o namoro, o time e até o trabalho.
serve também como desencargo de consciência: o que foi feito foi, ficou lá atrás no ano que passou. ou seja, se fiquei em dívida com alguém, um abraço! foi o meu alter-ego-2006 que fez a dívida, não é problema meu. ano-novo-vida-nova.
(uma tese um tanto esquizofrênica)
eu tenho a impressão de que no futuro se classificarem nossa geração de burra, sairemos no mínimo, no lucro. burra ou, com educação, o eufemismo de historicidas. isso porque parece que esquecemos ou negligenciamos todo desenvolvimentos científico no campo social-humano-filosófico-artístico. dá impressão que ninguém leva em consideração o que freud falou sobre o inconsciente, o que os arquitetos buscaram com o modernismo, o que duchamp dizia sobre a arte, e, principalmente, que essa história de trabalhar oito horas por dia é coisa de proletário de cem anos atrás.
enfim, sugiro então, que tentemos nos salvar historicamente, condicionando e viabilizando nossas pulsões sexuais, derrubando paredes e ornamentos desnecessários, matando de vez a natureza-morta (de um modo conceituado) e claro, trabalhando o mínimo possível.
esses são meus votos para dois mil e sete.
antes que eu me esqueça
ignorância é boa quando plena; o duro são aqueles flashs intelectuais que te fazem perceber que existem alguns que sabem menos ainda, e sabe-se lá como, mandam mais na sociedade.
(qualquer identificação com teu patrão, prefeito ou teu vizinho que ganha muito mais que você não é mera coincidência).
ano-novo
antes eu achava que ano-novo servia só pra te constranger com familiares distantes ou pra justificar ficar bêbado na frente da tua vó. mas agora percebo, que além disso, a função social do ano-novo é revitalizar as crenças do indivíduo na sociedade. se o ano não acabasse uma hora, o tempo pareceria incrivelmente monótono (aumentando nossa angústia existencial e consequentemente provocando homicídios em massa) ou infinito (aumentando nossa megalomania de seres imortais e complexo de tirano e consequentemente provocando homicídios em massa). mas como uma hora o ano acaba e em seguida ele começa de novo (o tempo é o funcionário-modelo) sempre que um ano começa temos um motivo de achar que 'agora sim a coisa vai': o regime, o namoro, o time e até o trabalho.
serve também como desencargo de consciência: o que foi feito foi, ficou lá atrás no ano que passou. ou seja, se fiquei em dívida com alguém, um abraço! foi o meu alter-ego-2006 que fez a dívida, não é problema meu. ano-novo-vida-nova.
(uma tese um tanto esquizofrênica)
quinta-feira, dezembro 21, 2006
NAtal é a coisa mais bizarra que existe (depois da Páscoa)
ah o Natal! todas aquelas luzes coloridas, musiquinhas de celular muito antes de celular existir, e aquele tumulto pra comprar presente.
contrariando meus grupos de amigos de jovens, eu não sou nem ateu, nem meio-comunistinha-meio-ambientalista, nem gay, nem anti-família, e portanto continuo achando o Natal um barato. mas de uns tempos pra cá, conforme foram crescendo pêlos no meu corpo e eu só fui ganhando cuecas de presente, o Natal foi ficando bem sem graça.
após o esfalecimento do meu encanto mirim, pude reparar na bizarrice natalina: aqueles pinheiros, aqueles alces de enfeite, neve (!) e outras coisas mais que passam longe do sul do Equador. debaixo da minha árvore tem um boneco de neve, com gorro e cachecol. posso contar nos dedos quantas vezes na minha vida vesti gorro ou cachecol, menos ainda os dois juntos. Isso porque Jesus nasceu na terra mais quente e seca possivelmente habitável na Terra. Natal é muito gringo, não faz o menor sentido tupiniquim.
confesso que a única onça pintada (nosso símbolo mor) que eu vi na vida foi na abertura de Pantanal, mas alce é demais. não sei nem aonde vive esse bicho, acho que nem sei escrever direito o nome dele. a coisa mais brasuca por perto é alface. de nada, foi minha piada sem-graça de NAtal para vocês.
falando em bicho que não se sabe as origens, a gente ainda janta um peru e um chester. peru com certeza deve vir do país vizinho da galinha, ok. agora, chester, não está nem nossos livros de biologia do segundo grau. a origem do chester é a maior incógnita do mundo desde o assassinato da Odete Roitman. minha sorte que não caiu nenhuma pergunta sobre chester no vestibular, senão estaria até hoje lavando prato.
portanto o Natal se configura numa festa bizarra, sem sentido e vínculos nacionais, com coisas estranhas ao nosso dia-a-dia, que ninguém sabe a origem, mas como todo mundo quer ganhar um celular novo, a gente vai mantendo.
as únicas coisas que a gente sabe a origem no NAtal são os presentes (que é só ver a etiqueta) e o protagonista: dizem que veio de Nazaré. de fato, Jesus é o cara mais solidário do mundo: ele nasceu pra gente ganhar presente. no dia que eu nasci, só eu ganho presente, e olhe lá.
a real é que Natal sem criança na casa é muito sem graça. fui montar a àrvore só hoje (na verdade só supervisionei, vocês me conhecem). ia pedir pro Papai Noel uns sobrinhos, mas daí só ia servir pro Natal do ano que vem. e como dizem aqueles meu amigos delinquentes que vivem no bar "vai saber o dia de amanhã se vou estar vivo". então não vou pedir se não sei se vou usar.
e o pior é que sem criança ninguém faz questão de criar aquele clima (mágico, diga-se de passagem), mas também como é uma data religiosa as pessoas ficam sem graça de encher a lata.
ora, sem emoção, sem cerveja, e tem que ficar acordado até meia-noite? qualé, vou assistir pela enésima vez Jesus Christ Superstar no conforto da minha nova cueca.
um sincero bom Natal pra todos.
repensem suas atitudes, evitem aquela lavação de roupa suja e todos aqueles constrangimentos familiares, sorriam quando abrirem seus presente, e não devolvam que é feio.
que o novo Motorola de vocês tenha uma câmera embutida com milhares de pixels e me convidem pra fazer um curta. ou filme seu tio bêbado e ponha no Youtube.
se eu não voltar a escrever até o ANo-novo é porque Papai Noel prestou atenção no meu pedido, mesmo com todo o meu peso no seu colo, e me deu uma vespa vermelha, e eu saí por aí em busca da origem do chester (eu poderia usar o Google, mas francamente...aí a vida ficaria muito sem graça).
ciao!
PS: Natal passado fui dar uma de culto e pra todos que me perguntavam o que eu queria ganhar, respondia: livro, me dê algum livro interessante. bom, passado um ano, dois deles ainda estão na fila de espera, ao lado de mais dois que adquiri no percurso. chega de ser culto, da próxima vez eu vou pedir só aquele oclinhos preto de armação grossa e quadricular.
contrariando meus grupos de amigos de jovens, eu não sou nem ateu, nem meio-comunistinha-meio-ambientalista, nem gay, nem anti-família, e portanto continuo achando o Natal um barato. mas de uns tempos pra cá, conforme foram crescendo pêlos no meu corpo e eu só fui ganhando cuecas de presente, o Natal foi ficando bem sem graça.
após o esfalecimento do meu encanto mirim, pude reparar na bizarrice natalina: aqueles pinheiros, aqueles alces de enfeite, neve (!) e outras coisas mais que passam longe do sul do Equador. debaixo da minha árvore tem um boneco de neve, com gorro e cachecol. posso contar nos dedos quantas vezes na minha vida vesti gorro ou cachecol, menos ainda os dois juntos. Isso porque Jesus nasceu na terra mais quente e seca possivelmente habitável na Terra. Natal é muito gringo, não faz o menor sentido tupiniquim.
confesso que a única onça pintada (nosso símbolo mor) que eu vi na vida foi na abertura de Pantanal, mas alce é demais. não sei nem aonde vive esse bicho, acho que nem sei escrever direito o nome dele. a coisa mais brasuca por perto é alface. de nada, foi minha piada sem-graça de NAtal para vocês.
falando em bicho que não se sabe as origens, a gente ainda janta um peru e um chester. peru com certeza deve vir do país vizinho da galinha, ok. agora, chester, não está nem nossos livros de biologia do segundo grau. a origem do chester é a maior incógnita do mundo desde o assassinato da Odete Roitman. minha sorte que não caiu nenhuma pergunta sobre chester no vestibular, senão estaria até hoje lavando prato.
portanto o Natal se configura numa festa bizarra, sem sentido e vínculos nacionais, com coisas estranhas ao nosso dia-a-dia, que ninguém sabe a origem, mas como todo mundo quer ganhar um celular novo, a gente vai mantendo.
as únicas coisas que a gente sabe a origem no NAtal são os presentes (que é só ver a etiqueta) e o protagonista: dizem que veio de Nazaré. de fato, Jesus é o cara mais solidário do mundo: ele nasceu pra gente ganhar presente. no dia que eu nasci, só eu ganho presente, e olhe lá.
a real é que Natal sem criança na casa é muito sem graça. fui montar a àrvore só hoje (na verdade só supervisionei, vocês me conhecem). ia pedir pro Papai Noel uns sobrinhos, mas daí só ia servir pro Natal do ano que vem. e como dizem aqueles meu amigos delinquentes que vivem no bar "vai saber o dia de amanhã se vou estar vivo". então não vou pedir se não sei se vou usar.
e o pior é que sem criança ninguém faz questão de criar aquele clima (mágico, diga-se de passagem), mas também como é uma data religiosa as pessoas ficam sem graça de encher a lata.
ora, sem emoção, sem cerveja, e tem que ficar acordado até meia-noite? qualé, vou assistir pela enésima vez Jesus Christ Superstar no conforto da minha nova cueca.
um sincero bom Natal pra todos.
repensem suas atitudes, evitem aquela lavação de roupa suja e todos aqueles constrangimentos familiares, sorriam quando abrirem seus presente, e não devolvam que é feio.
que o novo Motorola de vocês tenha uma câmera embutida com milhares de pixels e me convidem pra fazer um curta. ou filme seu tio bêbado e ponha no Youtube.
se eu não voltar a escrever até o ANo-novo é porque Papai Noel prestou atenção no meu pedido, mesmo com todo o meu peso no seu colo, e me deu uma vespa vermelha, e eu saí por aí em busca da origem do chester (eu poderia usar o Google, mas francamente...aí a vida ficaria muito sem graça).
ciao!
PS: Natal passado fui dar uma de culto e pra todos que me perguntavam o que eu queria ganhar, respondia: livro, me dê algum livro interessante. bom, passado um ano, dois deles ainda estão na fila de espera, ao lado de mais dois que adquiri no percurso. chega de ser culto, da próxima vez eu vou pedir só aquele oclinhos preto de armação grossa e quadricular.
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Pinochet e outras inutilidades
Tudo começou com o Brizola; depois veio o Papa. e agora, superando todas as expectativas (falavam em pacto com o demo, ou como eu prefiro, um acordo em famiglia), foi a vez do Pinochet. Se continuarmos nesse ritmo, titio Fidel não comemorará o 50º aiversário da Revolução Cubana, Oscar Niemeyer deixará os projetos de prédios descolados públicos para outros arquitetos, e Ariel Sharon, o cara mais mau do mundo com um nome ambissexual, deixará criancinhas palestinas brincarem em paz. e por favor, Deus, eu, que nunca te pedi nada (desde do frustrante presente de Natal de 94, que se o se senhor não se lembra eu tinha dito SuperNintendo, e não quebra-cabeça do Mickey), por favor, não se esqueça da Thatcher. só isso que eu te peço: não se es-que-ça da Tha-tcher. se bem que, com sua útlima declaração (Thatcher, não Deus) de "profunda tristeza" com a morte do Pinochet, ela conseguiu alcançar o sétimo sentido espiritual da sensibilidade humana, quase um nirvana da solidariedade, o que pode aumentar, uns trinta anos ainda sua permanência na Terra.
Ok, ok, desde de que, de fato, exista um Inferno, pior que a balada (tô brincando, sem qualificar baladas aqui, deixamos isso pro Guia da Folha) e que eles queimem dolorosamente lá, tá limpo (exceto Fidel e Niemeyer, e outros velhos comunistas como Saramago, porque eu ainda tenho um projeto de conhecer eles, e quem sabe casar com a filha.. não, não.. filha já foi.. então com alguma neta deles e herdar alguma coisa da hora). daí eu ganho um broche da União Soviética! ah, me poupe... já mudei de idéia.
...
Segundo Marilena Chauí, "quando procuramos a origem das palavras pensamento e pensar, descobrimos que procedem de um verbo latino, o verbo pendere, que significa: ficar em suspenso, estar ou ficar pendente ou pendurado". daí eu disse isso pro Genildo, o dono do bar: penduro, logo existo; devo não nego, pago quando puder.
aí ele me mostrou a louça suja e a conversa filosófica acabou por ali.
...
franquista jamais (senão meu pai me mata, ou meu avô ressuscita e ele sim, me mata), mas sou franco o bastante pra dizer: 'não é nada pessoal, mas você enche o saco'. ou, 'não é por nada não, mas você é um puta de um bundão'; ainda não apanhei porque sou um franco com consciência de segmento de mercado: evite os fortes e ignorantes. andei treinando com meu priminho: "Lipe, você tá chato hoje. desce daí que já tá doendo. quem é o meu chatinho? quem é o meu chatinho?" com aquele jeito que a gente fala com cachorro "quem é o meu garotão?" sabe? "quem é o meu garotão?" "quem é o meu garotão?" não sabe? aonde você estava nos últimos quinze anos de filmes americanos na Sessão da Tarde?
...
São Paulo não chega a ser o túmulo do samba porque vive tendo sambinhas espalhados pela cidade. Ainda que copie o estlio carioca de tocar, está mais próximo de ser um negativo do Rio. negativo, negativo, aquele de revelar foto. nas suas devidas proporções, no último fim-de-semana, eu e mais, literalmente, meia dúzia de brancos num contigente de mais, bem mais que cem pessoas, em qualquer samba-de-roda do Rio contrastam com o sambinha de ontem na Vila Madalena. Contados, num ambiente de pelo menos cem pessoas, cinco negros: meu amigo, um músico, uma moça e um rapaz, e o garçom. samba-pó-de-arroz ou samba-macarrônico, como preferir.
No Rio, eu estava pensando romanticamente (porque tirando meu lado grosso e cafajeste, eu costumo ser romântico): a senzala venceu. as manifestações negras, segregadas, perseguidas e proibidas, se deu de uma forma tão intensa e importante pra constituição de uma identidade cultural pra grande massa que insurgiu, de um tal modo, que extravasou a 'cozinha' e hoje domina a 'sala', principalmente o televisor. por outro lado, se deu uma apropriação branca e capitalista (indústria fonográfica e do entretenimeto) que corroeram alguns vínculos mais culturais baseados em relações concretas de experiêcias sociais, religiosas, que sustentavam todo o processo de criação e realização do samba, desde seus instrumentos, ao modo de tocar e à temática das letras, transformando, aparentemente (pelo menos em São Paulo, na classemédiolândia), num produto chamado "cultura nacional de diversão, à venda na próxima balada, aproveite enquanto é cult".
uma visão crítica da coisa.
ou não (viva Caetano!).
acho que falei um monte de besteira, até porque eu não tenho nenhum embasamento teórico, musical, não sou estudante de Sociais, e definitivamente não tenho compromisso com a verdade.
às vezes ( e só às vezes ok?) eu me engano, mas daí eu fico insistindo um pouco pra ver se o engano, que pra mim faz tanto sentido, não vira verdade. geralmente não.
o plausível já me basta mesmo.
eu avisei que era franco.
diferentemente (olha como é a vida) do Pinosheet, que admitiu que mentia às vezes, por isso usava óculos escuros. sério, saiu no Estadão. esclerosado é pouco. minto, logo uso óculos escuros. qualé? aonde está o sentido disso?
se fosse assim ninguém acreditaria em cegos.
e nem no Chico Xavier.
...
ouvi dizer, que um americano médio (tamanho GG), ao saber da morte do Pinochet, perguntou à esposa: e agora querida, quem vai ser o presidente da Bolívia?
Ok, ok, desde de que, de fato, exista um Inferno, pior que a balada (tô brincando, sem qualificar baladas aqui, deixamos isso pro Guia da Folha) e que eles queimem dolorosamente lá, tá limpo (exceto Fidel e Niemeyer, e outros velhos comunistas como Saramago, porque eu ainda tenho um projeto de conhecer eles, e quem sabe casar com a filha.. não, não.. filha já foi.. então com alguma neta deles e herdar alguma coisa da hora). daí eu ganho um broche da União Soviética! ah, me poupe... já mudei de idéia.
...
Segundo Marilena Chauí, "quando procuramos a origem das palavras pensamento e pensar, descobrimos que procedem de um verbo latino, o verbo pendere, que significa: ficar em suspenso, estar ou ficar pendente ou pendurado". daí eu disse isso pro Genildo, o dono do bar: penduro, logo existo; devo não nego, pago quando puder.
aí ele me mostrou a louça suja e a conversa filosófica acabou por ali.
...
franquista jamais (senão meu pai me mata, ou meu avô ressuscita e ele sim, me mata), mas sou franco o bastante pra dizer: 'não é nada pessoal, mas você enche o saco'. ou, 'não é por nada não, mas você é um puta de um bundão'; ainda não apanhei porque sou um franco com consciência de segmento de mercado: evite os fortes e ignorantes. andei treinando com meu priminho: "Lipe, você tá chato hoje. desce daí que já tá doendo. quem é o meu chatinho? quem é o meu chatinho?" com aquele jeito que a gente fala com cachorro "quem é o meu garotão?" sabe? "quem é o meu garotão?" "quem é o meu garotão?" não sabe? aonde você estava nos últimos quinze anos de filmes americanos na Sessão da Tarde?
...
São Paulo não chega a ser o túmulo do samba porque vive tendo sambinhas espalhados pela cidade. Ainda que copie o estlio carioca de tocar, está mais próximo de ser um negativo do Rio. negativo, negativo, aquele de revelar foto. nas suas devidas proporções, no último fim-de-semana, eu e mais, literalmente, meia dúzia de brancos num contigente de mais, bem mais que cem pessoas, em qualquer samba-de-roda do Rio contrastam com o sambinha de ontem na Vila Madalena. Contados, num ambiente de pelo menos cem pessoas, cinco negros: meu amigo, um músico, uma moça e um rapaz, e o garçom. samba-pó-de-arroz ou samba-macarrônico, como preferir.
No Rio, eu estava pensando romanticamente (porque tirando meu lado grosso e cafajeste, eu costumo ser romântico): a senzala venceu. as manifestações negras, segregadas, perseguidas e proibidas, se deu de uma forma tão intensa e importante pra constituição de uma identidade cultural pra grande massa que insurgiu, de um tal modo, que extravasou a 'cozinha' e hoje domina a 'sala', principalmente o televisor. por outro lado, se deu uma apropriação branca e capitalista (indústria fonográfica e do entretenimeto) que corroeram alguns vínculos mais culturais baseados em relações concretas de experiêcias sociais, religiosas, que sustentavam todo o processo de criação e realização do samba, desde seus instrumentos, ao modo de tocar e à temática das letras, transformando, aparentemente (pelo menos em São Paulo, na classemédiolândia), num produto chamado "cultura nacional de diversão, à venda na próxima balada, aproveite enquanto é cult".
uma visão crítica da coisa.
ou não (viva Caetano!).
acho que falei um monte de besteira, até porque eu não tenho nenhum embasamento teórico, musical, não sou estudante de Sociais, e definitivamente não tenho compromisso com a verdade.
às vezes ( e só às vezes ok?) eu me engano, mas daí eu fico insistindo um pouco pra ver se o engano, que pra mim faz tanto sentido, não vira verdade. geralmente não.
o plausível já me basta mesmo.
eu avisei que era franco.
diferentemente (olha como é a vida) do Pinosheet, que admitiu que mentia às vezes, por isso usava óculos escuros. sério, saiu no Estadão. esclerosado é pouco. minto, logo uso óculos escuros. qualé? aonde está o sentido disso?
se fosse assim ninguém acreditaria em cegos.
e nem no Chico Xavier.
...
ouvi dizer, que um americano médio (tamanho GG), ao saber da morte do Pinochet, perguntou à esposa: e agora querida, quem vai ser o presidente da Bolívia?
sábado, dezembro 09, 2006
agora vai. cortei o cabelo, fiz a barba, e porque não, escovei os dentes.
tô brincando. só cortei as unhas. é bom pra não ficar espremendo cravos-que-inflamam-e-viram-espinhas-contrangedoras-anacrônicas.
o cabelo cortaram por mim (da outra vez que eu mesmo tentei pareci com um mendigo) , agora a barba foi eu que fiz mesmo. isso explica pontilhos de sangue, fazia tempo que eu não treinava.
barba-cabelo-bigode. fala isso três vezes e mentaliza um desejo.
barba-cabelo-bigode-barba-cabelo-bigode-barba-cabelo-bigode: plim! pra mim? obrigado, não precisava. te amo deus. opa, Deus, perdão. é assim que se deve falar com Ele. ou, se me permitem a capciosidade, Ela?
puff! um braço a menos.
definitivamente Ele não tem o menor senso de humor e ainda por cima é rancoroso.
eu entendo, todo órfão é assim. ou filho único. mimado, não aguenta brincadeira. vai lá então bater bola sozinho na parede.
daí me perguntaram: mas porquê a mudança radical? preciso arranjar um emprego, uma namorada e regastar toda minha dignidade social, para que as pessoas voltem a me dar bom dia no hall de espera do elevador. ou que pelo menos comentem sobre o tempo.
olha, tá quente, e não é culpa minha, juro. nem tenho carro, não fumo, não poluo e não voto no bush. então, se enquanto estamos indo do décimo pro tê você queira comentar alguma coisa comigo, sou todo ouvidos pra ahãss, pois és, é-é-mesmoss.
só por isso? não, tem mais a ver com dinheiro e mulher mesmo. assim não dá? dá dá não dá, mas fazendo bico vai dando né.
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente numa festa com muitas long-neks e nenhum abridor de garrafa.
era só abrir com a mão. põe um pano e gira.
não sabia dessas modernidades...[momento pensativo] isso explica porque mesmo sem som a festa tava tão animada;
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente envolvendo uma par de seios comprometidos com um orangotango com um par de neurônios, nada modernos diga-se de passagem. um era possessivo e outro era machista. daí já viu né...
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
guardo no bolso. no almoço só uso os de trás mesmo. menos coisa pra limpar depois né?
eu gosto de ficar passando a língua na gengiva, como se eu estivesse sexualmente provocando alguém. às vezes eu chupo um dente como se estivesse palitando sabe? chuap, chuap, faz o barulinho da língua-saliva-dente.
cortei o cabelo, fiz a barba. cortei o açúcar, fiz dez abdominais.
cortei o cabelo, fiz a barba, troquei meu Bukowsky por outra Pessoa.
outra pessoa sou eu. solidariedade é meu sobrenome: fiz o bulso da minha vó por gentileza, tirei o pulso da minha vó por gentileza, apresentei minha vó pro gentileza e disse: vó esse é aquele doido que escrevia aquelas parábolas bíblicas promovendo o nascimento de um novo homem enquanto assassinava o português. como a senhora pode ver, ele já está morto, e se você não colocar meu nome (completo dessa vez, e não vale apelidos constrangedores de infância) no teu testamento, provavelmente ficarei pobre, cabeludo, sujismundo, e viverei de profecias malucas escritas em viadutos de uma grande cidade.
já estou preparado pra próxima festa: cortei o cabelo, fiz a barba, passei bicarbonato de sódio nos dentes (agora globais), e decorei umas dez músicas do Chico caso apareça uma rodinha de violão e belas-cultas-sensíveis garotas. claro que eu não esqueci da camisinha, pra não repetir meu pai, e dessa vez tenho um abridor de garrafa no bolso. e também estou levando um sachê de maionese caso tenha dificuldades. droga, pensei que tinha parado com Bucowsky. então vou penhorar meu canivete suíço, minha castanhola espanhola e minha cafeteira italiana.
vou comprar um gravata azul. piu bella. combina com o vulcabrás que eu herdei do meu vô.
daí é só cortar o cabelo, fazer a barba e decorar aquela parte, do Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peitoExijo respeito, não sou mais um sonhadorChego a mudar de calçadaQuandoaparece uma florE dou risada do grande amorMentira.
tudo isso num sol sustenido, sob a lua num sereno be-mol.
larguei a rodoviária e a vida de cafajeste. não como mais frango com a mão.
fiz o bigode, guardei o ray-ban, e de camiseta ninguém mais vê meu colar dourado de SãoJorge.
e nem aquela tatuagem amor-só-de-mãe que eu fiz com uma bic quando passei pela cadeia.
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente envolvendo jogo-do-bicho, cadeia, uma tatuagem amor-só-de-mãe, e um delinqüente pensamento alto: só se for a tua.
ainda dói pra sentar.
tô brincando. só cortei as unhas. é bom pra não ficar espremendo cravos-que-inflamam-e-viram-espinhas-contrangedoras-anacrônicas.
o cabelo cortaram por mim (da outra vez que eu mesmo tentei pareci com um mendigo) , agora a barba foi eu que fiz mesmo. isso explica pontilhos de sangue, fazia tempo que eu não treinava.
barba-cabelo-bigode. fala isso três vezes e mentaliza um desejo.
barba-cabelo-bigode-barba-cabelo-bigode-barba-cabelo-bigode: plim! pra mim? obrigado, não precisava. te amo deus. opa, Deus, perdão. é assim que se deve falar com Ele. ou, se me permitem a capciosidade, Ela?
puff! um braço a menos.
definitivamente Ele não tem o menor senso de humor e ainda por cima é rancoroso.
eu entendo, todo órfão é assim. ou filho único. mimado, não aguenta brincadeira. vai lá então bater bola sozinho na parede.
daí me perguntaram: mas porquê a mudança radical? preciso arranjar um emprego, uma namorada e regastar toda minha dignidade social, para que as pessoas voltem a me dar bom dia no hall de espera do elevador. ou que pelo menos comentem sobre o tempo.
olha, tá quente, e não é culpa minha, juro. nem tenho carro, não fumo, não poluo e não voto no bush. então, se enquanto estamos indo do décimo pro tê você queira comentar alguma coisa comigo, sou todo ouvidos pra ahãss, pois és, é-é-mesmoss.
só por isso? não, tem mais a ver com dinheiro e mulher mesmo. assim não dá? dá dá não dá, mas fazendo bico vai dando né.
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente numa festa com muitas long-neks e nenhum abridor de garrafa.
era só abrir com a mão. põe um pano e gira.
não sabia dessas modernidades...[momento pensativo] isso explica porque mesmo sem som a festa tava tão animada;
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente envolvendo uma par de seios comprometidos com um orangotango com um par de neurônios, nada modernos diga-se de passagem. um era possessivo e outro era machista. daí já viu né...
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
guardo no bolso. no almoço só uso os de trás mesmo. menos coisa pra limpar depois né?
eu gosto de ficar passando a língua na gengiva, como se eu estivesse sexualmente provocando alguém. às vezes eu chupo um dente como se estivesse palitando sabe? chuap, chuap, faz o barulinho da língua-saliva-dente.
cortei o cabelo, fiz a barba. cortei o açúcar, fiz dez abdominais.
cortei o cabelo, fiz a barba, troquei meu Bukowsky por outra Pessoa.
outra pessoa sou eu. solidariedade é meu sobrenome: fiz o bulso da minha vó por gentileza, tirei o pulso da minha vó por gentileza, apresentei minha vó pro gentileza e disse: vó esse é aquele doido que escrevia aquelas parábolas bíblicas promovendo o nascimento de um novo homem enquanto assassinava o português. como a senhora pode ver, ele já está morto, e se você não colocar meu nome (completo dessa vez, e não vale apelidos constrangedores de infância) no teu testamento, provavelmente ficarei pobre, cabeludo, sujismundo, e viverei de profecias malucas escritas em viadutos de uma grande cidade.
já estou preparado pra próxima festa: cortei o cabelo, fiz a barba, passei bicarbonato de sódio nos dentes (agora globais), e decorei umas dez músicas do Chico caso apareça uma rodinha de violão e belas-cultas-sensíveis garotas. claro que eu não esqueci da camisinha, pra não repetir meu pai, e dessa vez tenho um abridor de garrafa no bolso. e também estou levando um sachê de maionese caso tenha dificuldades. droga, pensei que tinha parado com Bucowsky. então vou penhorar meu canivete suíço, minha castanhola espanhola e minha cafeteira italiana.
vou comprar um gravata azul. piu bella. combina com o vulcabrás que eu herdei do meu vô.
daí é só cortar o cabelo, fazer a barba e decorar aquela parte, do Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peitoExijo respeito, não sou mais um sonhadorChego a mudar de calçadaQuandoaparece uma florE dou risada do grande amorMentira.
tudo isso num sol sustenido, sob a lua num sereno be-mol.
larguei a rodoviária e a vida de cafajeste. não como mais frango com a mão.
fiz o bigode, guardei o ray-ban, e de camiseta ninguém mais vê meu colar dourado de SãoJorge.
e nem aquela tatuagem amor-só-de-mãe que eu fiz com uma bic quando passei pela cadeia.
aí ele me perguntou: mas porque você é zuado assim? quer dizer, o que aconteceram com seus dentes da frente?
pois é, rapaz, foi um incidente envolvendo jogo-do-bicho, cadeia, uma tatuagem amor-só-de-mãe, e um delinqüente pensamento alto: só se for a tua.
ainda dói pra sentar.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
e agora, uma daquelas minhas poesias, que depois eu me arrependo de postar, lá vai:
me distraio da vida
colorindo
me distraio do que vejo
de verdade
me distraio ocupando
o vazio
me distraio esvaziando
a ansiedade
me distraio fugindo
do meu tempo
me distraio correndo
ao mercado
me distraio bebendo
mais um trago
e eu me estrago pra me distrair
e eu me destruo enquanto me distraio
colorindo
me distraio do que vejo
de verdade
me distraio ocupando
o vazio
me distraio esvaziando
a ansiedade
me distraio fugindo
do meu tempo
me distraio correndo
ao mercado
me distraio bebendo
mais um trago
e eu me estrago pra me distrair
e eu me destruo enquanto me distraio
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Ipanema: projeto de vida
outro título seria: meu reino, meu reino por um caladril.
se você não é branquelo jamais entenderá (nada contra, sou corinthiano, não faço piada racista).
é que nós, ilustres netos de europeus civilizados, herdeiros da cultura clássica grega, e que vieram com uma mão na frente e outra atrás fugindo da fome para o Brasil (com piolho e muita cárie), não podemos, nas praias e lugares a céu aberto, travar um diálogo muito duradouro com o Rei Sol. tive a pachorra de tirar sarro dos gringos em Ipanema, que davam um show de branquelice em mim, torrando num Sol de dar dó. foi suficiente: fui dar um pulo n'água e me exibir pras cariocas que agora só consigo dormir de barriga pra cima, bezuntado de hidratante. até sorrir dói!
nas minhas visitas ao samba carioca, legítimo (porque nenhum foi na Zona Sul), percebi a diferença entre cultura popular carioca e balada de classe média paulistana. e percebi que calor somado à pressão atmosférica ao nível do mar me dá um leseira, uma preguiça, uma vontade de dormir, que de fato, seria impossível pra qualquer ser humano naquela terra manter o mínimo de compromisso com o Deus-Trabalho. talvez isso também explique o povo baiano.
desempregado é quadro. desocupado é aquela função ridícula que a gente faz quando 'trabalha'. eu prefiro o termo 'não é que eu não trabalho, é que eu prefiro fazer uma coisa mais útil pra mim mesmo'. um empenho narcísico. mas cult: ver filmes, exposições, ler livros, ver tua família, ver a luz do dia, evitar tendinites e faniquitos de pessoas que não gostam dessas atividades que eu citei acima.
após largar essa vida de estagiotário, pensei sobre minhas atitudes e fiz uma auto-crítica, numa segunda-feira, lá pelas duas da tarde, deitado, embaixo de um guarda-sol em Ipanema.
daí tive a uma idéia pra ajudar nossa humanidade-xaropeta. é o que eu chamo de Ipanema:projeto de vida.
no meu próximo governo eu juro uma Ipanema em todas as cidades com mais de quinhentos mil habitantes, para melhorar a sociabilidade e lembrar que a vida é boa, e trazer alegriapra alma-amarela-de-crachá.
e o que eu mais gosto mais de Ipanema nem são aqueles gringos irremediáveis, que acham que só porque a meia tem comprimento até a metade canela, significa que ela tem que estar erguida até a metade da canela, e nem é a água (que sempre que eu vou está absurdamente gelada), e nem tanto as cariocas de biquini (tenho uma tese que explica as cariocas não gostarem de paulissstas), mas é a paz de espírito pra ficar deitado dormindo, sem pensar em nada, só soltando grunidos de 'não, brigado' para os ambulantes-constantes injustiçados pelo neo-liberalismo.
eu também gosto bastante do Leblon, como bairro em geral, pena que tudo tem preços orbitantes. mas antes que isso vire novela da Globo, só queria deixar claro, que sim, existe vida pós-trânsito-enchente-patrão-vidinha-de-ser-um-número-na-catraca-e-pagar-impostos.
existe um povo, que anda sem camisa até no metrô e mija em qualquer canto.
um povo que não gosta de placa de rua, solta tiros à noite, e faz um samba-de-roda à cada esquina.
um povo que trabalha também, mas não acha isso o sentido da vida.
um povo negro pra ca-ra-lê-o, pra lembrar que a faculdade ainda é lugar da elite branca.
(engraçado se sentir elite, quando você não faz idéia da onde vai tirar dinheiro pra cobrir tua conta depois do último fim-de-semana)
esse é o povo carioca: uma mistura engraçada de um certo provincianismo numa cidade grande, com um jeitão brasileirão, que no meu ingênuo otimismo juvenil, vejo como uma digna resistência cultural, de legítima nacionalidade, de forma a evitar uma pasteurização do seres humanos naquele babaquinha ocidental que exerce sua cidadania fazendo compras e se distraindo com acessórios coloridos pro seu novo-carro-velho.
vocês perceberam que agora que minha fonte de renda bruta foi 'dispensada' eu meto o pau em quem tem dinheiro. isso se chama, num bom português, de inveja.
mas como eu sou aquele que nem estuda Ciêcias Sociais mas vai fazer um estudo antropológico no Rio de Janeiro em plena 'segunda-feira ao sol', acho que não é minha vez de ter inveja. hihihihi.
e agora uma clamação-de-desabafo:
me amem e eu vos amarei.
me odeiem e ignorarei-vos até voltarem a me amar.
me liguem, me chamem pra sair, passem caladril nas minhas costas.
beijo-tchau.
PS: no Samba do Trem (que lá eles chamam de Pagode no Trem) conheci o Nelson Sargento, lenda da Portela. vou contar pros meus filhos. mas antes vou baixar alguns cd's deles na internet só pra saber o que ele canta e porque é uma lenda. isso se chama ignorância-paulisssta.
se você não é branquelo jamais entenderá (nada contra, sou corinthiano, não faço piada racista).
é que nós, ilustres netos de europeus civilizados, herdeiros da cultura clássica grega, e que vieram com uma mão na frente e outra atrás fugindo da fome para o Brasil (com piolho e muita cárie), não podemos, nas praias e lugares a céu aberto, travar um diálogo muito duradouro com o Rei Sol. tive a pachorra de tirar sarro dos gringos em Ipanema, que davam um show de branquelice em mim, torrando num Sol de dar dó. foi suficiente: fui dar um pulo n'água e me exibir pras cariocas que agora só consigo dormir de barriga pra cima, bezuntado de hidratante. até sorrir dói!
nas minhas visitas ao samba carioca, legítimo (porque nenhum foi na Zona Sul), percebi a diferença entre cultura popular carioca e balada de classe média paulistana. e percebi que calor somado à pressão atmosférica ao nível do mar me dá um leseira, uma preguiça, uma vontade de dormir, que de fato, seria impossível pra qualquer ser humano naquela terra manter o mínimo de compromisso com o Deus-Trabalho. talvez isso também explique o povo baiano.
desempregado é quadro. desocupado é aquela função ridícula que a gente faz quando 'trabalha'. eu prefiro o termo 'não é que eu não trabalho, é que eu prefiro fazer uma coisa mais útil pra mim mesmo'. um empenho narcísico. mas cult: ver filmes, exposições, ler livros, ver tua família, ver a luz do dia, evitar tendinites e faniquitos de pessoas que não gostam dessas atividades que eu citei acima.
após largar essa vida de estagiotário, pensei sobre minhas atitudes e fiz uma auto-crítica, numa segunda-feira, lá pelas duas da tarde, deitado, embaixo de um guarda-sol em Ipanema.
daí tive a uma idéia pra ajudar nossa humanidade-xaropeta. é o que eu chamo de Ipanema:projeto de vida.
no meu próximo governo eu juro uma Ipanema em todas as cidades com mais de quinhentos mil habitantes, para melhorar a sociabilidade e lembrar que a vida é boa, e trazer alegriapra alma-amarela-de-crachá.
e o que eu mais gosto mais de Ipanema nem são aqueles gringos irremediáveis, que acham que só porque a meia tem comprimento até a metade canela, significa que ela tem que estar erguida até a metade da canela, e nem é a água (que sempre que eu vou está absurdamente gelada), e nem tanto as cariocas de biquini (tenho uma tese que explica as cariocas não gostarem de paulissstas), mas é a paz de espírito pra ficar deitado dormindo, sem pensar em nada, só soltando grunidos de 'não, brigado' para os ambulantes-constantes injustiçados pelo neo-liberalismo.
eu também gosto bastante do Leblon, como bairro em geral, pena que tudo tem preços orbitantes. mas antes que isso vire novela da Globo, só queria deixar claro, que sim, existe vida pós-trânsito-enchente-patrão-vidinha-de-ser-um-número-na-catraca-e-pagar-impostos.
existe um povo, que anda sem camisa até no metrô e mija em qualquer canto.
um povo que não gosta de placa de rua, solta tiros à noite, e faz um samba-de-roda à cada esquina.
um povo que trabalha também, mas não acha isso o sentido da vida.
um povo negro pra ca-ra-lê-o, pra lembrar que a faculdade ainda é lugar da elite branca.
(engraçado se sentir elite, quando você não faz idéia da onde vai tirar dinheiro pra cobrir tua conta depois do último fim-de-semana)
esse é o povo carioca: uma mistura engraçada de um certo provincianismo numa cidade grande, com um jeitão brasileirão, que no meu ingênuo otimismo juvenil, vejo como uma digna resistência cultural, de legítima nacionalidade, de forma a evitar uma pasteurização do seres humanos naquele babaquinha ocidental que exerce sua cidadania fazendo compras e se distraindo com acessórios coloridos pro seu novo-carro-velho.
vocês perceberam que agora que minha fonte de renda bruta foi 'dispensada' eu meto o pau em quem tem dinheiro. isso se chama, num bom português, de inveja.
mas como eu sou aquele que nem estuda Ciêcias Sociais mas vai fazer um estudo antropológico no Rio de Janeiro em plena 'segunda-feira ao sol', acho que não é minha vez de ter inveja. hihihihi.
e agora uma clamação-de-desabafo:
me amem e eu vos amarei.
me odeiem e ignorarei-vos até voltarem a me amar.
me liguem, me chamem pra sair, passem caladril nas minhas costas.
beijo-tchau.
PS: no Samba do Trem (que lá eles chamam de Pagode no Trem) conheci o Nelson Sargento, lenda da Portela. vou contar pros meus filhos. mas antes vou baixar alguns cd's deles na internet só pra saber o que ele canta e porque é uma lenda. isso se chama ignorância-paulisssta.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Eric Hobsbawn, uma vez, disse que a história da humanidade é cíclica ascendente.
se ela anda pra frente, eu não sei, mas dar voltas ela dá.
eu por exemplo, larguei a tanga de estagiário e voltei ao meu melhor cargo: bon-vivant de plantão.
tô indo pro Rio pra 36 horas de esbórnia-total com muito samba e uma criaturagem-10.
se eu não voltar é porque me envolvi com uma nega lá.
(ou porque gastei todo meu dinheiro em cerveja)
tchau.
se ela anda pra frente, eu não sei, mas dar voltas ela dá.
eu por exemplo, larguei a tanga de estagiário e voltei ao meu melhor cargo: bon-vivant de plantão.
tô indo pro Rio pra 36 horas de esbórnia-total com muito samba e uma criaturagem-10.
se eu não voltar é porque me envolvi com uma nega lá.
(ou porque gastei todo meu dinheiro em cerveja)
tchau.
sábado, novembro 25, 2006
tá ok.
UOL me disse: morreu ontem o último panda marrom e branco. Neste momento, uma lágrima escorre pelo meu rosto.
...
No começo, ser enganação é ótimo: você faz uma média, constrói um personagem, faz um pout-pourri de esteriótipos, alguns trejeitos, e uma ideologia bonita-ecológicae-ou-anacrônica também ajuda. as pessoas compram a idéia e daí você vai alcançando o seu objetivo social-local. Só que vai passando um tempo, e vai ficando perigoso quando você mesmo começa a acreditar na sua própria enganação e começa a esperar que você tome atitudes conforme aquilo que você mesmo projetou ser. Aí vem uma certa frustração, e um lembrete: é mesmo, eu não sou assim, era só brincadeira. daí você levanta do chão, reconstituí os fragmentos da sua cara, passa um durepox, toma um chá de humildade (pode ser de saquinho) e começa a bolar outra enganaçãozinha.
Fui no meu SAC psicológico reclamar que o conteúdo do produto que eu tinha adquirido não constava com as promessas da embalagem.
...
Outro dia caiu um pé d’água aqui em casa, tão forte, com os maiores e mais fabulosos trovões que eu já vi na minha vida. Era cada barulho de explosão impressionante. Juro. Pensei comigo mesmo: pra quê tudo isso? Deus deve estava com raiva de alguém. Aposto que alguém no bairro anda cometendo o incesto.
O pior que raios e trovões são imprevisíveis (se alguém sabe prevê-los com certeza não sabe me explicar), então você acaba de levar um susto com um e vai ficar sempre na tensão de levar outro susto, que a qualquer momento cai mais um. A qual-quer mo-men-to! Coloca um violino no fundo e temos um filme de terror.
Fiquei imaginando na nossa época pré-tribal-tribalista. Claro que não existia civilizações antigas atéias. Como explicar a fúria do raio e do trovão? Não dá nem pra dormir. Daí imaginei um pré-histórico, numa dessas tempestades elétricas-magnéticas-que-queimam, dando bobeira num lugar descampado e levando um raiasso na cuca e lógico, batendo as botas. Daí, no dia seguinte, naturalmente acabaram-se o raios e a tribo encontra o sujeito morto. O ser humano não costuma ser muito inteligente quando anda em grupo, portanto deve ter sido fácil associar ‘fim-dos-raios’ com o ‘martírio-sacrifício’ do desatento que vacilou. Pronto, tivemos nosso primeiro santo-totem-mágico responsável, ainda não pela colheita, mas pelo fim das trovoadas-relampejadas. E este foi o princípio dos sacrifícios e dos cultos malucos. Nossa primeira autoridade religiosa e conseqüentemente política, foi um mané distraído na chuva.
Por isso eu não confio em autoridades. Está em sua gênese o seu caráter estúpido.
...
Partindo do pressuposto que preciso passar uma idéia de culto, tive que ir na Bienal.
Ainda mais que se o meu projeto de fazer um vídeo descoladex, colocar no YouTube e esperar a MTV me contratar não der certo, virarei artista, daqueles incompreendido por anos, e por isso já preciso ir me atualizando.
Não farei críticas, pois sei que réles mortais não entendem a Arte contemporânea, e como grandes vanguardas injustiçadas, só lá na frente vão reconhecer seu valor. Por isso quero ser da turma pra-frentex, que ignora o saudosismo, e acho tudo ‘bár-ba-ro’.
Fala sério, as fotografias estão ótimas, mas o que mais me impressionou foi uma ‘obra’ no meio da Bienal, estilo playground infantil, questionando o quanto crianças podem atrapalhar um pai numa exposição e portanto vou deixá-la nesse pula-pula se distraindo.
Sem contar o vídeo do gato comendo um rato.
Foi lindo. Quase fiz uma performance:
O gato.
O gato come.
O gato come o rato.
Como o gato come.
De fato, o rato.
De novo, o gato.
De fome não morro.
No morro tem churrasco de gato.
O gato comeu o rato
Da-rou-pa
Do-Rei
De- Ro-ma.
Sou fã de arte conceitual. Mas às vezes faço ridículo. Perdi dez minutos absorvendo todo o conjunto sígnico-semiótico da questão das queimadas nas florestas, dos atentados terroristas, das explosões deliberadas. Mas daí minha irmã me puxou e disse: “não Rafa, isso é apenas um extintor; faz parte do sistema de segurança do prédio.”
Ah bom. Alguma coisa eu entendi de lá.
...
No começo, ser enganação é ótimo: você faz uma média, constrói um personagem, faz um pout-pourri de esteriótipos, alguns trejeitos, e uma ideologia bonita-ecológicae-ou-anacrônica também ajuda. as pessoas compram a idéia e daí você vai alcançando o seu objetivo social-local. Só que vai passando um tempo, e vai ficando perigoso quando você mesmo começa a acreditar na sua própria enganação e começa a esperar que você tome atitudes conforme aquilo que você mesmo projetou ser. Aí vem uma certa frustração, e um lembrete: é mesmo, eu não sou assim, era só brincadeira. daí você levanta do chão, reconstituí os fragmentos da sua cara, passa um durepox, toma um chá de humildade (pode ser de saquinho) e começa a bolar outra enganaçãozinha.
Fui no meu SAC psicológico reclamar que o conteúdo do produto que eu tinha adquirido não constava com as promessas da embalagem.
...
Outro dia caiu um pé d’água aqui em casa, tão forte, com os maiores e mais fabulosos trovões que eu já vi na minha vida. Era cada barulho de explosão impressionante. Juro. Pensei comigo mesmo: pra quê tudo isso? Deus deve estava com raiva de alguém. Aposto que alguém no bairro anda cometendo o incesto.
O pior que raios e trovões são imprevisíveis (se alguém sabe prevê-los com certeza não sabe me explicar), então você acaba de levar um susto com um e vai ficar sempre na tensão de levar outro susto, que a qualquer momento cai mais um. A qual-quer mo-men-to! Coloca um violino no fundo e temos um filme de terror.
Fiquei imaginando na nossa época pré-tribal-tribalista. Claro que não existia civilizações antigas atéias. Como explicar a fúria do raio e do trovão? Não dá nem pra dormir. Daí imaginei um pré-histórico, numa dessas tempestades elétricas-magnéticas-que-queimam, dando bobeira num lugar descampado e levando um raiasso na cuca e lógico, batendo as botas. Daí, no dia seguinte, naturalmente acabaram-se o raios e a tribo encontra o sujeito morto. O ser humano não costuma ser muito inteligente quando anda em grupo, portanto deve ter sido fácil associar ‘fim-dos-raios’ com o ‘martírio-sacrifício’ do desatento que vacilou. Pronto, tivemos nosso primeiro santo-totem-mágico responsável, ainda não pela colheita, mas pelo fim das trovoadas-relampejadas. E este foi o princípio dos sacrifícios e dos cultos malucos. Nossa primeira autoridade religiosa e conseqüentemente política, foi um mané distraído na chuva.
Por isso eu não confio em autoridades. Está em sua gênese o seu caráter estúpido.
...
Partindo do pressuposto que preciso passar uma idéia de culto, tive que ir na Bienal.
Ainda mais que se o meu projeto de fazer um vídeo descoladex, colocar no YouTube e esperar a MTV me contratar não der certo, virarei artista, daqueles incompreendido por anos, e por isso já preciso ir me atualizando.
Não farei críticas, pois sei que réles mortais não entendem a Arte contemporânea, e como grandes vanguardas injustiçadas, só lá na frente vão reconhecer seu valor. Por isso quero ser da turma pra-frentex, que ignora o saudosismo, e acho tudo ‘bár-ba-ro’.
Fala sério, as fotografias estão ótimas, mas o que mais me impressionou foi uma ‘obra’ no meio da Bienal, estilo playground infantil, questionando o quanto crianças podem atrapalhar um pai numa exposição e portanto vou deixá-la nesse pula-pula se distraindo.
Sem contar o vídeo do gato comendo um rato.
Foi lindo. Quase fiz uma performance:
O gato.
O gato come.
O gato come o rato.
Como o gato come.
De fato, o rato.
De novo, o gato.
De fome não morro.
No morro tem churrasco de gato.
O gato comeu o rato
Da-rou-pa
Do-Rei
De- Ro-ma.
Sou fã de arte conceitual. Mas às vezes faço ridículo. Perdi dez minutos absorvendo todo o conjunto sígnico-semiótico da questão das queimadas nas florestas, dos atentados terroristas, das explosões deliberadas. Mas daí minha irmã me puxou e disse: “não Rafa, isso é apenas um extintor; faz parte do sistema de segurança do prédio.”
Ah bom. Alguma coisa eu entendi de lá.
tá ok.
UOL me disse: morreu ontem o último panda marrom e branco do mundo. Neste momento, uma lágrima escorre pelo meu rosto.
...
No começo, ser enganação é ótimo: você faz uma média, constrói um personagem, trejeitos, ideologia, faz um pout-pourri de esteriótipos, as pessoas comprarm a idéia, se emocionam e você alcança algum objetivo social-local. Só que vai passando um tempo, e vai ficando perigoso quando você mesmo começa a acreditar na sua própria enganação e começa a esperar que você tome atitude conforme aquilo que você demonstra ser. Aí vem uma certa frustração junto com um lembrete: é mesmo, eu não sou assim, era só de brincadeira.
Fui no meu SAC psicológico reclamar que o conteúdo do produto que eu tinha adquirido não constava com as promessas da embalagem.
...
Outro dia caiu um pé d’água aqui em casa, tão forte, com os maiores e mais fabulosos trovões que eu já vi na minha vida. Era cada barulho de explosão impressionante. Juro. Pensei comigo mesmo: pra quê tudo isso? Deus deve estava com raiva de alguém. Aposto que alguém no bairro anda cometendo o incesto.
O pior que raios e trovões são imprevisíveis (se alguém sabe prevê-los com certeza não sabe me explicar), então você acaba de levar um susto com um e vai ficar sempre na tensão de levar outro susto, que a qualquer momento cai mais um. A qual-quer mo-men-to! Coloca um violino no fundo e temos um filme de terror.
Fiquei imaginando na nossa época pré-tribal-tribalista. Claro que não existia civilizações antigas atéias. Como explicar a fúria do raio e do trovão? Não dá nem pra dormir. Daí imaginei um pré-histórico, numa dessas tempestades elétricas-magnéticas-que-queimam, dando bobeira num lugar descampado e levando um raiasso na cuca e lógico, batendo as botas. Daí, no dia seguinte, naturalmente acabaram-se o raios e a tribo encontra o sujeito morto. O ser humano não costuma ser muito inteligente quando anda em grupo, portanto deve ter sido fácil associar ‘fim-dos-raios’ com o ‘martírio-sacrifício’ do desatento que vacilou. Pronto, tivemos nosso primeiro santo-totem-mágico responsável, ainda não pela colheita, mas pelo fim das trovoadas-relampejadas. E este foi o princípio dos sacrifícios e dos cultos malucos. Nossa primeira autoridade religiosa e conseqüentemente política, foi um mané distraído na chuva.
Por isso eu não confio em autoridades. Está em sua gênese o seu caráter estúpido.
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Partindo do pressuposto que preciso enganar com uma idéia de culto, tive que ir na Bienal.
Ainda mais se o meu projeto de fazer um vídeo descoladex, colocar no YouTube e esperar a MTV me contratar não der certo, virarei artista, daqueles incompreendido por anos, e por isso preciso ir me atualizando.
Não farei críticas, pois sei que réles mortais não entendem a Arte contemporânea, e como grandes vanguardas injustiçadas, só lá na frente vão reconhecer seu valor. Por isso quero ser da turma pra-frentex, que ignora o saudosismo, e acho tudo ‘bár-ba-ro’.
Fala sério, as fotografias estão ótimas, mas o que mais me impressionou foi uma ‘obra’ no meio da Bienal, estilo playground infantil, questionando o quanto crianças podem atrapalhar um pai numa exposição e portanto vou deixá-la nesse pula-pula se distraindo.
Sem contar o vídeo do gato comendo um rato.
Foi lindo. Quase fiz uma performance:
O gato.
O gato come.
O gato come o rato.
Como o gato come.
De fato, o rato.
De novo, o gato.
De fome não morro.
No morro tem churrasco de gato.
O gato comeu o rato
Da-rou-pa
Do-Rei
De- Ro-ma.
Sou fã de arte conceitual. Mas às vezes faço ridículo. Perdi dez minutos absorvendo todo o conjunto sígnico-semiótico da questão das queimadas nas florestas, dos atentados terroristas, das explosões deliberadas. Mas daí minha irmã me puxou e disse: “não Rafa, isso é apenas um extintor; faz parte do sistema de segurança do prédio.”
Ah bom. Alguma coisa eu entendi de lá.
...
No começo, ser enganação é ótimo: você faz uma média, constrói um personagem, trejeitos, ideologia, faz um pout-pourri de esteriótipos, as pessoas comprarm a idéia, se emocionam e você alcança algum objetivo social-local. Só que vai passando um tempo, e vai ficando perigoso quando você mesmo começa a acreditar na sua própria enganação e começa a esperar que você tome atitude conforme aquilo que você demonstra ser. Aí vem uma certa frustração junto com um lembrete: é mesmo, eu não sou assim, era só de brincadeira.
Fui no meu SAC psicológico reclamar que o conteúdo do produto que eu tinha adquirido não constava com as promessas da embalagem.
...
Outro dia caiu um pé d’água aqui em casa, tão forte, com os maiores e mais fabulosos trovões que eu já vi na minha vida. Era cada barulho de explosão impressionante. Juro. Pensei comigo mesmo: pra quê tudo isso? Deus deve estava com raiva de alguém. Aposto que alguém no bairro anda cometendo o incesto.
O pior que raios e trovões são imprevisíveis (se alguém sabe prevê-los com certeza não sabe me explicar), então você acaba de levar um susto com um e vai ficar sempre na tensão de levar outro susto, que a qualquer momento cai mais um. A qual-quer mo-men-to! Coloca um violino no fundo e temos um filme de terror.
Fiquei imaginando na nossa época pré-tribal-tribalista. Claro que não existia civilizações antigas atéias. Como explicar a fúria do raio e do trovão? Não dá nem pra dormir. Daí imaginei um pré-histórico, numa dessas tempestades elétricas-magnéticas-que-queimam, dando bobeira num lugar descampado e levando um raiasso na cuca e lógico, batendo as botas. Daí, no dia seguinte, naturalmente acabaram-se o raios e a tribo encontra o sujeito morto. O ser humano não costuma ser muito inteligente quando anda em grupo, portanto deve ter sido fácil associar ‘fim-dos-raios’ com o ‘martírio-sacrifício’ do desatento que vacilou. Pronto, tivemos nosso primeiro santo-totem-mágico responsável, ainda não pela colheita, mas pelo fim das trovoadas-relampejadas. E este foi o princípio dos sacrifícios e dos cultos malucos. Nossa primeira autoridade religiosa e conseqüentemente política, foi um mané distraído na chuva.
Por isso eu não confio em autoridades. Está em sua gênese o seu caráter estúpido.
...
Partindo do pressuposto que preciso enganar com uma idéia de culto, tive que ir na Bienal.
Ainda mais se o meu projeto de fazer um vídeo descoladex, colocar no YouTube e esperar a MTV me contratar não der certo, virarei artista, daqueles incompreendido por anos, e por isso preciso ir me atualizando.
Não farei críticas, pois sei que réles mortais não entendem a Arte contemporânea, e como grandes vanguardas injustiçadas, só lá na frente vão reconhecer seu valor. Por isso quero ser da turma pra-frentex, que ignora o saudosismo, e acho tudo ‘bár-ba-ro’.
Fala sério, as fotografias estão ótimas, mas o que mais me impressionou foi uma ‘obra’ no meio da Bienal, estilo playground infantil, questionando o quanto crianças podem atrapalhar um pai numa exposição e portanto vou deixá-la nesse pula-pula se distraindo.
Sem contar o vídeo do gato comendo um rato.
Foi lindo. Quase fiz uma performance:
O gato.
O gato come.
O gato come o rato.
Como o gato come.
De fato, o rato.
De novo, o gato.
De fome não morro.
No morro tem churrasco de gato.
O gato comeu o rato
Da-rou-pa
Do-Rei
De- Ro-ma.
Sou fã de arte conceitual. Mas às vezes faço ridículo. Perdi dez minutos absorvendo todo o conjunto sígnico-semiótico da questão das queimadas nas florestas, dos atentados terroristas, das explosões deliberadas. Mas daí minha irmã me puxou e disse: “não Rafa, isso é apenas um extintor; faz parte do sistema de segurança do prédio.”
Ah bom. Alguma coisa eu entendi de lá.
domingo, novembro 19, 2006
Homenagem ao malandro
da Hollanda o mais perto é um bisavô na Itália. Buarque-quem? ninguém mesmo. e de Chico só meu bicho de estimação. minha ligação com o Chico passa do vinil pela agulha que vai pro amplificador, chega aos meus ouvidos, e num dia mais sensível (nunca direi isso na frente dos meninos, portanto não espalhem) toca meu coração. eu sou um cara muito sensível e quem discordar disso eu espanco até sangrar, dou bica na costela e de quebra encoxo a mãe do otário.
eu, no mais completo sentimento de inveja, conformado e inconformado, poderia até dizer que o 'burguesinho nasceu em berço de ouro, de família de intelectual, que tinha tempo e dinheiro pra estudar e conhecer um monte de coisa que propiciou uma fertilidade criativa de qualidade", como se qualquer um que estivesse no seu lugar teria feito o mesmo. mas não posso atacar com meu jargão de comunistinha-mal-amado. simplesmente porque, além de tudo que o Chico faz, ele realmente ganha minha admiração com o empenho que ele tem em ser jogador de futebol, ter um time, uniforme e levar a sério um aspecto tão forte da nossa cultura. e ai de quem discordar de que futebol é cultura.
detesto fazer elogios rasgados para homens (a não ser pro meu pai), mas é impressionante a capacidade que o Chcio tem de ser talentoso e fazer bem feito em todas as áreas. para me livrar do perigo, passo a peteca: nas palavras da minha mãe e tias, "ele escreve bem, faz lindas músicas, é sensível, é inteligente, culto e como se não bastasse, é lindo", "é, é lindo", confirma uma amiga delas.
ok. eu não caso enquanto o Chico estiver vivo. sou narcisista mas sei que é meio difícil competir com unanimidades.
malandro é o gato. o cara se auto-projetou de uma forma que não tem nenhum aspecto que desagrada. já no meu caso, ou é um ou é outro: quando eu consigo ser bonito, consigo proporcionalmente ser estúpido, quando dou uma de culto não fico muito atraente, e quando jogo bola daí nem presto atenção em outras coisas.
o Chico agrada a todos. malandro, não se contentou em cantar, resolveu ser poeta; não se contentou com música fez livro; não se contentou em ser bonito ainda resolveu ser jogador de futebol; só pra me agradar, aposto.
sorte que eu não sou amigo dele. se fosse, todas as pessoas perderiam a graça.
e eu também entendo as mulheres: ampliei meu cheque especial e já consegui um cartão de crédito.
Freud disse uma vez que a capacidade de um artista de 'tocar' o espectador, é que este último, reconhece, talvez indiretamente, um conteúdo e uma expressividade do inconsciente do artista naquela obra. e como em nossa sociedade reprimimos nossos desejos e os deixamos em quarentena no inconsciente, acaba gerando um certo prazer, ao 'ver' numa obra uma possível identificação dos nosso desejos do inconsciente com os do exposto pelo artista.
com isso concluí que minha possível vida de artista está fadada ao fracasso, já que eu extrapolo meus cri-cris do inconsciente nas mais puras e tenras criaturagens da vida. ou seja, eu gasto tudo no rolê, não sobra pra pôr numa 'obra de arte'.
eu só precisava de uns 30% do mel do Chico e uns 10% da conta bancária. e o pior que ele não teve filho homem pra herdar o principado. que coisa. único!
mas um dia ele morre e a Terra volta a ter homens 'normais'.
amém.
(ainda bem que já tenho um monte de mp3 dele)
eu, no mais completo sentimento de inveja, conformado e inconformado, poderia até dizer que o 'burguesinho nasceu em berço de ouro, de família de intelectual, que tinha tempo e dinheiro pra estudar e conhecer um monte de coisa que propiciou uma fertilidade criativa de qualidade", como se qualquer um que estivesse no seu lugar teria feito o mesmo. mas não posso atacar com meu jargão de comunistinha-mal-amado. simplesmente porque, além de tudo que o Chico faz, ele realmente ganha minha admiração com o empenho que ele tem em ser jogador de futebol, ter um time, uniforme e levar a sério um aspecto tão forte da nossa cultura. e ai de quem discordar de que futebol é cultura.
detesto fazer elogios rasgados para homens (a não ser pro meu pai), mas é impressionante a capacidade que o Chcio tem de ser talentoso e fazer bem feito em todas as áreas. para me livrar do perigo, passo a peteca: nas palavras da minha mãe e tias, "ele escreve bem, faz lindas músicas, é sensível, é inteligente, culto e como se não bastasse, é lindo", "é, é lindo", confirma uma amiga delas.
ok. eu não caso enquanto o Chico estiver vivo. sou narcisista mas sei que é meio difícil competir com unanimidades.
malandro é o gato. o cara se auto-projetou de uma forma que não tem nenhum aspecto que desagrada. já no meu caso, ou é um ou é outro: quando eu consigo ser bonito, consigo proporcionalmente ser estúpido, quando dou uma de culto não fico muito atraente, e quando jogo bola daí nem presto atenção em outras coisas.
o Chico agrada a todos. malandro, não se contentou em cantar, resolveu ser poeta; não se contentou com música fez livro; não se contentou em ser bonito ainda resolveu ser jogador de futebol; só pra me agradar, aposto.
sorte que eu não sou amigo dele. se fosse, todas as pessoas perderiam a graça.
como eu não pensei nisso antes? sensível que joga uma bola e entende as mulheres. perfeito.
a fórmula é ótima, e eu bem que tentei, mas no caminho topei com uns criaturas, e no lugar da poesia e daquele olhar angustiado-romântico-pronto-pra-criar-arte, eu acabei indo pro bar esquematizar as táticas dos hedonistas f.c.e eu também entendo as mulheres: ampliei meu cheque especial e já consegui um cartão de crédito.
Freud disse uma vez que a capacidade de um artista de 'tocar' o espectador, é que este último, reconhece, talvez indiretamente, um conteúdo e uma expressividade do inconsciente do artista naquela obra. e como em nossa sociedade reprimimos nossos desejos e os deixamos em quarentena no inconsciente, acaba gerando um certo prazer, ao 'ver' numa obra uma possível identificação dos nosso desejos do inconsciente com os do exposto pelo artista.
com isso concluí que minha possível vida de artista está fadada ao fracasso, já que eu extrapolo meus cri-cris do inconsciente nas mais puras e tenras criaturagens da vida. ou seja, eu gasto tudo no rolê, não sobra pra pôr numa 'obra de arte'.
eu só precisava de uns 30% do mel do Chico e uns 10% da conta bancária. e o pior que ele não teve filho homem pra herdar o principado. que coisa. único!
mas um dia ele morre e a Terra volta a ter homens 'normais'.
amém.
(ainda bem que já tenho um monte de mp3 dele)
sábado, novembro 18, 2006
aaliás, e que me sirvam todos os aliás e sua capacidade etmológica de voltar no tempo, o intuito era começar assim: por favor, estamos na pós-modernidade, me poupe de falsos moralismos, aliás, me poupe de moralismo algum.
e descartamos todos os padrões afim de podermos utlizarmos todos de uma só vez.
e de uma só vez engulimos, sem mastigar, até porque mastigar perde um tempão, e tempo é dinheiro, ou tempo é alguma coisa relativa que importa pra alguma outra coisa. na verdade ele, o tempo, é uma abstração futurista, sempre adiante, tentando alcançá-lo, correndo e correndo e sempre avante, não sei o que faria se o pegasse de fato, venderia, ou displicentemente deixaria escorrer pelas minhas mãos, atônito, pasmo, olhando alguma coisa colorida-animada-interativa, e o tempo voltaria a si, correndo e correndo e se distanciando, e deixando pra trás a gente e nossas preocupações, e aquele pé-de-galinha, e aquele diploma, e aquela chance, e a hora de decidir enquanto ele some no horizonte.
o tempo volta amanhã. logo de manhã com o barulho do despertador.
e enquanto nos espreguiçamos, lavamos o rosto, e pensamos sinceramente, se, de fato, vale a pena levantar e fazer de novo tudo aquilo que já fizemos e fazemos e não sabemos aonde vai, daí o malandro dispara na nossa frente, quieto, na surdina, e quando olhamos no relógio, não temos tempo de pensar que ele já fugiu de novo.
uma vez eu peguei uma gaiola velha, uma ratoeira e um pega-mosca, daqueles grudentos mesmo, e fiquei de plantão pra ver se eu pegava e aprisionava o tempo.
enquanto armava a armadilha, o tempo passou e passou e passou e eu não percebi. passou que cansou, grisalhou. perdi um tempão.
na segunda foi fantástico. tive certeza que ele, em sua façanha ardil, seja lá o que isso signifique, deu, de leve, um passo pra trás. cara-de-pau, na minha frente. depois da quarta ele é mais disciplinado, na segunda, me provoca, ao melhor estilo governamental, dois passos pra frente, um passo pra trás.
ficar velho não é o problema. o problema é a contínua existência de pessoas mais jovens. engraçado pensar que eles vão continuar mesmo depois que o tempo espalhar por aí que eu já fui, e fazer com que me esqueçam.
tem tempo pra tudo. tem tempo passado, tempo fresquinho. o meu tempo é na chapa junto com uma média.
o Paulo me deu bom conselho. amanhã não existe. coloco um dia de cada vez no meu calendário. por isso me atrapalho com datas festivas e feriados. meu calendário só fica pronto no último dia do ano, quando o ano acontece e surge ali no seu próprio fim. um dia de cada vez. e o ano nasce simbolicamente pra acabar. e é pra isso que eu uso tempo, pra acabar com ele. gasto na hora, pra não deixar ele sair na frente, e eu voltar a correr atrás;
franca mania de doido: correr atrás do tempo é se situar pra trás.
e no atrás,do tempo, está o passado.
e descartamos todos os padrões afim de podermos utlizarmos todos de uma só vez.
e de uma só vez engulimos, sem mastigar, até porque mastigar perde um tempão, e tempo é dinheiro, ou tempo é alguma coisa relativa que importa pra alguma outra coisa. na verdade ele, o tempo, é uma abstração futurista, sempre adiante, tentando alcançá-lo, correndo e correndo e sempre avante, não sei o que faria se o pegasse de fato, venderia, ou displicentemente deixaria escorrer pelas minhas mãos, atônito, pasmo, olhando alguma coisa colorida-animada-interativa, e o tempo voltaria a si, correndo e correndo e se distanciando, e deixando pra trás a gente e nossas preocupações, e aquele pé-de-galinha, e aquele diploma, e aquela chance, e a hora de decidir enquanto ele some no horizonte.
o tempo volta amanhã. logo de manhã com o barulho do despertador.
e enquanto nos espreguiçamos, lavamos o rosto, e pensamos sinceramente, se, de fato, vale a pena levantar e fazer de novo tudo aquilo que já fizemos e fazemos e não sabemos aonde vai, daí o malandro dispara na nossa frente, quieto, na surdina, e quando olhamos no relógio, não temos tempo de pensar que ele já fugiu de novo.
uma vez eu peguei uma gaiola velha, uma ratoeira e um pega-mosca, daqueles grudentos mesmo, e fiquei de plantão pra ver se eu pegava e aprisionava o tempo.
enquanto armava a armadilha, o tempo passou e passou e passou e eu não percebi. passou que cansou, grisalhou. perdi um tempão.
na segunda foi fantástico. tive certeza que ele, em sua façanha ardil, seja lá o que isso signifique, deu, de leve, um passo pra trás. cara-de-pau, na minha frente. depois da quarta ele é mais disciplinado, na segunda, me provoca, ao melhor estilo governamental, dois passos pra frente, um passo pra trás.
ficar velho não é o problema. o problema é a contínua existência de pessoas mais jovens. engraçado pensar que eles vão continuar mesmo depois que o tempo espalhar por aí que eu já fui, e fazer com que me esqueçam.
tem tempo pra tudo. tem tempo passado, tempo fresquinho. o meu tempo é na chapa junto com uma média.
o Paulo me deu bom conselho. amanhã não existe. coloco um dia de cada vez no meu calendário. por isso me atrapalho com datas festivas e feriados. meu calendário só fica pronto no último dia do ano, quando o ano acontece e surge ali no seu próprio fim. um dia de cada vez. e o ano nasce simbolicamente pra acabar. e é pra isso que eu uso tempo, pra acabar com ele. gasto na hora, pra não deixar ele sair na frente, e eu voltar a correr atrás;
franca mania de doido: correr atrás do tempo é se situar pra trás.
e no atrás,do tempo, está o passado.
nunca acreditei em Papai Noel mas sempre fui ingênuo.
até um tempo atrás jurava que o John Lennon era comunista.
eu escutava aquela música "Instant Karma", e com meu inglês pra-lá-de-Marrakesh, ao invés de compreender "we all shine on", entendia "we all share all". ou seja, vamos compartilhar tudo, como a Lua, como as Estrelas, como o Sol. achava que ele era uma espécie de comunista hippie (estilo minha mãe), que descarta o velho bordão da distribuição de renda, e evoca a humanidade no compartilhar dos "bens da natureza", como a Lua, as Estrelas e o Sol.
buenas. como na verdade é apenas "brilhar" ao invés do romântico "compartilhar", ele perde completamente a insígnia comunista, e Sir John Lennon volta a ser, pra mim, apenas um hippie bem sucedido em Nova York. uma espécie de yuppie do bem.
...
vida engraçada. eu ia escrever na semana passada uma pseudo-crônica com seguinte título:
A difícil arte de ser um irresponsável ou como eles estavam corretos quando me chamaram de lúmpen.
eu até tinha esquematizado na minha cabeça um princípio norteador da crônica (coisa que eu não faço), e até esboçava o parágrafo final onde explico como eu perdi minha carteira com meus documentos dentro, depois de quase 24horas de esbórnia-total, realizando minha meta de ser indigente. mas daí, não deu tempo, fiz um começo que não ficou bom e desisti.
e de fato, concluo minha irresponsabilidade: para com meus documentos, para com meus leitores e meu futuro literário.
...
minhas histórias mais legais eu não posso contar por uma questão ética.
só o círculo mais próximo sabe. aliás, só é legal pros meninos, daqueles bem criaturas.
o que sobra é aquela velha história sobre trabalhar, perder tempo, perder as coisas (ao total foi meu primeiro RG, meu estojo e agora minha carteira, sem contar minha reputação na faculdade ao longo desse ano).
...
se tem uma coisa admirável na PUC é o seu caráter público. além de dividir o espaço da van do yakissoba com alguns mendigos (ou habitantes da calçada pra eufemizar na amizade aê) que enventualmente comem por lá, descobri agora, que um meio-mendigo que fica lá no entorno da faculdade usa o banheiro da PUC. e exatamente o do meu prédio. como se não bastasse, no momento em que eu estava lá. pois é, o que os olhos não vêem o coração não sente. podia ter passado sem essa.
é uma disputa acirrada com os cachorros da FFLCH.
...
ah tá. a pseudo-pseudo sobre ser irrsponsável era porque eu tinha uma visita a fazer a Bienal, ler um livro, fazer um trabalho, e todo, sinceramente mesmo, todo fim-de-semana eu prometo que vou fazer alguma coisa acadêmica útil. e impressionante como todo fim-de-semana eu faço a mesma coisa: vou pra esbórnia e volto em coma. o pior é a minha capacidade de auto-enganação perpétua. eu sempre me convenço que, antes, sou um intelectual, estudioso e aplicado que 'se dá ao direito de uma esbórniazinha, já que sou filho de Deus também' do que um quase alcoólatra inveterado, que de vez em quando abre uma página da Cult, tenta entender patavinas daquele povo que fala tudo 'embasado', com seus conteúdos e literaturas de difícil assimilação, faço uma careta de "sim, claro, eu estendendo. foi em mil novescentos e quarente e três, logo depois de de mil novescentos e quarento e dois, acho que estou pegando" e depois compro uma "Piauí" numa banca bem pop pra me sentir a par do que se passa com os modernets.
sorte que eu não sou cristão pra acreditar em inferno. porque de longe, no mais longínquo e distante, sou a maior enganação de todos os tempos. acho que só perco praquele Andy Kaufman. mas só.
é porque vocês não viram meu Curriculum Vitae. quem lê pensa que eu sou um designer poliglota, que desistiu de fazer uma pós-pós em Harvard pra tentar a vida como estagiário em algum puleiro, como experiência sociológica na pós-modernidade.
...
eu achava que eu era um jovem bem pós-moderno. repararam como sou distraído e narcisista?
mas daí explicaram que eu sou mimado e que tenho DDA. faz sentido.
...
só pra não falar que só falo de mim. e essa meninas modelos que morreram? que coisa né...?
tanta gente passando fome e elas cuspindo comida. vomitaram tanto que morreram. que o diga Jimi Hendrix. elas queriam ser mega-magricelas, estilo raquíticas. é estilo do anti-Botero de ser. quem disse que só terceiro mundo copia a estética do primeiro?
ai, quanta maldade.
até um tempo atrás jurava que o John Lennon era comunista.
eu escutava aquela música "Instant Karma", e com meu inglês pra-lá-de-Marrakesh, ao invés de compreender "we all shine on", entendia "we all share all". ou seja, vamos compartilhar tudo, como a Lua, como as Estrelas, como o Sol. achava que ele era uma espécie de comunista hippie (estilo minha mãe), que descarta o velho bordão da distribuição de renda, e evoca a humanidade no compartilhar dos "bens da natureza", como a Lua, as Estrelas e o Sol.
buenas. como na verdade é apenas "brilhar" ao invés do romântico "compartilhar", ele perde completamente a insígnia comunista, e Sir John Lennon volta a ser, pra mim, apenas um hippie bem sucedido em Nova York. uma espécie de yuppie do bem.
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vida engraçada. eu ia escrever na semana passada uma pseudo-crônica com seguinte título:
A difícil arte de ser um irresponsável ou como eles estavam corretos quando me chamaram de lúmpen.
eu até tinha esquematizado na minha cabeça um princípio norteador da crônica (coisa que eu não faço), e até esboçava o parágrafo final onde explico como eu perdi minha carteira com meus documentos dentro, depois de quase 24horas de esbórnia-total, realizando minha meta de ser indigente. mas daí, não deu tempo, fiz um começo que não ficou bom e desisti.
e de fato, concluo minha irresponsabilidade: para com meus documentos, para com meus leitores e meu futuro literário.
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minhas histórias mais legais eu não posso contar por uma questão ética.
só o círculo mais próximo sabe. aliás, só é legal pros meninos, daqueles bem criaturas.
o que sobra é aquela velha história sobre trabalhar, perder tempo, perder as coisas (ao total foi meu primeiro RG, meu estojo e agora minha carteira, sem contar minha reputação na faculdade ao longo desse ano).
...
se tem uma coisa admirável na PUC é o seu caráter público. além de dividir o espaço da van do yakissoba com alguns mendigos (ou habitantes da calçada pra eufemizar na amizade aê) que enventualmente comem por lá, descobri agora, que um meio-mendigo que fica lá no entorno da faculdade usa o banheiro da PUC. e exatamente o do meu prédio. como se não bastasse, no momento em que eu estava lá. pois é, o que os olhos não vêem o coração não sente. podia ter passado sem essa.
é uma disputa acirrada com os cachorros da FFLCH.
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ah tá. a pseudo-pseudo sobre ser irrsponsável era porque eu tinha uma visita a fazer a Bienal, ler um livro, fazer um trabalho, e todo, sinceramente mesmo, todo fim-de-semana eu prometo que vou fazer alguma coisa acadêmica útil. e impressionante como todo fim-de-semana eu faço a mesma coisa: vou pra esbórnia e volto em coma. o pior é a minha capacidade de auto-enganação perpétua. eu sempre me convenço que, antes, sou um intelectual, estudioso e aplicado que 'se dá ao direito de uma esbórniazinha, já que sou filho de Deus também' do que um quase alcoólatra inveterado, que de vez em quando abre uma página da Cult, tenta entender patavinas daquele povo que fala tudo 'embasado', com seus conteúdos e literaturas de difícil assimilação, faço uma careta de "sim, claro, eu estendendo. foi em mil novescentos e quarente e três, logo depois de de mil novescentos e quarento e dois, acho que estou pegando" e depois compro uma "Piauí" numa banca bem pop pra me sentir a par do que se passa com os modernets.
sorte que eu não sou cristão pra acreditar em inferno. porque de longe, no mais longínquo e distante, sou a maior enganação de todos os tempos. acho que só perco praquele Andy Kaufman. mas só.
é porque vocês não viram meu Curriculum Vitae. quem lê pensa que eu sou um designer poliglota, que desistiu de fazer uma pós-pós em Harvard pra tentar a vida como estagiário em algum puleiro, como experiência sociológica na pós-modernidade.
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eu achava que eu era um jovem bem pós-moderno. repararam como sou distraído e narcisista?
mas daí explicaram que eu sou mimado e que tenho DDA. faz sentido.
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só pra não falar que só falo de mim. e essa meninas modelos que morreram? que coisa né...?
tanta gente passando fome e elas cuspindo comida. vomitaram tanto que morreram. que o diga Jimi Hendrix. elas queriam ser mega-magricelas, estilo raquíticas. é estilo do anti-Botero de ser. quem disse que só terceiro mundo copia a estética do primeiro?
ai, quanta maldade.
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